segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

“Eu anuncio para vocês a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor”  (Lc 2, 10 -11)


Meus Caros: Amigos e Amigas,
Estamos nos aproximando das festividades de fim de ano. Desde já nos preparamos para receber o Ano de 2015. Como de costume, veio por meio desta apresentar uma pequena reflexão sobre o sentido destas festas para todos nós.
Na preparação destas festas, Natal e Fim de Ano, um símbolo que nos ajuda a pensar é a  Estrela. A título de curiosidade esta palavra vem da língua zenda e quer dizer desejo, sonho, expectativa. “É uma palavra que nos lança para buscar mais vida, mais esperança, mais libertação. Seguir o desejo ou o sonho é seguir uma estrela. Seguir uma estrela é estar seguindo uma orientação interior  para saber para onde se vai, para conhecer o rumo de sua vida”. Nós Cristãos temos uma Estrela que orienta a nossa vida: Jesus Cristo!
A celebração desses momentos, de modo particular a Festa do Natal do Senhor, tem como mística a proclamação do Reino de Deus como a vivência da verdadeira fraternidade universal.  Reunimo-nos em torno da Pessoa de Jesus que se encarnou na realidade dos pobres. Neste sentido a “Humanidade de Jesus Cristo é a nossa Felicidade”. Ele encarnou-se no ventre e no coração de Maria, e através dela, no coração de toda a humanidade. Este é o primeiro sacramento de sua presença entre nós!
O Advento é um tempo agraciado para nos prepararmos para renovar o verdadeiro sentido de Jesus em nossas vidas. Para nós, cristãos e cristãs, este é um tempo de oração, vigilância, esperança e expectativa para o Natal do Menino Deus. Neste sentido, aproveitemos estas semanas para nos prepararmos espiritualmente para a vinda de Jesus Cristo, nosso Salvador!
Sabemos que o nascimento de Jesus é um evento, não somente histórico, mas também de fé, como nos lembra a Sagrada Escritura: “E a Palavra se fez homem e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória: glória do Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade” (Jo 1,14). Desta forma, Natal é tempo de nascer. A título de curiosidade, a palavra Natal vem da mesma raiz da palavra latina natus, que significa tempo de nascer. “Tempo para lembrar o eterno renascer da natureza com motivação para um permanente renascer interior. Pensando neste contexto, a Festa do Natal representa o início do momento do amor e da graça, isto é, Jesus Cristo é o Amor de Deus e o próprio   Encarnado, o Emanuel: Deus conosco! Encarnando o Natal neste espírito, bastaria uma atitude de recolhimento: paz interior, solidariedade para o próximo e mais respeito para com a natureza.”
Este evento magnífico, que é o Natal, nos lembra, ainda, que Jesus foi enviado por Deus Pai, para nos salvar do mal que é a nossa separação do amor, que é o próprio Deus. Isto é, o orgulho presunçoso do ser humano de acreditar que é auto-suficiente e de que não necessita da Graça e da Sabedoria de Deus. Com esta festa contemplamos a grandeza de nosso Bom Deus que por Amor quis fazer-se humano, isto é, gente como nós, assumindo a nossa natureza, marcando a assim a nossa participação no Mistério Divino. 
Meus Amigos e Amigas,
Desejo de todo o coração que na Noite Santa do Natal dirijamos o nosso olhar para a gruta de Belém e juntamente com os pastores e os anjos cantemos  a glória de Deus em favor da humanidade. Desta forma, a minha é prece é que Menino de Belém, nesta mesma noite santa toque os nossos corações e de todos os seres humanos para que o Amor seja a nossa vocação!
Desejo a tod@s, e cada um de vocês, um Feliz e Santo Natal, que o Menino Deus renasça em vossos corações. E que o Ano de 2015 seja repleto de Felicidade, Paz e Alegria!

Um Grande Abraço Fraterno!!!

Antonio Alves

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Nordeste Independente!!!


 "Imagine o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente"



Nordeste Independente
Já que existe no sul esse conceito
Que o Nordeste é ruim, seco e ingrato
Se existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão vibrar abertamente
Se o sul vai ficar indiferente
Ficará o Nordeste agradecido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente

Separá-lo, porém, sem haver luta
E deixar o nordeste com os seus vícios
Mas, sem ele pagar com sacrifícios
Grandes obras reais que não desfruta
Não precisa haver sangue na disputa
Bastaria a separação somente
Que se fosse medir o mais valente
Eu já sei quais dos dois era vencido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente

Se o Nordeste tivesse outras fronteiras
Talvez fosse tratado com capricho
Sem servir de depósito para o lixo
Das usinas atômicas Brasileiras
A enchente das musicas estrangeiras
Talvez fosse para outro continente
Se vivesse uma vida diferente
Da que agente até hoje tem vivido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente

Talvez que muita gente até proteste
Minha idéia, chamando de imbecil
Um pais com o nome de Brasil
E o outro chamado de Nordeste
O Brasil não padeceria a peste
Da seca que vem constantemente
O Nordeste sem esse seu parente
Ia ser melhor compreendido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente

Paraíba era o centro artesanal
Piauí o setor da criação
Em Sergipe cultural é tradição
Maranhão a reserva florestal
Na Bahia o distrito industrial
Alagoas agrícola e florescente
Rio Grande o poder militarmente
Ceará pra turismo era escolhido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente

A partilha ainda sendo homologada
E o Nordeste guiando os seus destinos
Mais de cinco milhões de Nordestinos
Voltarão para a terra idolatrada
Trocarão a garôa e a geada
Pela roça a inchada e sol quente
Ninguém vai explorar mais nossa gente
Como tem até hoje acontecido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente

O Brasil ia ter de exportado
Um nordeste, cacau, coco e caju
Carnaúba, minério, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar
A lagosta, o agave do lugar
A cebola o petrólio, a aguardente
O nordeste é auto suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente

As rádios iam ser nordestizadas
Tocariam forró, xote e baião
As TV's só fariam transmissão
De cantorias ciranda e vaqueijadas
As crianças seriam batizadas
Só nomes bem simples como agente
Não se usava mais nome diferente
Que não pode botar ném apelido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente

Dividindo a partir de salvador
O Nordeste seria outro país
Vigoroso normal, rico e feliz
Sem dever a ninguém do exterior
Jangadeiro seria um senador
O caboclo da roça era o suplente
Cantador de viola, o presidente
O vaqueiro era o líder do partido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente

Em recife, o distrito federal
O idioma ia ser Nordestinense
A bandeira de renda cearense
Asa Branca era o hino nacional
O folheto o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro, seria inconfidente
Lampeão, o herói inesquecível
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente


Por: Brálio Tavares

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Perdoar é coisa de amor e de muito amor!!!

Perdoar é coisa de amor e de muito amor![1]

Comumente associamos a condição humana ao pecado. Neste texto desafio a todos para fazermos uma reflexão a partir de outro ponto de vista. Sendo assim apresento a condição humana como lugar de perdão, isto é, lugar de muito amor, lugar de Deus! Para melhor orientarmos nossa reflexão trabalharemos com a seguinte definição: Natureza Humana: lugar de pecado, lugar de perdão.

Sabemos que o pecado destrói moralmente o ser humano, ou seja, o pecador, também, esta situação traz consigo inúmeros males para realidade humana: do próprio pecador e do ofendido. Esses males devem ser enfrentados à luz da fé em Jesus Cristo. Portanto, o cristão deve estar disposto a perdoar o pecador e a perdoar a realidade de pecado, isto é, somos convocados a livrar o pecador de sua culpa e a livrar a realidade da miséria introduzida pelo pecado. Isso só e possível através de uma espiritualidade do perdão.

Não é tarefa fácil, falar de perdão diante de uma realidade impregnada de pecado. Daí a necessidade de se formar uma espiritualidade do perdão. Só desta forma é que compreenderemos o que significa perdoar. Veremos que tal atitude, de perdão ao pecador, é um poderoso gesto do espírito, um profundo gesto de amor! O perdão ao pecador reproduz o gesto da benignidade divina e revela assim uma específica fé em Deus. Fé no Deus da graça, mais terno que uma mãe, e fé no mistério de Deus, que nos escandaliza com a sua lógica e com a sua misericórdia.

Sendo assim, "perdoar é coisa de amor e de muito amor! O Perdão realça a necessária eficácia do Amor e da Gratuidade, que recebemos de Deus. O Perdão é o desarmamento que só o Amor provoca. Não se Perdoa por nenhum interesse pessoal ou até mesmo grupal, mesmo que legítimo, mas simplesmente por Amor; não se apresenta o Amor como argumento convincente, mas simplesmente se o oferece”.

Esta espiritualidade do perdão deve integrar esta tensão de amor e destruição do pecado. O que nos afasta do amor é justamente o medo. Diante dessa realidade é que: “Por amor dever-se estar disposto à acolhida do pecador, perdoando-o; e dever-se estar disposto a coibir a ação de seus frutos desumanizantes contra os outros e contra ele próprio. Esta espiritualidade não é outra que a de Jesus, que ama a todos e a todos está disposto a perdoar!

Sabemos que o perdão é a grande mensagem do projeto de Jesus de Nazaré. Na sua proposta de vida, lembra-nos que devemos nos amar uns aos outros; “porque o amor é de Deus; e qualquer um que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. Portanto, a ignorância consiste na não abertura a este projeto de amor: “aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”. O critério para vemos e para vivermos em Deus é o amor ao próximo, isto é, o exercício do verbo amar: “se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor”.

Diante desta reflexão, sobre o alguns significados do verbo amar, é que compreendemos que não há lugar melhor para o perdão que o coração do ser humano. Compreendendo que somos imagem e semelhanças de Deus, fica evidente que a Natureza Humana não é lugar somente para o pecado, mas também é lugar de perdão e , desta forma, é lugar de Deus, que é amor!

Antonio Alves






[1] Este texto é fruto de uma reflexão pessoal, vivido em um momento de tristeza. Também é baseado no texto de Jon Sobrino: “ América Latina: lugar de pecado, lugar de perdão”.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Reflexo da Alma, ficou em 3º lugar no Festival de Dança Sacra


Ministério Reflexo da Alma, ficou em 3º lugar no Festival de Dança Sacra de Joinville.

O grupo jovem, da Paróquia São Cristovão de Valinhos-SP, que participou do 15ª Festival de Dança Sacra de Joinville, ficou em terceiro lugar na modalidade Trio de Jazz.
Para Bruna Silva e Victória Capovilla, integrantes do grupo, este festival foi um momento de muita fé, graça e alegria. “Foi tudo muito lindo”, afirmou Bruna em uma de nossas conversas. Para melhor compreendermos como foi a experiência e a participação, do Ministério Reflexo da Alma,  no festival compartilho as respostas das duas integrantes do grupo.

Entrevista:

Antonio Alves: Victória Capovilla, conte-nos como foi a sua experiência e a sensação em participar deste Festival de Dança Sacra?
Victória Capovilla: "Danço com o grupo reflexos da alma, formado somente de jovens que participam do grupo de oração ADV (adoração e vida). Sou bailarina de uma academia de dança, danço a vários anos e já tive diferentes experiências em cima de vários palcos, mas nenhuma se compara a que vivi e senti esse fim de semana. Antes, durante e depois da apresentação sentia mais forte presença de Deus em meu coração. Antes de entrar no palco estava nervosa, ansiosa, mas quando coloquei meus pés naquele palco tudo aquilo sumiu, pois não estava dançando para aquelas pessoas somente, e sim para Deus, e sabia que mesmo se errasse ele ficaria contente e orgulhoso de mim. E não me importou o resultado pois não estava lá para receber troféu algum, simplesmente para evangelizar. Além do mais pude conhecer pessoas novas e passar um fim de semana inteiro com os que já considero minha família. Então o que mais poderia querer? Só quero poder voltar lá e sentir tudo outra vez ano que vem!!”.  
Antonio Alves: Bruna Silva, conte-nos como foi a sua experiência e a sensação em participar deste Festival de Dança Sacra?

Bruna Silva: “Para tudo há um tempo em nossas vidas, e o tempo não para... a vida segue com suas tristezas e alegrias... se pudermos pelo menos alegrar o coração de Jesus com simples gestos, isso é a verdadeira felicidade. Com nossas muitas limitações quisemos oferecer algo mais do que nossos encontros aos domingos, mas dizer ao mundo que é preciso amar a Deus enquanto há tempo e dar a Ele o melhor de nós... que ao final de nossas vidas o nosso coração não diga "Tarde, tão tarde Te amei".”
Considerando que um dos objetivos do festival é a evangelização da juventude, nos alegramos com nossos representantes, o Ministério Reflexo da Alma, que participou pela terceira vez do Festival de Dança Sacra de Joinville. E pedimos ao Bom Deus que continue os abençoando e os  enchendo Graça, Fé, Esperança e Alegria! Um grande abraço a todos!











Por Antonio Alves, seminarista da Arquidiocese de Campinas-SP

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

15ª Festival de Dança Sacra de Joinville


Jovens da Paróquia São Cristovão participarão do 15ª Festival de Dança Sacra de Joinville
A arte sacra é o ofício no qual o artista deve está vitalmente penetrado da religiosidade litúrgica sacramental para produzir uma obra autenticamente sacra. Desta forma, para se definir como arte sacra é necessária que seja compreensível e sirva de ensinamento, porque é uma "teologia em imagens". Portanto, deve representar as verdades da fé com a maior fidelidade possível.

Diante deste pressuposto é que apresento com muita alegria a iniciativa da Igreja de Joinville de organizar um Festival de Dança Sacra. Com o tema: “O sopro nos uniu em um só passo”.  O Festival de Dança Sacra tem o objetivo de reunir bailarinos de várias partes do país, para a promoção da arte da dança sacra. Segundo os organizadores, este é o maior festival do gênero do país está completando 15 anos e reúne bailarinos de todo o Brasil, juntos por um mesmo objetivo, expressar por meio do corpo a fé e espiritualidade.

O Festival de Dança Sacra acontecerá durante os dias 20 e 21 de setembro de 2014, no centro de eventos: Cau Hansen, com várias atividades e apresentações musicais.


Segundo o site ( http://www.festivaldedancasacra.com.br/ )  do evento, “o festival já se tornou tradicional e conhecido não só na região de Joinville, mas em todo o Brasil, fazendo de Joinville referência nacional da dança sacra. Desde a 7ª edição, temos participações de bailarinos de vários estados como: Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás”.

Nesta 15ª edição do festival contamos com a participação do grupo de jovens da Paróquia São Cristovão, de Valinhos-SP, chamado Ministério Reflexos da Alma. Formado por 19 pessoas. Esta será a terceira vez que o grupo participa deste evento.

Tendo como pressuposto que: “A dança é a única arte que não necessita de ferramenta alguma para existir, apenas com o seu próprio corpo ela acontece”. O Ministério Reflexos da Alma competirão em cinco modalidades, no festival, a sabe: Jazz Grupo, com a música “Agora te vejo”, do grupo Missionário Shalon; Jazz Duo, com a música “Eu vou além”, de  Flávio Amorim; Jazz Trio, com a música “Eroi”, do grupo Adoração e Vida; Solo Jazz, com a música “Sou amado por Deus, do grupo Missionário Shalon; e o Jazz Ballet, com a música “Te farei vencer”, da cantora Adriana.

Roguemos ao Espírito de Deus, que sopra onde quer e que faz novas todas as coisas, que os ajudem nesta Jornada de Fé e Esperança, para que, muito mais do que competir, todos os participantes possam realmente expressar, por meio do corpo, isto é, da sua coreografia a fé em Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador!


Antonio Alves, Seminarista da Arquidiocese de Campinas-SP.

Veja também: 15ª Festival de Dança Sacra de Joinville

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A MISSA SOBRE O MUNDO


Na “Missa sobre o Mundo”  Teilhard Chardin  não sugere que aceitemos passivamente os sofrimentos, mas que os encaremos da mesma forma como Jesus Cristo fez!!!
Pierre Teilhard Chardin era um homem de fé e profundamente otimista. Sabia que vivia num mundo criado por Deus, e que nada do que existia à sua volta tinha a sua origem fora d'Ele. Claro que ele não era cego e estando no meio das trincheiras da II  Guerra Mundial convivia diariamente com a dor e o sofrimento e isso não lhe era indiferente. Não podendo celebrar a Eucaristia, por falta de Pão e Vinho, fez esta belíssima oração: 

"Senhor, já que uma vez ainda, não mais nas florestas da França, mas nas estepes da Ásia, não tenho pão, nem vinho, nem altar, eu me elevarei acima dos símbolos até à pura majestade do Real, e vos oferecerei, eu, vosso sacerdote, sobre o altar da terra inteira, o trabalho e o sofrimento do mundo".
"O sol acaba de iluminar, ao longe, a franja extrema do primeiro oriente. Mais uma vez, sob a toalha móvel de seus fogos, a superfície viva da Terra desperta, freme, e recomeça seu espantoso trabalho. Colocarei sobre minha patena, meu Deus, a messe esperada desse novo esforço. Derramarei no meu cálice a seiva de todos os frutos que hoje serão esmagados".
"Meu cálice e minha patena, são as profundezas de uma alma largamente aberta a todas as forças que, em um instante, vão elevar-se de todos os pontos do Globo e convergir para o Espírito. - Que venham pois, a mim, a lembrança e a mística presença daqueles que a luz desperta para uma nova jornada!"
"Outrora, carregava-se para vosso Templo as primícias das colheitas e a flor dos rebanhos. A oferenda que esperais agora, aquela de que tendes misteriosamente necessidade cada dia, para aplacar vossa fome, para acalmar vossa sede, não é nada menos do que o crescimento do mundo impelido pelo devir universal".
"Recebei, Senhor, esta Hóstia total que a Criação, movida por vossa atração, vos apresenta à nova aurora. Este pão, nosso esforço, não é em si, eu o sei, mais que uma degradação imensa. Este vinho, nossa dor, não é ainda, ai de mim, mais que uma dissolvente poção. Mas, no fundo dessa massa informe, colocastes – disso estou certo, porque o sinto – um irresistível e santificante desejo que nos faz a todos gritar, desde o ímpio ao fiel: "Senhor, fazei-nos Um!"
"Porque, à falta do zelo espiritual e da sublime pureza de vossos santos, deste-me, meu Deus, uma simpatia irresistível por tudo quanto se move na matéria obscura, - porque irremediavelmente, reconheço em mim, bem mais que um filho do Céu, um filho da Terra, - subirei, esta manhã, em pensamento, às alturas, carregado das esperanças e das misérias de minha Terra-Mãe; e lá, por força de um sacerdócio que somente Vós, creio, me destes, - sobre tudo aquilo que, na Carne humana, se prepara para nascer ou perecer sob o sol que se levanta, eu chamarei o Fogo".
"Aconteceu. O fogo, mais uma vez, penetrou na Terra. Não caiu ruidosamente sobre os cimos como o raio em seu fragor. Força o Mestre as portas para entrar em sua casa? Sem abalo, sem trovão, a chama iluminou tudo por dentro. Desde o coração do menor átomo à energia das leis mais universais, ela tão naturalmente invadiu, individual e conjuntamente, cada elemento, cada mola, cada liame de nosso Cosmos que ele, poder-se-ia crer, inflamou-se espontaneamente".
"E agora, pronunciai sobre ele, por minha boca, a dupla e eficaz palavra, sem a qual tudo desmorona, tudo se desata, em nossa sabedoria e em nossa experiência, - mas com a qual tudo se reúne e tudo se consolida, a perder de vista, em nossas especulações e nossa prática do Universo. – Sobre toda a vida que vai germinar, crescer, florescer e amadurecer neste dia, repeti: "Isto é o meu Corpo". – E, sobre toda a morte pronta a corroer, fanar e segar, ordenai (o mistério de fé por excelência!): "Isto é o meu Sangue".
"Rico da seiva do Mundo, subo para o Espírito que me sorri para além de toda conquista, revestido do esplendor concreto do Universo. E, perdido no mistério da Carne divina, eu já não saberia dizer qual é a mais radiosa destas duas bem-aventuranças: ter encontrado o Verbo para dominar a Matéria, ou possuir a Matéria para atingir e receber a luz de Deus".
"Se o Fogo desceu ao coração do Mundo é, finalmente, para me tomar e para me absorver. A partir de então, não basta que eu o contemple e que por uma fé viva intensifique sem cessar seu ardor à minha volta. É preciso que, depois de haver cooperado, de todas as minhas forças, com a Consagração que o faz jorrar, eu consinta enfim na comunhão que lhe dará em minha pessoa o alimento que ele veio finalmente procurar".
"Cristo glorioso, influência secretamente difusa no seio da Matéria e Centro deslumbrante em que se ligam todas as fibras inúmeras do Múltiplo; Potência implacável como o Mundo e quente como a Vida; Vós que tendes a fronte de neve, os olhos de fogo, os pés mais irradiantes que o ouro em fusão; Vos cujas mãos aprisionam as estrelas, Vós que sois o primeiro e o último, o vivo, o morto e o ressuscitado: Vós que reunis em vossa unidade todos os encantos, todos os gostos, todas as forças, todos os estados: é por Vós que meu ser chamava com um desejo mais vasto do que o universo: Vós sois verdadeiramente meu Senhor e meu Deus!"
"Senhor, encerrai-me no mais profundo das entranhas de vosso Coração. E, quando aí me tiverdes, abrasai-me, purificai-me, inflamai-me, sublimai-me, até a satisfação perfeita de vossos gostos, até a mais completa aniquilação de mim mesmo."
"Toda minha alegria e meu êxito, toda a minha razão de ser e meu gosto de viver, meu Deus, estão suspensos a essa visão fundamental de vossa conjunção com o Universo. Que outros anunciem os esplendores de vosso puro Espírito! Para mim, dominado por uma vocação que penetra até ás últimas fibras de minha natureza, eu não quero, eu não posso dizer outra coisa que os inúmeros prolongamentos de vosso Ser encarnado através da matéria: jamais poderia pregar senão o mistério de vossa Carne, ó Alma que transpareceis em tudo o que nos rodeia!"

"Ao vosso Corpo em toda sua extensão, isto é, ao Mundo tornado por vosso poder e por minha fé o crisol magnífico e vivo em que tudo aparece para renascer, eu me entrego para dele viver e dele morrer, ó Jesus"

Trechos da Oração: A MISSA SOBRE O MUNDO, de TEILHARD DE CHARDIN.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

“Só o Ressuscitado é Senhor da vida e da morte!”


Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive?
Ele não está aqui! Ressuscitou!
(Lc 24, 5-6)


Caros amigos e amigas,

A Semana Santa se aproxima, este é um momento, para nós cristãos, muito significativo. É um tempo privilegiado para fazermos a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo: Crucificado, Morto e Ressuscitado!  Tal evento, histórico, nos faz lembrar que cremos no amor de Deus, deste modo ao nos tornarmos cristãos, ou seja,  ao recebermos o Sacramento do Batismo  realizamos “o encontro com um acontecimento, com uma pessoa que dá à vida um novo horizonte, isto é, o rumo decisivo”, Jesus Cristo! 

Sabemos que nestes três momentos da vida de Jesus de Nazaré: sua Crucifixão, Morte e Ressurreição, temos aquilo que constitui a fé cristã, mas de modo particular no evento da Ressurreição do Senhor. É nela que encontramos razão e fundamento para nossa fé no Cristo!

É neste sentido que o evangelista Lucas chama a nossa atenção: “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou!
Desta forma podemos afirmar que: “crer no Ressuscitado é crer que nem o sofrimento, nem a injustiça, nem o câncer, nem o infarto, nem a metralhadora, nem o pecado, nem a morte têm última palavra. Só o Ressuscitado é Senhor da vida e da morte”. Nunca nos esqueçamos disso: “Só o Ressuscitado é Senhor da vida e da morte!”

Diante de tal afirmação é que somos chamados a nos solidarizarmos com tantos irmãos e irmãs que são condenados e crucificados, assim como Jesus, a levarem uma vida de sofrimento, dor e exclusão por conta das injustiças. Pessoas que tiveram a sua dignidade roubada, da mesma forma como fizeram com o Senhor, por isso são condenadas a carregarem a cruz da pobreza e da  Miséria. Pessoas que quase não vivem, mas lhes resta uma coisa: a fé no Cristo Libertador! A fé de que só o Ressuscitado é Senhor da vida e da morte!”

Que nesta páscoa Jesus Cristo Libertador nos liberte da falta de fé, da vaidade, do pecado, da tentação de não fazer a opção pelos pobres e da tentação de não acreditar que e Ele é o Senhor da vida e da morte!
Um grande abraço a todos! Feliz e Santa Páscoa!!!


Antonio Alves

terça-feira, 8 de abril de 2014

Dia Mundial da Juventude na Arquidiocese de Campinas


A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é a grande oportunidade para aprimorarmos nossa opção preferencial pelos jovens que tem raízes na Conferência do CELAM, em Puebla; realçando valores e princípios ancorados no amor, na justiça e na solidariedade. Momento de profunda evangelização.  Elas são uma das grandes inspirações do saudoso Beato João Paulo II. A JMJ é a peregrinação de jovens de todas nações do mundo que se reúnem para celebrar e compreender melhor sobre a fé católica, como também, para construir pontes de amizade e esperança entre continentes, povos e culturas em torno de seu pastor para fazerem um encontro pessoal com Jesus Cristo.
No próximo Domingo de Ramos, dia 13 de abril de 2014, juntamente com a entrada triunfal, em Jerusalém, do Jovem Galileu, Nosso Senhor Jesus Cristo, celebraremos o Dia Mundial da Juventude (DMJ). Parece novidade, mas não é! Desde 1985 quando a ONU proclamou como Ano internacional da Juventude. O então Papa João Paulo II, hoje Beato, aproveitando a ocasião conclamou para o Domingo de Ramos um encontro com os jovens de sua diocese. Desta experiência surgiu a nossa conhecida JMJ. Desde então aconteceram outros encontros em Roma e por todo o mundo, movimentando milhares de jovens de vários países. Foi neste contexto que nasceram as Jornadas Diocesanas de Jovens (JDJ), em preparação para a Jornada Mundial da Juventude. Daí, também, surgiu o Dia Mundial da Juventude.
Por ocasião deste, o DMJ, todo papa escreve uma mensagem motivando os jovens a participarem da JDJ em suas dioceses e a se prepararem para a JMJ. Tal mensagem promove uma reflexão a respeito do tema da JMJ. Para este ano o Papa Francisco nos convida a refletirmos sobre as Bem-aventuranças que lemos no Evangelho de São Mateus (5, 1-12), de modo particular a primeira delas:  “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5, 3).
Neste sentido o papa Francisco em sua mensagem para o XXIX Dia Mundial da Juventude chama a nossa atenção para esta realidade que deve está intimamente ligada a nossa vida, já que “ao proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a segui-Lo, a percorrer com Ele o caminho do amor, o único que conduz à vida eterna. Não é uma estrada fácil, mas o Senhor assegura-nos a sua graça e nunca nos deixará sozinhos. Na nossa vida, há pobreza, aflições, humilhações, luta pela justiça, esforço da conversão quotidiana, combates para viver a vocação à santidade, perseguições e muitos outros desafios. Mas, se abrirmos a porta a Jesus, se deixarmos que Ele esteja dentro da nossa história, se partilharmos com Ele as alegrias e os sofrimentos, experimentaremos uma paz e uma alegria que só Deus, amor infinito, pode dar”, como nos lembra o pontífice. Diante deste apelo do papa Francisco nosso pastor, Dom Airton José dos Santos, convoca toda a juventude da nossa arquidiocese, representada por alguns jovens de nossas paróquias, para fazerem um encontro pessoal com Jesus Cristo na nossa primeira Jornada Arquidiocesana da Juventude, com o propósito de que se torne uma cultura de nossa Igreja Particular.
Nós Jovens somos convocados para uma Catequese com nosso pastor, lembrando sempre que uma das funções do ministério episcopal é o ensinamento da doutrina recebida dos apóstolos,  acolhamos com muita alegria e respondamos com bastante convicção a este chamado do Senhor através de nosso bispo.
Na Arquidiocese de Campinas-SP nossa JDJ inicia-se com a Bênção, Procissão e Missa de Ramos às 09h00, na Catedral Metropolitana. Após a missa nós jovens faremos uma caminhada com a cruz missionária até o Externato São João ( Dom Bosquinho), situado à rua José Paulino, nº 479, Centro de Campinas-SP. Onde teremos a nossa catequese com Dom Airton José dos Santos sobre o tema da mensagem do Papa Francisco.
Desde já manifesto a minha alegria em poder participar deste momento histórico para a vida da nossa Igreja de Campinas fazendo memória de tudo o que celebramos no ano da juventude:  com a Campanha da Fraternidade 2013 e a JMJ - Rio de Janeiro, na qual com muita alegria fomos enviados para sermos os discípulos de outros jovens: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Refletiremos, agora, sobre as Bem-aventuranças em preparação à próxima JMJ- Cracóvia 2016 e também para nossa vida, com o desejo de que sejamos configurados a Jesus Cristo, fazendo as mesmas opções dEle!
Na certeza de que é o Cristo que nos convida acolhamos com muita alegria ao chamado do Senhor, que foi jovem como nós, respondamos com toda convicção, entusiasmo e ousadia como o profeta: “Eis me aqui envia-me Senhor!” ( Is 6,8).


Antonio Alves

quinta-feira, 27 de março de 2014

CATEQUESE COM O PAPA FRANCISCO


CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 26 de março de 2014
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal e Liliane Borges

Queridos irmãos e irmãs,
Já tivemos oportunidade de referir que os três sacramentos, do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia, constituem juntos o mistério da “iniciação cristã”, um único grande evento de graça que nos regenera em Cristo. É esta a vocação fundamental que une todos na Igreja, como discípulos do Senhor Jesus. Há depois dois sacramentos que correspondem a duas vocações específicas: trata-se da Ordem e do Matrimônio. Esses constituem dois grandes caminhos através dos quais o cristão pode fazer da própria vida um dom de amor, a exemplo e em nome de Cristo, e assim cooperar à edificação da Igreja.
A Ordem, caracterizado nas três grades do episcopado, presbiterato e diaconato, é o Sacramento que habilita ao exercício do ministério, confiado pelo Senhor Jesus aos apóstolos, de apascentar o seu rebanho, no poder do seu Espírito e segundo o seu coração. Apascentar o rebanho de Jesus não com o poder da força humana ou com o próprio poder, mas aquela do Espírito e segundo o seu coração, o coração de Jesus que é um coração de amor. O sacerdote, o bispo, o diácono deve apascentar o rebanho do Senhor com amor. Se não o faz com amor não serve. E nesse sentido, os ministros que são escolhidos e consagrados para este serviço prolongam no tempo a presença de Jesus, se o fazem com o poder do Espírito Santo em nome de Deus e com amor.
1. Um primeiro aspecto. Aqueles que são ordenados são colocados como líderes da comunidade. São “a cabeça” sim, porém para Jesus isso significa colocar a própria autoridade a serviço, como Ele mesmo mostrou e ensinou a seus discípulos com estas palavras: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça o vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por uma multidão” (Mt 20,25-28 // Mc 10,42-45). Um bispo que não está a serviço da comunidade não faz bem; um sacerdote, um padre que não está a serviço da sua comunidade não faz bem, erra.
2. Uma outra característica que sempre deriva desta união sacramental com Cristo é o amor apaixonado pela Igreja. Pensemos no trecho da Carta aos Efésios, na qual São Paulo diz que Cristo “amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar, purificando-a com a  água, mediante a palavra, para a apresentar a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, ou qualquer outra coisa “(5:25-27). Por força da Ordem, o ministro dedica-se totalmente  à sua comunidade e a ama de todo o coração coração: é a sua família. O bispo, o padre amam a Igreja em sua própria comunidade, fortemente. Como? Assim como Cristo ama a Igreja. O mesmo dirá São Paulo do casamento: o marido ama sua esposa como Cristo ama a Igreja. É um grande mistério de amor: o ministério sacerdotal e o matrimônio, dois sacramentos, que são a maneira pela qual as pessoas costumam ir para o Senhor.
3. Um último aspecto. O apóstolo Paulo aconselha seu discípulo Timóteo a não descuidar, mais do que isso,  a reavivar sempre  o dom que há nele. O dom que lhe foi dado através da imposição das mãos (cf. 1 Tm 4, 14, 2 Tm 1,6). Quando  não se alimenta o ministério, o ministério do bispo, o ministério do sacerdote com a oração, com a escuta da Palavra de Deus, e com a celebração diária da Eucaristia e também com a presença do sacramento da Penitência, é inevitável perder de vista o o sentido autêntico do próprio serviço e a alegria que deriva de uma comunhão profunda com Jesus.
4. O bispo que não reza, o bispo que não escuta da Palavra de Deus, que não celebra todos os dias,  que não se confessa regularmente, e o mesmo para o padre que não faz estas coisas, com o tempo, perdem a sua união com Jesus e vivem uma mediocridade que não é boa para a Igreja. Por  isso, devemos ajudar os bispos e padres a rezarem, a ouvirem a Palavra de Deus que é o alimento diário,  a celebrarem a Eucaristia todos os dias e irem à confissão regularmente. Isto é tão importante porque diz respeito à santificação dos sacerdotes e bispos.

5. Gostaria de terminar com uma coisa que me vem à mente: mas como se deve fazer para se tornar um sacerdote, onde são vendidos os acessos ao sacerdócio? Não. Não se vendem. Esta é uma iniciativa do Senhor. O Senhor chama. Ele chama cada um daqueles que Ele quer que se torne sacerdote. Talvez existam alguns jovens aqui que sentiram este chamado em seu coração, o desejo de se tornar padre, o desejo de servir aos outros nas coisas de Deus, o desejo de estar por toda a  vida a serviço para catequizar, batizar, perdoar, celebrar a Eucaristia, cuidar dos doentes … e toda a vida dessa forma. Se algum de vocês já sentiu isso no coração,  é Jesus quem a colocou ai. Prestem atenção a este convite e rezem para que ele possa crescer e dê fruto em toda a Igreja.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Ubuntu


 "Sou quem sou, porque somos todos nós!”

Um antropólogo estava estudando os usos e costumes de uma tribo africana e, quando terminou seu trabalho, sugeriu uma brincadeira para as crianças: pôs um cesto muito bonito, cheio de doces embaixo de uma árvore e propôs às crianças uma corrida. Quem vencesse ganharia o bonito e delicioso presente. Quando ele disse “já”, todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção ao cesto. Dividiram tudo entre si muito felizes.
O antropólogo ficou surpreso com a atitude das crianças. Elas lhe explicaram: “Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” Ele, então, percebeu a essência daquele povo: não havia competição, mas sim colaboração. Ubuntu significa: “Sou quem sou, porque somos todos nós!”

quinta-feira, 20 de março de 2014

Quaresma tempo para o despojamento


A Quaresma é um tempo no qual a Igreja nos convida a fazermos uma reflexão a respeito da nossa relação com o Bom Deus, de cheio de Amor e Misericórdia. Ela nos convoca a uma conversão pessoal e pastoral em preparação às celebrações do Mistério Pascal, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, ponto central de nossa fé cristã!
O Papa Francisco nos lembra que "A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói”. Diante de tal afirmação, para este tempo são exigidas de nós três atitudes proféticas: a oração, o jejum e a caridade. 
Portanto, considerando verdadeiramente o que significa assumir essas posturas profética, faremos a experiência do que significa  compaixão pelos que mais sofrem. A primeira atitude é a atitude do discipulado, ou seja, o discípulo é aquele que na postura de ouvinte da Palavra tem um encontro pessoal com o seu Mestre. É aquele que se deixa orientar, colocando-se aos pés do Senhor. E sai deste encontro transformado e comprometido com o projeto misericordioso do Amor de Deus. A segunda atitude não se trata somente de privar-se de algo supérfluo, pois, como o Papa mesmo nos lembra, não seria válido um despojamento sem a dimensão penitencial. O jejum seria uma oportunidade de participarmos do sofrimento e das necessidades do outro, ou seja, “à imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança”. Compreender e se comprometer com tal postura é jejuar de verdade!  A terceira atitude é a da caridade. É importante lembrar que a caridade é a partilha do amor recebido de Jesus, o Filho Eterno de Deus Pai. "Ele sendo rico se fez pobre por nós". Neste ponto não estamos falando apenas da necessidade material que muitos de nossos irmãos e irmãs sofrem, mas sim a outros tipos de pobreza. Por isso é que podemos dize que: “A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a
maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória”. Assumir tal postura é vivenciar o sentido da Caridade!
A  Caridade nos levará a um comprometimento com a miséria de nossos irmãos e irmãs. Em sua mensagem para a Quaresma, o Papa Francisco nos aponta três realidades de Miséria: material, a moral e a espiritual. Ao se referir a miséria material, o Pontífice nos lembra que: “Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria”.
Sobre a miséria moral e espiritual, ele aponta que: “esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus. O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual”. Neste sentido somos alertados de que a verdadeira libertação nos provêm de Deus.

Portanto, configurando a nossa vida a de Jesus, apesar de nossa pobreza, poderemos enriquecer a tantos irmãos e irmãs que perderam a esperança ou que não tiveram a oportunidade de fazer um encontro pessoal com este Deus que é Misericordioso, Bondoso e Amoroso. Somente unidos a Jesus, poderemos abrir novas vias de evangelização e promoção humana. Que o Bom Jesus nos ajude a celebrarmos o Mistério Pascal onde se expressa para nós a lógica do amor,  a lógica da encarnação, a lógica da cruz, a lógica do serviço e por que não a lógica de Deus! 

Antonio Alves