Perdoar é coisa de amor e de muito
amor![1]
Comumente
associamos a condição humana ao pecado. Neste texto desafio a todos para
fazermos uma reflexão a partir de outro ponto de vista. Sendo assim apresento a
condição humana como lugar de perdão, isto é, lugar de muito amor, lugar de
Deus! Para melhor orientarmos nossa reflexão trabalharemos com a seguinte
definição: Natureza Humana: lugar de pecado, lugar de perdão.
Sabemos
que o pecado destrói moralmente o ser humano, ou seja, o pecador, também, esta
situação traz consigo inúmeros males para realidade humana: do próprio pecador e
do ofendido. Esses males devem ser enfrentados à luz da fé em Jesus Cristo. Portanto,
o cristão deve estar disposto a perdoar o pecador e a perdoar a realidade de
pecado, isto é, somos convocados a livrar o pecador de sua culpa e a livrar a
realidade da miséria introduzida pelo pecado. Isso só e possível através de uma
espiritualidade do perdão.
Não
é tarefa fácil, falar de perdão diante de uma realidade impregnada de pecado. Daí
a necessidade de se formar uma espiritualidade do perdão. Só desta forma é que
compreenderemos o que significa perdoar. Veremos que tal atitude, de perdão ao
pecador, é um poderoso gesto do espírito, um profundo gesto de amor! O perdão ao
pecador reproduz o gesto da benignidade divina e revela assim uma específica fé
em Deus. Fé no Deus da graça, mais terno que uma mãe, e fé no mistério de Deus,
que nos escandaliza com a sua lógica e com a sua misericórdia.
Sendo
assim, "perdoar é coisa de amor e de muito amor! O Perdão realça a
necessária eficácia do Amor e da Gratuidade, que recebemos de Deus. O Perdão é
o desarmamento que só o Amor provoca. Não se Perdoa por nenhum interesse pessoal
ou até mesmo grupal, mesmo que legítimo, mas simplesmente por Amor; não se apresenta
o Amor como argumento convincente, mas simplesmente se o
oferece”.
Esta
espiritualidade do perdão deve integrar esta tensão de amor e destruição do pecado. O que nos afasta do amor é justamente o medo. Diante dessa realidade é que: “Por amor dever-se estar disposto à acolhida do
pecador, perdoando-o; e dever-se estar disposto a coibir a ação de seus frutos
desumanizantes contra os outros e contra ele próprio. Esta espiritualidade não
é outra que a de Jesus, que ama a todos e a todos está disposto a perdoar!
Sabemos
que o perdão é a grande mensagem do projeto de Jesus de Nazaré. Na sua proposta
de vida, lembra-nos que devemos nos amar uns aos outros; “porque o amor é de
Deus; e qualquer um que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. Portanto, a ignorância
consiste na não abertura a este projeto de amor: “aquele que não ama não
conhece a Deus; porque Deus é amor”. O critério para vemos e para vivermos em Deus
é o amor ao próximo, isto é, o exercício do verbo amar: “se Deus assim nos
amou, também nós devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se nos
amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor”.
Diante
desta reflexão, sobre o alguns significados do verbo amar, é que compreendemos
que não há lugar melhor para o perdão que o coração do ser humano. Compreendendo
que somos imagem e semelhanças de Deus, fica evidente que a Natureza Humana não
é lugar somente para o pecado, mas também é lugar de perdão e , desta forma, é
lugar de Deus, que é amor!
Antonio Alves
[1]
Este texto é fruto de uma reflexão pessoal, vivido em um momento de tristeza.
Também é baseado no texto de Jon Sobrino: “ América Latina: lugar de pecado,
lugar de perdão”.