Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal e Liliane Borges
Tradução: Jéssica Marçal e Liliane Borges
Queridos irmãos e irmãs,
A Ordem,
caracterizado nas três grades do episcopado, presbiterato e diaconato, é o
Sacramento que habilita ao exercício do ministério, confiado pelo Senhor Jesus
aos apóstolos, de apascentar o seu rebanho, no poder do seu Espírito e segundo
o seu coração. Apascentar o rebanho de Jesus não com o poder da força humana ou
com o próprio poder, mas aquela do Espírito e segundo o seu coração, o coração
de Jesus que é um coração de amor. O sacerdote, o bispo, o diácono deve
apascentar o rebanho do Senhor com amor. Se não o faz com amor não serve. E
nesse sentido, os ministros que são escolhidos e consagrados para este serviço
prolongam no tempo a presença de Jesus, se o fazem com o poder do Espírito
Santo em nome de Deus e com amor.
1. Um
primeiro aspecto. Aqueles que são ordenados são colocados como líderes da
comunidade. São “a cabeça” sim, porém para Jesus isso significa colocar a
própria autoridade a serviço, como Ele mesmo mostrou e ensinou a seus
discípulos com estas palavras: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e
que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele
que quiser tornar-se grande entre vós, se faça o vosso servo. E o que quiser
tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do
homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate
por uma multidão” (Mt 20,25-28 // Mc 10,42-45). Um bispo que não está a serviço
da comunidade não faz bem; um sacerdote, um padre que não está a serviço da sua
comunidade não faz bem, erra.
2. Uma
outra característica que sempre deriva desta união sacramental com Cristo é o
amor apaixonado pela Igreja. Pensemos no trecho da Carta aos Efésios, na qual
São Paulo diz que Cristo “amou a Igreja e se entregou por ela para a
santificar, purificando-a com a água, mediante a palavra, para a
apresentar a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, ou qualquer
outra coisa “(5:25-27). Por força da Ordem, o ministro dedica-se
totalmente à sua comunidade e a ama de todo o coração coração: é a sua
família. O bispo, o padre amam a Igreja em sua própria comunidade, fortemente.
Como? Assim como Cristo ama a Igreja. O mesmo dirá São Paulo do casamento: o
marido ama sua esposa como Cristo ama a Igreja. É um grande mistério de amor: o
ministério sacerdotal e o matrimônio, dois sacramentos, que são a maneira pela
qual as pessoas costumam ir para o Senhor.
3. Um
último aspecto. O apóstolo Paulo aconselha seu discípulo Timóteo a não
descuidar, mais do que isso, a reavivar sempre o dom que há nele. O
dom que lhe foi dado através da imposição das mãos (cf. 1 Tm 4, 14, 2 Tm 1,6).
Quando não se alimenta o ministério, o ministério do bispo, o ministério
do sacerdote com a oração, com a escuta da Palavra de Deus, e com a celebração
diária da Eucaristia e também com a presença do sacramento da Penitência, é
inevitável perder de vista o o sentido autêntico do próprio serviço e a alegria
que deriva de uma comunhão profunda com Jesus.
4. O
bispo que não reza, o bispo que não escuta da Palavra de Deus, que não celebra
todos os dias, que não se confessa regularmente, e o mesmo para o padre
que não faz estas coisas, com o tempo, perdem a sua união com Jesus e vivem uma
mediocridade que não é boa para a Igreja. Por isso, devemos ajudar os
bispos e padres a rezarem, a ouvirem a Palavra de Deus que é o alimento
diário, a celebrarem a Eucaristia todos os dias e irem à confissão
regularmente. Isto é tão importante porque diz respeito à santificação dos
sacerdotes e bispos.
5.
Gostaria de terminar com uma coisa que me vem à mente: mas como se deve fazer
para se tornar um sacerdote, onde são vendidos os acessos ao sacerdócio? Não.
Não se vendem. Esta é uma iniciativa do Senhor. O Senhor chama. Ele chama cada
um daqueles que Ele quer que se torne sacerdote. Talvez existam alguns jovens
aqui que sentiram este chamado em seu coração, o desejo de se tornar padre, o
desejo de servir aos outros nas coisas de Deus, o desejo de estar por toda
a vida a serviço para catequizar, batizar, perdoar, celebrar a
Eucaristia, cuidar dos doentes … e toda a vida dessa forma. Se algum de vocês
já sentiu isso no coração, é Jesus quem a colocou ai. Prestem atenção a
este convite e rezem para que ele possa crescer e dê fruto em toda a Igreja.
