sexta-feira, 19 de abril de 2013

O Bom Pastor!



O Ressuscitado é o Bom Pastor

A festa da Páscoa, sob cuja luz ainda vivemos, prolonga seus ecos para dentro deste domingo, conhecido como o domingo do Bom Pastor, figura na qual se apresenta o Ressuscitado.
Para compreender a riqueza do pequeno texto do evangelho de hoje, temos que situá-lo no contexto do capítulo 10 de João.
O evangelista apresenta Jesus passeando pelo templo (23), na festa de sua consagração, quando é abordado pelas autoridades dos judeus, querendo saber se ele é verdadeiramente o Messias.
Para responder a essa pergunta, o evangelista volta a usar a alegoria do Bom Pastor com a qual tinha iniciado o capítulo.
Esta vez o que ressalta é a estreita relação entre o Pastor e as ovelhas, entre Jesus e seus discípulos e discípulas: "Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem".
O que está na origem é a palavra de Jesus, quem a acolhe, quem experimenta seu amor incondicional, se converte em seu amigo, amiga, seu seguidor/a.
Essa experiência de comunhão que os discípulos vivem com Jesus, desencadeia no seguimento dele, e é nesse seguimento que cresce a amizade e a intimidade com seu Mestre.
Como nós podemos viver essa relação com Jesus de Nazaré? O homem de carne e osso, com quem fisicamente se podia falar e a quem se podia escutar, a quem se podia ver e tocar, com quem se podia comer, já não existe; morreu há mais de dois mil anos!
No entanto, é possível viver uma relação real hoje, porque assim como é verdade que Jesus morreu, também é certo que ressuscitou. Está vivo!
O bom Pastor é o Ressuscitado: "O Deus da Paz, que ressuscitou a Jesus nosso Senhor, que é o pastor supremo das ovelhas..." (Hb 13, 20) continua fazendo ouvir sua voz, conhecendo por amor a cada um/a, através da ação do Espírito.
Como os primeiros amigos e amigas, cada cristão/ã de hoje e de todos os tempos pode viver uma relação direta, de intercâmbio pessoal, de conhecimento vivo de amor e amizade com Jesus (cfr.Jo 14, 13-15) .
O teólogo espanhol Queiruga expressa claramente esta igualdade de condição com os primeiros cristãos: "Como eles estamos privados da presença física de Jesus, morto na história, como eles, encontramo-nos situados na presença transcendente, mas real, do Ressuscitado... Como Cristo glorioso identificado com o Pai, o Nazareno tem agora um novo modo de existência; contudo, continua sendo o mesmo: com idêntico amor e idêntica ternura, com o mesmo cuidado e entrega".
Não vemos nem escutamos Cristo, mas na fé, sabemos que mais do que nunca está conosco! Iluminados pela sua ressurreição, somos convidados/as a viver como viveu Jesus antes de sua morte, sentindo-O como companhia viva, com quem convivemos e quem nos impulsiona a seguir seus passos no mundo de hoje.
Por isso, o seguimento de Jesus não é imitação, senão um estilo de vida que está interiormente impregnado dos sentimentos, pensamentos, atitudes de Jesus.
Essa é a obra do Espírito, que continua cobrindo com sua sombra a história para que homens e mulheres de todos os tempos façam presente, na sua fragilidade, o Emanuel, Deus conosco!
Essa é a vida eterna, que o Bom Pastor promete dar a seus amigos/as. É participar, já nesta terra, da comunhão com Ele e com seu Pai, porque aqueles que acolhem sua palavra serão morada do Pai, do Filho e do Espírito!
E essa vida de comunhão é mais forte que qualquer sofrimento, poder, e até da própria morte, como canta o apóstolo em sua carta aos romanos: "quem nos poderá separar do Amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada?" (Rom 8,35).
Cientes desta certeza, os seguidores de Jesus sabiam também, que assumir a causa do Mestre como própria, colocaria em risco sua vida, (Jo 15,18).
E assim, ao longo da história, surgiram diferentes "lobos" para roubar, matar, destruir, e foram milhões as ovelhas que se converteram em pastores porque deram livremente sua vida em fidelidade ao Pai e ao seu projeto, alcançando, assim, para sempre a vida eterna, da qual tinham recebido as primícias nesta terra!
Por isso, não deixa de chamar a atenção que uma das primeiras pinturas cristãs, de que se tem notícia, e que se encontra numa catacumba romana, representa Jesus como o Pastor que carrega sobre seus ombros a ovelha sã e salva. A imagem expressa uma segurança e é garantia de uma alegria que nada, nem as perseguições, nem as maiores calamidades podem afetar.
Cada um/a de nós somos convidados/as a viver esta experiência de comunhão de Jesus com o Pai, a vida eterna. Desse modo, elevemos nosso olhar para Jesus Bom Pastor e deixemos que ele nos carregue sobre seus ombros. Só assim teremos forças para oferecer nossos ombros, nossa vida aos nossos irmãos e irmãs. Só assim seremos pastores como Jesus.

Oração: Rezemos com renovada e terna confiança o salmo do Bom Pastor


Fonte: Patriarcat Latin de Jerusalém (www.lpj.org)
Salmo 23
O Senhor é o meu pastor. Nada me falta.
Em verdes pastagens me faz repousar;
para fontes tranqüilas me conduz,
e restaura minhas forças.

Ele me guia por bons caminhos,
por causa do seu nome.
Embora eu caminhe por um vale tenebroso,
nenhum mal temerei, pois junto a mim estás;
teu bastão e teu cajado me deixam tranqüilo.
Diante de mim preparas a mesa,
à frente dos meus opressores;
unges minha cabeça com óleo,
e minha taça transborda.
Sim, felicidade e amor me acompanham
todos os dias da minha vida.
Minha morada é a casa do Senhor,
por dias sem fim.

Referências

KONINGS, Johan. Espírito e Mensagem da liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia, 1981.
QUEIRUGA, Andrés Torres Queiruga. Repensar a Ressurreição. São Paulo: Paulinas, 2004.
GIANI, María Cristina. Narrar a ressurreição na post-modernidade. Un estudo do pensamento de Andrés Queiruga. Cardernos de Teología Pública. IHU, ano VI, nº 45, 2009. Disponível em http://bit.ly/14o9mJx. Acesso em: 19 de março 2013.

http://www.ihu.unisinos.br/espiritualidade/comentario-evangelho/500042-quarto-domingo-da-pascoa-evangelho-de-joao-10-27-30

Dia d@ índi@, nosso dia!



É fato, que a cada dia que passa vamos deixando cair no esquecimento, de nossa memória, datas que foram significativas para nossos antepassado. Mesmo que, num primeiro momento, as versões sejam contadas a partir do lado dos vencedores elas são significativas. A realidade aponta que já não nos esforçamos muito para lembrar nem as datas de aniversários de parentes e amig@s, pois temos o facebook e alguns aplicativos que nos mandam lembretes por e-mail ou sms. Se isto está acontecendo com datas tão especiais, a celebração da vida de uma pessoa, por que não aconteceria com datas que marcam as lutas e conquistas de tantos povos e gentes?
Aponto, esta problemática, pois quase que aconteceria, comigo hoje, de chegar ao ponto de passar o dia 19 de abril sem recordar o dia do índio, depois de tantos anos, na infância, onde eu chegava da escola com a cara pintada. Hoje, já adulto, com uma compreensão maior, mesmo que não total, do que significa celebrar uma data, escrevo como forma de solidariedade com os povos indígenas de “natureza e identidade”, do qual todos nós fazemos parte, de certo modo, por conta da miscigenação presente na essência de tod@ brasileir@. Sendo assim, justifico aqui o título desta humilde reflexão: “Dia do índio, nosso dia!”
Recordo, ainda, a tod@s que celebrar uma data significa, de certo modo, aderir as lutas e bandeiras que justificam esta data significativa para aquela gente ou aquele povo. Sendo assim, não poderíamos passar este dia 19 de abril de 2013 sem lembrar das lutas, que ainda hoje, enfrentam nossos irmãos indígenas, de modo particular, lembro dos povos: Kaiová e Guarani, que estiveram na pauta de discursões em meses passados. É evidente que não podemos nos esquecer de tantas outras tribos, do Brasil e de países vizinhos, que sofrem descaso tanto da parte do Estado, como de grande parte da Sociedade, e desta forma não tem os seus direitos respeitados.
Para finalizar, esta simples reflexão sobre o dia do índi@, justifico meu texto dizendo que ao escrever estas linhas tenho um grande desejo de me solidarizar com as lutas dos povos indígenas, que também é minha gente, lembro, ainda, que a minha bisavó era índia de um dos grupos indígenas presentes em minha região, na Bahia: Pataxó, Pataxó-hã-hã-hãe, Quiriri e o extinto Camacã. Portanto, acredito que para celebrarmos o dia do índi@, com coerência, é necessário deixarmos reviver @ índi@ que há em cada um de nós, isto não significa que devemos viver como @s índi@s, pois não passaria de um teatro ou uma repetição de nossa atitude na infância, a cara pintada e a pena na mão. Mas, que não sejamos indiferentes com as suas lutas para que assim, realmente, tod@s sejam comtemplados com a promessa da Boa Nova de Jesus Cristo: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo 10, 10).