sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Perdoar é coisa de amor e de muito amor!!!

Perdoar é coisa de amor e de muito amor![1]

Comumente associamos a condição humana ao pecado. Neste texto desafio a todos para fazermos uma reflexão a partir de outro ponto de vista. Sendo assim apresento a condição humana como lugar de perdão, isto é, lugar de muito amor, lugar de Deus! Para melhor orientarmos nossa reflexão trabalharemos com a seguinte definição: Natureza Humana: lugar de pecado, lugar de perdão.

Sabemos que o pecado destrói moralmente o ser humano, ou seja, o pecador, também, esta situação traz consigo inúmeros males para realidade humana: do próprio pecador e do ofendido. Esses males devem ser enfrentados à luz da fé em Jesus Cristo. Portanto, o cristão deve estar disposto a perdoar o pecador e a perdoar a realidade de pecado, isto é, somos convocados a livrar o pecador de sua culpa e a livrar a realidade da miséria introduzida pelo pecado. Isso só e possível através de uma espiritualidade do perdão.

Não é tarefa fácil, falar de perdão diante de uma realidade impregnada de pecado. Daí a necessidade de se formar uma espiritualidade do perdão. Só desta forma é que compreenderemos o que significa perdoar. Veremos que tal atitude, de perdão ao pecador, é um poderoso gesto do espírito, um profundo gesto de amor! O perdão ao pecador reproduz o gesto da benignidade divina e revela assim uma específica fé em Deus. Fé no Deus da graça, mais terno que uma mãe, e fé no mistério de Deus, que nos escandaliza com a sua lógica e com a sua misericórdia.

Sendo assim, "perdoar é coisa de amor e de muito amor! O Perdão realça a necessária eficácia do Amor e da Gratuidade, que recebemos de Deus. O Perdão é o desarmamento que só o Amor provoca. Não se Perdoa por nenhum interesse pessoal ou até mesmo grupal, mesmo que legítimo, mas simplesmente por Amor; não se apresenta o Amor como argumento convincente, mas simplesmente se o oferece”.

Esta espiritualidade do perdão deve integrar esta tensão de amor e destruição do pecado. O que nos afasta do amor é justamente o medo. Diante dessa realidade é que: “Por amor dever-se estar disposto à acolhida do pecador, perdoando-o; e dever-se estar disposto a coibir a ação de seus frutos desumanizantes contra os outros e contra ele próprio. Esta espiritualidade não é outra que a de Jesus, que ama a todos e a todos está disposto a perdoar!

Sabemos que o perdão é a grande mensagem do projeto de Jesus de Nazaré. Na sua proposta de vida, lembra-nos que devemos nos amar uns aos outros; “porque o amor é de Deus; e qualquer um que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. Portanto, a ignorância consiste na não abertura a este projeto de amor: “aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”. O critério para vemos e para vivermos em Deus é o amor ao próximo, isto é, o exercício do verbo amar: “se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor”.

Diante desta reflexão, sobre o alguns significados do verbo amar, é que compreendemos que não há lugar melhor para o perdão que o coração do ser humano. Compreendendo que somos imagem e semelhanças de Deus, fica evidente que a Natureza Humana não é lugar somente para o pecado, mas também é lugar de perdão e , desta forma, é lugar de Deus, que é amor!

Antonio Alves






[1] Este texto é fruto de uma reflexão pessoal, vivido em um momento de tristeza. Também é baseado no texto de Jon Sobrino: “ América Latina: lugar de pecado, lugar de perdão”.

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