sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Paradoxo da Paixão, um Mal que faz Bem!


O Paradoxo da Paixão, um Mal que faz Bem!
“Jesus chamou seus discípulos, e disse: Tenho compaixão dessa multidão” ( Mt 15, 32)
O presente escrito tem como objetivo apresentar algumas reflexões a respeito do paradoxo da Paixão, um mal que também faz bem. Contudo, são apenas frutos de interrogações que estou vivenciando nestes dias. O que me levou a escrever este texto, foi uma frase que fala da paixão que devemos ter por Cristo, que se manifesta no próximo. Para iluminar nossa reflexão apresento a citação: “O seguimento é fruto de uma fascinação que responde ao desejo de realização humana, ao desejo de vida plena. O discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como o mestre que o conduz e acompanha”. Tal afirmação nos leva a levantar muitas interrogações, a respeito do paradoxo do conceito de paixão, que tentaremos apresentar e responder no desenvolvimento de nossa reflexão.
O conceito de Paixão a partir da sua definição pode nos apresentar um paradoxo, onde é visto como negativo, a priori, mas que depois poderá se tornar um sentimento positivo se se concretizar em amor. São muitas as interrogações levantadas a respeito do termo em questão. Na tentativa de encontrar respostas, para tais questões, começaremos pela definição do conceito. Contudo, nos focaremos em pontos centrais, pois acreditamos que eles nos fornecerão uma boa compreensão do que se caracteriza este paradoxo.  Vale lembrar, ainda, que não esgotaremos o assunto, e nem é nosso objetivo uma vez que são apenas frutos de interrogações pessoais.
O que é a paixão e porque ela nos deixa como que cegos? Podemos entender, o conceito de paixão, de vários modos, um dos quais é a alteração ou perturbação do ânimo. Aristóteles afirmava já que "o ser positivo" não é um modo simples de ser, pois algumas vezes significa uma corrupção por um contrário e, outras vezes, a preservação de algo que está em potência. Neste sentido, o significado que acabou predominando foi o da paixão como a modificação da alma.
Ela é uma emoção de alargamento quase patológica do amor.  É vista como doença, já que a pessoa apaixonada perde sua individualidade em função do fascínio que o outro exerce sobre a mesma. Isto significa que é um sentimento doloroso e doentio, porque o indivíduo perde a sua identidade e o seu poder de raciocínio.
Muitas são as pesquisas referentes a este assunto. Elas apontam  que a Paixão, apesar de ser intensa e maravilhosa, é um sentimento passageiro.  Nossos Adolescentes estão mais vulneráveis a se apaixonarem, devido a pouca experiência de vida e o pouco  conhecimento do mundo. No entanto, isso não significa que pessoas adultas não se apaixonam, é evidente que os adultos, por ter maior conhecimento de mundo, por ter vivenciado maiores experiências, não estarão tão sujeitos passar por tal desequilíbrio de sentimento.
Mas, que sentimento é este que muda o jeito das pessoas? O psicoterapeuta Leonardo Fraiman afirma que na pessoa apaixonada encontramos algumas características especificas: "a pele e os olhos brilham, os lábios ficam maiores, num evidente esforço do organismo para se atrair e conquistar o outro".  Acredito que todos nós conhecemos os efeitos que uma paixão pode causar.
Ele afirma, ainda, que ocorre mudanças  visíveis  no indivíduo apaixonado. A pessoa apresenta alguns sintomas, tais como:  ansiedade, perda de sono ou fome e fica muito melancólica. Tal sentimento é tão poderoso que provoca mudanças até mesmo no corpo do apaixonado, ou seja, ela traz mudanças físicas significativas no corpo da mulher e do homem.  
Há a possibilidade de evitar este Mal, que também é Bem? Como lidar com este paradoxo da Paixão? Este é o grande desafio de todos, já que não podemos  negar que os apaixonados são pessoas mais de bem com a vida, ou como afirmaria  Leonardo Fraiman: "Ficamos com mais vitalidade, otimismo, esperança na vida, além de ativar a capacidade mental".
Justificando ainda, este paradoxo, temos a opinião do filósofo Hegel. Ele afirma que a razão se serve das paixões para a realização dos fins essenciais do espírito. "Se chamarmos paixão, diz ele, ao interesse no qual a individualidade toda se entrega, esquecendo todos os demais interesses múltiplos que tenha e possa ter, e se fixa no objeto com todas as forças da sua vontade, concentrando neste fim todos os outros apetites e energias, temos de dizer que nada de grande se realizou no mundo sem paixão"
O que fazer para não se apaixonar?  Nada! A grande sacada é equilibrar todos estes sentimentos, pois chegará um momento em que a  paixão sairá de cena e só dará lugar a um amor verdadeiro. Contudo, isso só é possível se os apaixonados tiverem o mínimo de afinidades, como valores, hábitos e interesses comuns.
Porque, então, as pessoas se apaixonam e não apenas amam? Para muitas pessoas a paixão é sinônimo de amor. Mas, um sentimento é bem diferente do outro, embora tenham coisas parecidas, Paixão não é o mesmo que o amor. Este último é um sentimento duradouro e verdadeiro, que nunca se acaba. Já a paixão é passageira, neste caso a atração acaba dominando a razão.
Portanto, Amor é diferente de Paixão? Sim! O Amor é cumplicidade, confiança, fidelidade e ternura. É um sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição. É algo duradouro e neste caso a razão e a emoção estão equilibradas. Nele não há espaço para a dúvida, pois só amamos quem conhecemos. 
E para finalizar esta minha reflexão, apresento um modelo de paixão que realmente faz esta ponte entre o sentimento passageiro, para o duradouro, isto é, da paixão para o amor. Este modelo é a fundamentado na pessoa do Cristo, um verdadeiro apaixonado pela humanidade. Portanto, diante deste paradoxo não podemos cair no individualismo buscando o nosso próprio bem estar, devemos apontar uma nova perspectiva para o conceito de paixão. Tal tentativa é um grande risco, mas vale a pena, pois, “A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria”. Diante de tal afirmação tenho o grande desejo de me tornar um homem apaixonado, por Deus e pelo próximo. Mas a paixão entendida como modificação da alma, na busca do Bem Comum. Aquela que é capaz de se transformar em Amor "àgape". Este, portanto, deve ser o resultado do paradoxo: Paixão, um Mal que faz Bem, ou seja, é o mesmo sentimento que Jesus sentiu pela multidão faminta: “Tenho compaixão dessa multidão”.
Diante disso, fica aberta a reflexão para novas contribuições, uma vez que se trata de um tema complexo, mas ao mesmo tempo maravilhoso de se pesquisar. Isto justifica o título do artigo: O Paradoxo da Paixão, um Mal que faz Bem!
Antonio Alves


terça-feira, 24 de abril de 2012

Silêncio e Palavra: Caminho de Evangelização


Artigo sobre a: Mensagem do Papa para o 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais 2012.
A mensagem do Sumo Pontífice Bento XVI, para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, tem como tema a seguinte problemática: “Silêncio e Palavra: Caminho de Evangelização”.
Neste documento o santo padre a importância e a necessidade da relação entre os elementos constituintes da comunicação: O Silêncio e a Palavra. Para ele ambos são momentos que se devem equilibrar para que aconteça uma verdadeira comunicação social.
Mesmo parecendo contraditório Bento XVI afirma que o silêncio é parte integrante da comunicação. É nele que as alegrias, os sofrimentos, as preocupações encontram expressão. Diante de tal afirmação ele ainda nos diz na sua mensagem: “Do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório”.
O pontífice ainda salienta a grande dinâmica da comunicação, na atualidade, que se baseia na procura de respostas imediatas paras as questões do presente. Lembrar-nos ainda, que a Rede vem se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e respostas, contudo, é justamente o silêncio que vai favorecer o discernimento e a identificação das interrogações verdadeiras, que se ferem a existência humana.
Diante de tal realidade a comunicação deve propor uma nova alternativa. Para o papa essa opção se encontra na solidão e no silêncio. Ele afirma que:a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas”.
Para Bento XVI a experiência do silêncio nos ajuda a mergulhar na fonte do Amor de Deus que, por conseguinte, nos leva ao encontro do próximo e de sua realidade. Daí a importância de compreendê-lo como elemento constitutivo da comunicação social.
Para finalizar, o Sumo Pontífice, recorda que os agentes da comunicação devem ter bem claro para si que “educar-se em comunicação é aprender a escutar, a contemplar, para além do falar”, isto é, silenciar. Deste modo compreenderemos que tanto a Palavra, como o Silêncio são elementos essenciais da ação comunicativa da Igreja, ou seja, ambos constituem os caminhos da evangelização.
Por fim, concluímos que o Para Bento XVI foi muito feliz e iluminado na escolha do tema: “Silêncio e Palavra: Caminhos da Evangelização”, para sua mensagem para o 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais diante da realidade em que nos encontramos. Atualmente é fato que as pessoas apresentam certo medo do silêncio, que podemos identificar como sinônimo de realidade existencial, ou seja, elas não silenciam por medo do confronto com a realidade, já que ele tem a capacidade de favorecer este encontro.

Antonio Alves

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Escutatório


Escutatório

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.
Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.
Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino...“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto... 
(O amor que acende a lua, pág. 65.)

Rubem Alves

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Compreendendo as diferenças, para poder sobreviver!


Compreendendo as diferenças, para poder sobreviver!

“Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai” (João 15, 15).

A necessidade de se ter amizade é algo que vem desde antiguidade. O filósofo grego, Aristóteles (384 - 322 a. C ), disse que todos nós desejamos ter amigos, ou seja, ninguém escolheria viver solitário, ou ainda, ninguém viveria sem ter amigos e amigas. Não podemos viver sozinhos! Sendo assim, embora as pessoas tenham as suas dificuldades e os seus defeitos, necessitamos que elas existam para nos completar e para que possamos existir.
Ninguém é feito só de defeitos, mas, também, não existe ninguém perfeito, só Deus é perfeito! As pessoas são ricas em qualidades, mas temos a grande tendência de não valorizamos as qualidades do outro, que na verdade, se completam com as nossas qualidades.
Procurar compreender o diferente se faz uma necessidade, quando nos deparamos que não somos autossuficientes, sempre precisaremos da ajudar de alguém. Mas, muitas vezes devemos passar por situações de dores e sofrimentos para tomar consciência desta realidade.
Para ilustrar o que desejo expressar, apresento a uma fábula que traduz de forma mais simples e objetiva o tema central desta reflexão. Ela nos diz o seguinte: “durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.  Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados. Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram” ( Fábula do Porco Espinho).
Esta fábula nos ensina que o melhor relacionamento não é aquele que une as pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades, ou seja, necessitamos compreender as diferenças, para poder sobreviver! Diante disso, que todos nós possamos aprender com os erros e acertos dos outros e os nossos e descobri a maravilha da convivência e da paciência, pois afinal ter "um amigo, uma amiga fiel, mesmo com defeitos, é uma poderosa proteção; quem os encontrou, descobriu um tesouro. Nada se pode comparar a um amigo, uma amiga fiel, e nada se iguala ao seu valor".
Amigos e Amigas, perdão pelos meus erros e defeitos, mas podem contar sempre com meu carinho, amizade e orações.
Um grande abraço fiquem com Deus

Antonio Alves

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Quem tem um amigo, uma amiga tem um tesouro!!!


Quem tem um amigo, uma amiga tem um tesouro!!!

Escrevo apresentando um assunto que gosto muito de tratar, a Amizade. Escolhi fazer a minha monografia em Aristóteles por que ele fala muito desta temática, embora meu tema tenha sido a Felicidade. Ele em sua obra, “Ética a Nicômaco”, principalmente nos livros VIII e IX,  trata sobre os vários tipos de amizades.
O filósofo afirma que todos nós desejamos ter amigos, ou seja, ninguém escolheria viver sem amigos ou ainda ninguém viveria sem ter amigos. Ele afirma o seguinte: "A amizade [philias] é uma virtude ou implica nesta. É necessária à vida. Por natureza, louva-se os amigos de seus semelhantes. A mais genuína forma de justiça é um tipo de amizade. Homens bons são amigos" ( Ética a Nicômaco1155a). Diante desta problemática, da necessidade da amizade, ele nos apresenta três espécies de amizades: a amizade segundo o prazer,  a amizade segundo a utilidade e por fim a amizade segundo a virtude, ou a amizade perfeita, que é a amizade verdadeira, aquela a qual deve ser buscada por aquele que é sábio, sábia.
Ao ler o livro do  Eclesiástico (6, 5-17) notei que os três tipos de amizades, descritos por Aristóteles, podem ser comparados com os tipos de amigos apresentados pelo autor deste livro bíblico, sem contar que o conselho que o livro nos deixa é o mesmo deixado pelo filósofo em sua obra, Ética a Nicômaco, especificamente no livro VIII.
No Sagrado Livro, a Bíblia, encontramos o seguinte conselho: "Palavras amáveis multiplicam os amigos, a linguagem afável atrai muitas respostas agradáveis. Procura estar de bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil. Se queres ter um amigo, põe-no primeiro à prova, não confies nele muito depressa. Com efeito, há amigos de ocasião, que não são fiéis no dia da tribulação. Há amigo que se torna inimigo, que desvendará as tuas fraquezas, para tua vergonha. Há amigo que só o é para a mesa, e que deixará de o ser no dia da desgraça; na tua prosperidade mostra-se igual a ti, dirigindo-se com à vontade aos teus servos; mas, se te colhe o infortúnio, volta-se contra ti, e oculta-se da tua presença. Afasta-te daqueles que são teus inimigos, e está alerta com os teus amigos. Um amigo fiel é uma poderosa proteção; quem o encontrou, descobriu um tesouro. Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor. Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor acharão tal amigo. O que teme o Senhor terá também boas amizades, porque o seu amigo será semelhante a ele"( Eclo 6, 5-17).
Na Livro VIII, da obra do filósofo, encontramos a seguinte mensagem: "Exsitem amigos que se amam pela utilidade, amam para eles mesmos; os que amam pelo prazer, pelo que é agradável. Essas são amizades acidentais. O útil não é permanente, quando desaparece a utilidade, esse tipo de amizade também se dissolve. Mas, A amizade perfeita é a dos homens que são bons e afins na virtude. O amor e a amizade são encontrados em sua melhor forma nos homens bons. O desejo da amizade pode surgir depressa, mas a amizade não".
Por fim, a frase que marca a minha vida, neste momento, é a que se encontra nos dois textos e que usei como título desta pequena mensagem: "Um amigo fiel é uma poderosa proteção; quem o encontrou, descobriu um tesouro. Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor".
Graças a Deus todos nós temos um amigo fiel por excelência, Jesus Cristo, nele podemos depositar toda nossa confiança e esperança, tendo sempre a certeza de sua fidelidade e amor. Mas, existem pessoas que procuram imitar este certo Galileu, Jesus de Nazaré, e o faz de maneira bem parecida.
Aos meus amigos e amigas, meu muito obrigado pela amizade e o carinho de vocês. Que o BOM DEUS! O Deus Amigo, Companheiro e Fiel abençoe sempre a tod@s e, também, a nossa amizade, para que seja verdadeira e eterna, pois, "para uma história não ter fim precisa ser verdadeira, pois o que é verdadeiro dura para sempre!".
Um grande abraço e fiquem com Deus meus amigos e amigas, pessoas especiais!

Antonio Alves

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ressuscitou! Ressuscitou verdadeiramente!


Ressuscitou! Ressuscitou verdadeiramente!

Mensagem Urbi Et Orbi do Santo Padre 

Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro!
«Surrexit Christus, spes mea – Ressuscitou Cristo, minha esperança» (Sequência Pascal).
A todos vós chegue a voz jubilosa da Igreja, com as palavras que um antigo hino coloca nos lábios de Maria Madalena, a primeira que encontrou Jesus ressuscitado na manhã de Páscoa. Ela correu ao encontro dos outros discípulos e, emocionada, anunciou-lhes: «Vi o Senhor!» (Jo 20, 18). Hoje também nós, depois de termos atravessado o deserto da Quaresma e os dias dolorosos da Paixão, damos largas ao brado de vitória: «Ressuscitou! Ressuscitou verdadeiramente!»
Todo o cristão revive a experiência de Maria de Magdala. É um encontro que muda a vida: o encontro como um Homem único, que nos faz sentir toda a bondade e a verdade de Deus, que nos liberta do mal, não de modo superficial e passageiro mas liberta-nos radicalmente, cura-nos completamente e restitui-nos a nossa dignidade. Eis o motivo por que Madalena chama Jesus «minha esperança»: porque foi Ele que a fez renascer, que lhe deu um futuro novo, uma vida boa, liberta do mal. «Cristo minha esperança» significa que todo o meu desejo de bem encontra n’Ele uma possibilidade de realização: com Ele, posso esperar que a minha vida se torne boa e seja plena, eterna, porque é o próprio Deus que Se aproximou até ao ponto de entrar na nossa humanidade.
Entretanto Maria de Magdala, tal como os outros discípulos, teve de ver Jesus rejeitado pelos chefes do povo, preso, flagelado, condenado à morte e crucificado. Deve ter sido insuportável ver a Bondade em pessoa sujeita à maldade humana, a Verdade escarnecida pela mentira, a Misericórdia injuriada pela vingança. Com a morte de Jesus, parecia falir a esperança de quantos confiavam n’Ele. Mas esta fé nunca desfalece de todo: sobretudo no coração da Virgem Maria, a mãe de Jesus, a pequena chama continuou acesa e viva mesmo na escuridão da noite. A esperança, neste mundo, não pode deixar de contar com a dureza do mal. Não é apenas o muro da morte a criar-lhe dificuldade, mas também e mais ainda as aguilhoadas da inveja e do orgulho, da mentira e da violência. Jesus passou através desta trama mortal, para nos abrir a passagem para o Reino da vida. Houve um momento em que Jesus aparecia derrotado: as trevas invadiram a terra, o silêncio de Deus era total, a esperança parecia reduzida a uma palavra vã.
Mas eis que, ao alvorecer do dia depois do sábado, encontram vazio o sepulcro. Depois Jesus manifesta-Se a Madalena, às outras mulheres, aos discípulos. A fé renasce mais viva e mais forte do que nunca, e já invencível porque fundada sobre uma experiência decisiva: «Morte e vida combateram, / mas o Príncipe da vida / reina vivo após a morte». Os sinais da ressurreição atestam a vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio, da misericórdia sobre a vingança: «Vi o túmulo de Cristo, / redivivo e glorioso; / vi os Anjos que o atestam, / e a mortalha com as vestes».
Amados irmãos e irmãs! Se Jesus ressuscitou, então – e só então – aconteceu algo de verdadeiramente novo, que muda a condição do homem e do mundo. Então Ele, Jesus, é alguém de quem nos podemos absolutamente fiar, confiando não apenas na sua mensagem mas n’Elemesmo, porque o Ressuscitado não pertence ao passado, mas está presente e vivo hoje. Cristo é esperança e conforto de modo particular para as comunidades cristãs que mais são provadas com discriminações e perseguições por causa da fé. E, através da sua Igreja, está presente como força de esperança em cada situação humana de sofrimento e de injustiça.
Cristo Ressuscitado dê esperança ao Médio Oriente, para que todas as componentes étnicas, culturais e religiosas daquele Região colaborem para o bem comum e o respeito dos direitos humanos. De forma particular cesse, na Síria, o derramamento de sangue e adopte-se, sem demora, o caminho do respeito, do diálogo e da reconciliação, como é vivo desejo também da comunidade internacional. Os numerosos prófugos, originários de lá e necessitados de assistência humanitária, possam encontrar o acolhimento e a solidariedade que mitiguem as suas penosas tribulações. Que a vitória pascal encoraje o povo iraquiano a não poupar esforços para avançar no caminho da estabilidade e do progresso. Na Terra Santa, israelitas e palestinos retomem, com coragem, o processo de paz.
Vitorioso sobre o mal e sobre a morte, o Senhor sustente as comunidades cristãs do Continente Africano, conceda-lhes esperança para enfrentarem as dificuldades e torne-as obreiras de paz e artífices do progresso das sociedades a que pertencem.
Jesus Ressuscitado conforte as populações atribuladas do Corno de África e favoreça a sua reconciliação; ajude a Região dos Grandes Lagos, o Sudão e o Sudão do Sul, concedendo aos respectivos habitantes a força do perdão. Ao Mali, que atravessa um delicado momento político, Cristo Glorioso conceda paz e estabilidade. À Nigéria, que, nestes últimos tempos, foi palco de sangrentos ataques terroristas, a alegria pascal infunda as energias necessárias para retomar a construção duma sociedade pacífica e respeitadora da liberdade religiosa de todos os seus cidadãos.
Boa Páscoa para todos!

Papa Bento XVI


"Ressuscitou: não está aqui!"

"Ressuscitou: não está aqui!" (Mc 18, 6).

Queridos amigos e amigas,

Durante quarenta dias, nos preparamos para viver e Celebrar a Páscoa do Senhor, festa de tamanha importancia que a celebramos durante oito dias, como se fosse um só, isto é, o mesmo dia.

Celebramos a ressurreição do Senhor como uma como uma verdadeira novidade, capaz de mudar as nossas vidas. Os textos que escutamos durante o tríduo pascal mostram-nos um Jesus que fez tudo por amo. Porque nos ama sem limites, ele sofreu, mas venceu a tudo, "Ressuscitou: não está aqui!". E ainda disseram os apóstolos: "Disso nós somos testemunhas". Com efeito, como diz São Paulo, se Cristo não tivesse Ressuscitado, vã seria a nossa pregação, não teria sentido acreditarmos nEle.

Queridos amig@s, desejo a todos uma Santa e Feliz Páscoa! Que realmente o Cristo possa Ressuscitar em nossa vida, nos trazendo vida nova e felicidade. Um grande abraço e fiquem sempre com Deus!

VIVA JESUS CRISTO RESSUSCITOU!!!