O Paradoxo da Paixão, um Mal que faz Bem!
“Jesus chamou seus discípulos, e disse: Tenho compaixão dessa multidão”
( Mt 15, 32)
O presente escrito tem como
objetivo apresentar algumas reflexões a respeito do paradoxo da Paixão, um mal
que também faz bem. Contudo, são apenas frutos de interrogações que estou vivenciando
nestes dias. O que me levou a escrever este texto, foi uma frase que fala da
paixão que devemos ter por Cristo, que se manifesta no próximo. Para iluminar
nossa reflexão apresento a citação: “O
seguimento é fruto de uma fascinação que responde ao desejo de realização
humana, ao desejo de vida plena. O discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a
quem reconhece como o mestre que o conduz e acompanha”. Tal afirmação nos
leva a levantar muitas interrogações, a respeito do paradoxo do conceito de paixão,
que tentaremos apresentar e responder no desenvolvimento de nossa reflexão.
O conceito de Paixão a partir da
sua definição pode nos apresentar um paradoxo, onde é visto como negativo, a
priori, mas que depois poderá se tornar um sentimento positivo se se
concretizar em amor. São muitas as interrogações levantadas a respeito do termo
em questão. Na tentativa de encontrar respostas, para tais questões,
começaremos pela definição do conceito. Contudo, nos focaremos em pontos centrais,
pois acreditamos que eles nos fornecerão uma boa compreensão do que se
caracteriza este paradoxo. Vale lembrar,
ainda, que não esgotaremos o assunto, e nem é nosso objetivo uma vez que são
apenas frutos de interrogações pessoais.
O que é a paixão e porque ela
nos deixa como que cegos? Podemos entender, o conceito de paixão, de vários
modos, um dos quais é a alteração ou perturbação do ânimo. Aristóteles afirmava
já que "o ser positivo" não é um modo simples de ser, pois algumas vezes
significa uma corrupção por um contrário e, outras vezes, a preservação de algo
que está em potência. Neste sentido, o significado que acabou predominando foi
o da paixão como a modificação da alma.
Ela é uma emoção de alargamento
quase patológica do amor. É vista como
doença, já que a pessoa apaixonada perde sua individualidade em função do
fascínio que o outro exerce sobre a mesma. Isto significa que é um sentimento
doloroso e doentio, porque o indivíduo perde a sua identidade e o seu poder de
raciocínio.
Muitas são as pesquisas referentes
a este assunto. Elas apontam que a Paixão,
apesar de ser intensa e maravilhosa, é um sentimento passageiro. Nossos Adolescentes estão mais vulneráveis a
se apaixonarem, devido a pouca experiência de vida e o pouco conhecimento do mundo. No entanto, isso não
significa que pessoas adultas não se apaixonam, é evidente que os adultos, por
ter maior conhecimento de mundo, por ter vivenciado maiores experiências, não
estarão tão sujeitos passar por tal desequilíbrio de sentimento.
Mas, que sentimento é este que
muda o jeito das pessoas? O psicoterapeuta Leonardo Fraiman afirma que na
pessoa apaixonada encontramos algumas características especificas: "a pele
e os olhos brilham, os lábios ficam maiores, num evidente esforço do organismo
para se atrair e conquistar o outro". Acredito que todos nós conhecemos os efeitos
que uma paixão pode causar.
Ele afirma, ainda, que ocorre
mudanças visíveis no indivíduo apaixonado. A pessoa apresenta
alguns sintomas, tais como: ansiedade,
perda de sono ou fome e fica muito melancólica. Tal sentimento é tão poderoso
que provoca mudanças até mesmo no corpo do apaixonado, ou seja, ela traz
mudanças físicas significativas no corpo da mulher e do homem.
Há a possibilidade de evitar este
Mal, que também é Bem? Como lidar com este paradoxo da Paixão? Este é o grande
desafio de todos, já que não podemos negar que os apaixonados são pessoas mais de
bem com a vida, ou como afirmaria Leonardo
Fraiman: "Ficamos com mais vitalidade, otimismo, esperança na vida, além
de ativar a capacidade mental".
Justificando ainda, este paradoxo,
temos a opinião do filósofo Hegel. Ele afirma que a razão se serve das paixões
para a realização dos fins essenciais do espírito. "Se chamarmos paixão,
diz ele, ao interesse no qual a individualidade toda se entrega, esquecendo
todos os demais interesses múltiplos que tenha e possa ter, e se fixa no objeto
com todas as forças da sua vontade, concentrando neste fim todos os outros
apetites e energias, temos de dizer que nada de grande se realizou no mundo sem
paixão"
O que fazer para não se
apaixonar? Nada! A grande sacada é equilibrar
todos estes sentimentos, pois chegará um momento em que a paixão sairá de cena e só dará lugar a um amor
verdadeiro. Contudo, isso só é possível se os apaixonados tiverem o mínimo de
afinidades, como valores, hábitos e interesses comuns.
Porque, então, as pessoas se
apaixonam e não apenas amam? Para muitas pessoas a paixão é sinônimo de amor.
Mas, um sentimento é bem diferente do outro, embora tenham coisas parecidas,
Paixão não é o mesmo que o amor. Este último é um sentimento duradouro e verdadeiro,
que nunca se acaba. Já a paixão é passageira, neste caso a atração acaba dominando
a razão.
Portanto, Amor é diferente de
Paixão? Sim! O Amor é cumplicidade, confiança, fidelidade e ternura. É um sentimento
que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente
afeição. É algo duradouro e neste caso a razão e a emoção estão equilibradas.
Nele não há espaço para a dúvida, pois só amamos quem conhecemos.
E para finalizar esta minha
reflexão, apresento um modelo de paixão que realmente faz esta ponte entre o
sentimento passageiro, para o duradouro, isto é, da paixão para o amor. Este
modelo é a fundamentado na pessoa do Cristo, um verdadeiro apaixonado pela
humanidade. Portanto, diante deste paradoxo não podemos cair no individualismo
buscando o nosso próprio bem estar, devemos apontar uma nova perspectiva para o
conceito de paixão. Tal tentativa é um grande risco, mas vale a pena, pois, “A alegria do discípulo não é um sentimento
de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e
capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer a Jesus é o melhor
presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que
ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa
alegria”. Diante de tal afirmação tenho o grande desejo de me tornar um
homem apaixonado, por Deus e pelo próximo. Mas a paixão entendida como modificação da alma, na busca do
Bem Comum. Aquela que é capaz de se transformar em Amor "àgape". Este, portanto, deve ser o resultado
do paradoxo: Paixão, um Mal que faz Bem, ou seja, é o mesmo sentimento que
Jesus sentiu pela multidão faminta: “Tenho compaixão dessa multidão”.
Diante disso, fica aberta a reflexão para novas contribuições, uma vez que se trata de um tema complexo, mas ao mesmo tempo maravilhoso de se pesquisar. Isto justifica o título do artigo: O Paradoxo da Paixão, um Mal que faz Bem!
Diante disso, fica aberta a reflexão para novas contribuições, uma vez que se trata de um tema complexo, mas ao mesmo tempo maravilhoso de se pesquisar. Isto justifica o título do artigo: O Paradoxo da Paixão, um Mal que faz Bem!
Antonio Alves