sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Paradoxo da Paixão, um Mal que faz Bem!


O Paradoxo da Paixão, um Mal que faz Bem!
“Jesus chamou seus discípulos, e disse: Tenho compaixão dessa multidão” ( Mt 15, 32)
O presente escrito tem como objetivo apresentar algumas reflexões a respeito do paradoxo da Paixão, um mal que também faz bem. Contudo, são apenas frutos de interrogações que estou vivenciando nestes dias. O que me levou a escrever este texto, foi uma frase que fala da paixão que devemos ter por Cristo, que se manifesta no próximo. Para iluminar nossa reflexão apresento a citação: “O seguimento é fruto de uma fascinação que responde ao desejo de realização humana, ao desejo de vida plena. O discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como o mestre que o conduz e acompanha”. Tal afirmação nos leva a levantar muitas interrogações, a respeito do paradoxo do conceito de paixão, que tentaremos apresentar e responder no desenvolvimento de nossa reflexão.
O conceito de Paixão a partir da sua definição pode nos apresentar um paradoxo, onde é visto como negativo, a priori, mas que depois poderá se tornar um sentimento positivo se se concretizar em amor. São muitas as interrogações levantadas a respeito do termo em questão. Na tentativa de encontrar respostas, para tais questões, começaremos pela definição do conceito. Contudo, nos focaremos em pontos centrais, pois acreditamos que eles nos fornecerão uma boa compreensão do que se caracteriza este paradoxo.  Vale lembrar, ainda, que não esgotaremos o assunto, e nem é nosso objetivo uma vez que são apenas frutos de interrogações pessoais.
O que é a paixão e porque ela nos deixa como que cegos? Podemos entender, o conceito de paixão, de vários modos, um dos quais é a alteração ou perturbação do ânimo. Aristóteles afirmava já que "o ser positivo" não é um modo simples de ser, pois algumas vezes significa uma corrupção por um contrário e, outras vezes, a preservação de algo que está em potência. Neste sentido, o significado que acabou predominando foi o da paixão como a modificação da alma.
Ela é uma emoção de alargamento quase patológica do amor.  É vista como doença, já que a pessoa apaixonada perde sua individualidade em função do fascínio que o outro exerce sobre a mesma. Isto significa que é um sentimento doloroso e doentio, porque o indivíduo perde a sua identidade e o seu poder de raciocínio.
Muitas são as pesquisas referentes a este assunto. Elas apontam  que a Paixão, apesar de ser intensa e maravilhosa, é um sentimento passageiro.  Nossos Adolescentes estão mais vulneráveis a se apaixonarem, devido a pouca experiência de vida e o pouco  conhecimento do mundo. No entanto, isso não significa que pessoas adultas não se apaixonam, é evidente que os adultos, por ter maior conhecimento de mundo, por ter vivenciado maiores experiências, não estarão tão sujeitos passar por tal desequilíbrio de sentimento.
Mas, que sentimento é este que muda o jeito das pessoas? O psicoterapeuta Leonardo Fraiman afirma que na pessoa apaixonada encontramos algumas características especificas: "a pele e os olhos brilham, os lábios ficam maiores, num evidente esforço do organismo para se atrair e conquistar o outro".  Acredito que todos nós conhecemos os efeitos que uma paixão pode causar.
Ele afirma, ainda, que ocorre mudanças  visíveis  no indivíduo apaixonado. A pessoa apresenta alguns sintomas, tais como:  ansiedade, perda de sono ou fome e fica muito melancólica. Tal sentimento é tão poderoso que provoca mudanças até mesmo no corpo do apaixonado, ou seja, ela traz mudanças físicas significativas no corpo da mulher e do homem.  
Há a possibilidade de evitar este Mal, que também é Bem? Como lidar com este paradoxo da Paixão? Este é o grande desafio de todos, já que não podemos  negar que os apaixonados são pessoas mais de bem com a vida, ou como afirmaria  Leonardo Fraiman: "Ficamos com mais vitalidade, otimismo, esperança na vida, além de ativar a capacidade mental".
Justificando ainda, este paradoxo, temos a opinião do filósofo Hegel. Ele afirma que a razão se serve das paixões para a realização dos fins essenciais do espírito. "Se chamarmos paixão, diz ele, ao interesse no qual a individualidade toda se entrega, esquecendo todos os demais interesses múltiplos que tenha e possa ter, e se fixa no objeto com todas as forças da sua vontade, concentrando neste fim todos os outros apetites e energias, temos de dizer que nada de grande se realizou no mundo sem paixão"
O que fazer para não se apaixonar?  Nada! A grande sacada é equilibrar todos estes sentimentos, pois chegará um momento em que a  paixão sairá de cena e só dará lugar a um amor verdadeiro. Contudo, isso só é possível se os apaixonados tiverem o mínimo de afinidades, como valores, hábitos e interesses comuns.
Porque, então, as pessoas se apaixonam e não apenas amam? Para muitas pessoas a paixão é sinônimo de amor. Mas, um sentimento é bem diferente do outro, embora tenham coisas parecidas, Paixão não é o mesmo que o amor. Este último é um sentimento duradouro e verdadeiro, que nunca se acaba. Já a paixão é passageira, neste caso a atração acaba dominando a razão.
Portanto, Amor é diferente de Paixão? Sim! O Amor é cumplicidade, confiança, fidelidade e ternura. É um sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição. É algo duradouro e neste caso a razão e a emoção estão equilibradas. Nele não há espaço para a dúvida, pois só amamos quem conhecemos. 
E para finalizar esta minha reflexão, apresento um modelo de paixão que realmente faz esta ponte entre o sentimento passageiro, para o duradouro, isto é, da paixão para o amor. Este modelo é a fundamentado na pessoa do Cristo, um verdadeiro apaixonado pela humanidade. Portanto, diante deste paradoxo não podemos cair no individualismo buscando o nosso próprio bem estar, devemos apontar uma nova perspectiva para o conceito de paixão. Tal tentativa é um grande risco, mas vale a pena, pois, “A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria”. Diante de tal afirmação tenho o grande desejo de me tornar um homem apaixonado, por Deus e pelo próximo. Mas a paixão entendida como modificação da alma, na busca do Bem Comum. Aquela que é capaz de se transformar em Amor "àgape". Este, portanto, deve ser o resultado do paradoxo: Paixão, um Mal que faz Bem, ou seja, é o mesmo sentimento que Jesus sentiu pela multidão faminta: “Tenho compaixão dessa multidão”.
Diante disso, fica aberta a reflexão para novas contribuições, uma vez que se trata de um tema complexo, mas ao mesmo tempo maravilhoso de se pesquisar. Isto justifica o título do artigo: O Paradoxo da Paixão, um Mal que faz Bem!
Antonio Alves


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