sexta-feira, 3 de junho de 2011

Caminhando e Conversando com Jesus

"Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?"

Lucas 24, 13-32
“Nesse mesmo dia, dois discípulos iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam a respeito de tudo o que tinha acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: O que é que vocês andam conversando pelo caminho? Eles pararam, com o rosto triste. Um deles, chamado Cléofas, disse: Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que aí aconteceu nesses últimos dias? Jesus perguntou: O que foi? Os discípulos responderam: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em ação e palavras, diante de Deus e de todo o povo. Nossos chefes dos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele o libertador de Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que tudo isso aconteceu! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo, e não encontraram o corpo de Jesus. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos, e estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo, e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas ninguém viu Jesus. Então Jesus disse a eles: Como vocês custam para entender, e como demoram para acreditar em tudo o que os profetas falaram! Será que o Messias não devia sofrer tudo isso, para entrar na sua glória? Então, começando por Moisés e continuando por todos os Profetas, Jesus explicava para os discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando. Então Jesus entrou para ficar com eles. Sentou-se à mesa com os dois, tomou o pão e abençoou, depois o partiu e deu a eles. Nisso os olhos dos discípulos se abriram, e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras? Na mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém, onde encontraram os Onze, reunidos com os outros. E estes confirmaram: Realmente, o Senhor ressuscitou, e apareceu a Simão! Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão”.

A Palavra de Deus ajuda a entender os fatos de nossa vida e aquece o  nosso coração de discípulo. As Sagradas Escrituras indicam o caminho ao qual devemos seguir, o mesmo de Jesus. Os discípulos de Emaús reconhecem o Mestre e expressam seu entusiasmo dizendo: Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?"
O coração aquecido pelo Senhor lhes incentivou para o dinamismo, para a missão. É com ardor renovado pela presença e proximidade com  Jesus Ressuscitado que os olhos deles se abrem, o coração se aquece. Agora o novo ardor alastrar-se. Sai do coração e chega  à mente, à consciência e move os pés dos que saem para anunciar a Boa Nova, da mesma forma deve acontecer coma gente. Eles compreendem e interpretam o caminho percorrido, ou seja, olham com os olhos do Ressuscitado para a sua vida cristã. Essa tomada de consciência, interpretando o próprio itinerário, é fundamental no processo catequético.
Os discípulos, ao reconhecerem Jesus, retomam o caminho para Jerusalém. Há um novo olhar, uma nova motivação, uma luz no horizonte. Durante o afastamento, distanciamento da comunidade, caminharam para Emaús à luz do dia, mas havia escuridão por dentro, com a gente acontece a mesma coisa, ou seja, quantas vezes não notamos a presença de Jesus em nossa vida, não enxergamos a nossa realidade e nem as necessidades   de nossos irmãos; depois que o Mestre se revelou, atravessaram a escuridão da noite, sem medo de tropeçar, porque o coração pulsava de alegria, cheio de luz. 
Que também nós, a exemplo dos Discípulos de Emaús, possamos fazer esta experiência de reencantamento na fé, que nos anime e que envolva as pessoas com as quais convivemos, nossos familiares, amigos, catequizandos, companheiros catequistas e tantos que passam por nossa vida. Esta experiência é parecida com a lembrança do primeiro amor, que a gente nunca esquece.
O chamado à missão decorrente do nosso Batismo implica uma resposta livre, um ato de confiança em Deus. Neste sentido, a ação evangelizadora, catequética e pastoral da Igreja ajuda os batizados a descobrirem a beleza do seguimento de Jesus Cristo como uma proposta de vida coerente com o Evangelho. O comprometimento com Jesus Cristo entusiasma outras pessoas a pertencem a este grupo de pessoas que vivem seu batismo de forma coerente, isto é, que imitam Jesus através  da vivência dos sacramentos, do testemunho de vida, do acolhimento, da solidariedade e da compaixão.
Nos Evangelhos, é Jesus quem escolhe e convida os discípulos para ficar com Ele. Ficar com o Senhor é essencial para o discipulado e a missão, nesta fato ocorre ao contrário, são os discípulos quem pedem a Jesus para ficar com eles, e o Mestre atende o pedido dos dois, isso alimenta a nossa esperança e certeza de que Cristo sempre escuta a nossa prece. 
O caminho do discipulado é sustentado por uma mística e uma espiritualidade do seguimento de Jesus Cristo no encontro com o irmão, especialmente os mais pobres, no compromisso com a comunidade, a participação na catequese, na missa, nas celebrações encontros e momentos de oração. Também no empenho em favor da justiça, da solidariedade e da fraternidade.
A espiritualidade é o que dá sentido à missão e a nossa vida, por isso ela precisa ser alimentada este alimento pode ser: a leitura orante da Bíblia, a oração pessoal e comunitária e a vida sacramental e etc. O catequista que não reza não tem como fazer discípulo, pois falta algo, há um vazio entre o discurso e a prática. A espiritualidade ajuda a valorizar a dignidade da pessoa humana, a formar a comunidade e a construir uma sociedade fraterna e justa. Ela se faz presente em todas as situações humanas bem como: na cozinha da nossa casa, no ônibus indo para a Escola-Universidade-Trabalho,isto é, no estudo, no trabalho, na luta pela transformação da sociedade, na conversa ao telefone, na alegria diante da Criança brincando, na solidariedade ao doente, na valorização da natureza (A criação geme em dores de parto Rm 8, 22), na ação pastoral ( 7º PPO da nossa Arquidiocese de Campinas: Acolher, Renovar e Servir), na organização da comunidade e em todos os lugares.
O encontro de Jesus com os discípulos se deu num clima de diálogo e comunhão fraterna, parecido com os nossos encontros de catequese, com o nosso convívio. Explicar as escritura e partir o pão os fizeram retomar o caminho de volta para Jerusalém com nova disposição de vida. Com o coração aquecido, eles se põem a caminho ao encontro dos outros discípulos para contar a alegria do encontro com o Mestre, assumir a missão de formar comunidades e anunciar a boa nova de Jesus Cristo. Os discípulos voltam à comunidade com um novo olhar. Refazem o caminho, agora com um espírito novo, com melhor compreensão da Missão.
Nós também podemos fazer o mesmo. Podemos fazer a mesma experiência do encontro com Jesus Cristo, todos os dias podemos dedicar um pouquinho do nosso tempo, dois minutos por dia, um meu e um de Jesus.
Para dialogar com o Mestre, basta a gente querer. Se eu for procurar justificativas para que isso não aconteça encontrarei, pois existem muitas desculpas, mas se me esforçar consigo me organizar e ter um meu momento de encontro com o Senhor, momento de fazer o caminho com Ele, falando e escutando, mesmo que ele já saiba o que eu vou falar, como nos disse ao nos ensinar a oração do Pai Nosso ( Mt 6, 7-14).
Por fim, lembremos que o encontro com Jesus não se dá por meio de uma sublime Teofania ( manifestação de Deus), mas na palavra que o desconhecido dirige aos discípulos. Recordando a Escritura é que Jesus nos conduz à compreensão de tudo o que aconteceu ( o comentário do caminho), do misterioso desígnio de salvação de Deus, em que a cruz não é uma maldição, e sim o caminho necessário para a salvação. Os dois discípulos só reconheceram Jesus no partir do pão. A partir disso notamos que também a nossa relação com o Ressuscitado não se dá no ver e no tocar, mas no ouvir a Palavra de Deus e no seguir seus passos, ou seja, participando da vida da comunidade. Que o Deus de Bondade nos ajude a andar nos caminhos de seu Filho e sempre escutar o que Ele diz ou como nos diria Pe. Zezinho: “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver com Jesus viveu. sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria e ao chegar o fim do dia eu sei que eu dormiria muito mais feliz”. Por isso Senhor Jesus Cristo Ressuscitado, vem caminhar conosco! pois, como os discípulos de Emaús somos todos peregrinos em direção ao de Deus, onde se vive o amor, a bondade, a compaixão e a fraternidade sem limites.

Bibliografia

Bíblia Sagrada- Edição Pastoral. Paulus.
Missal da Assembleia Cristã - Cotidiano. Paulus.
Texto Base do Ano Catequético Nacional 2009

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