O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi a única celebração do gênero estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto Inter Mirifica, em 1963. Este decreto determinou que cada diocese, anualmente, celebrasse “um dia dedicado a ensinar aos fiéis seus deveres no que diz respeito aos meios de comunicação”(nº18). Durante este dia, os fiéis são sempre convidados a rezar pelo apostolado das comunicações sociais na Igreja.
Desde
1967 o Papa Paulo VI tomou a iniciativa de fazer uma reflexão sobre a
Comunicação. Por ocasião do Dia Mundial
das Comunicações Sociais o Papa publica uma mensagem sobre o tema escolhido
para aquele ano. A mensagem é publicada na festa litúrgica de São Francisco de
Sales, padroeiro dos jornalistas, no dia 24 de janeiro. Já o Dia Mundial das
Comunicações Sociais é celebrado no dia da Ascensão do Senhor.
Comunicação
e Misericórdia: um encontro fecundo é tema da mensagem do Papa Francisco para o
50º Dia Mundial das Comunicações Sociais.
Em
sua mensagem, o Papa Francisco recorda que o “Ano Santo da Misericórdia
convida-nos a refletir sobre a relação que existe entre a comunicação e a
misericórdia.
Nela
o Papa lembra a todos que “o amor por sua natureza é comunicação: leva a abrir-se,
não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela
caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de
Deus”.
O Papa aponta, ainda, que “a comunicação tem o
poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a
sociedade. Pois as palavras podem construir pontes entre as pessoas, as
famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico
como no digital”.
No
contexto do Ano Jubilar, o Papa nos faz um convite: “queria convidar todas as
pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar
as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas
comunidades”.
Diante
do convite feito o Papa Francisco expressa o que espera de nós comunicadores:
“Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de
pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um
inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera
perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades
da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja
o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente
os pecadores dos justos”.
Na mensagem o Papa nos encoraja para a
comunicação: “Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não
como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como
uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar
uns aos outros”.
Recorda que para isso é fundamental escutar.
“Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento.
Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação;
escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A
escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de
espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de
compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer
presunção de onipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e
dons ao serviço do bem comum”.
Recordou,
ainda, o Santo Padre, a importância do uso correto das redes sociais para a
promoção do bem comum: “também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser
formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a
comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de
fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de
favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a
uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente
digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir,
realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral”.
Na
carta Francisco nos deixa um alerta: “Em rede, também se constrói uma
verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade
pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser
respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade
sadia e aberta à partilha”.
Por fim o Papa Francisco apresenta a sua
definição de Comunicação como proximidade: “A comunicação, os seus lugares e os
seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas.
Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir
este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e
a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida,
conforta, cura, acompanha e faz festa”.
Com a sua reflexão, para o Dia Mundial das
Comunicações Sociais, o Papa espera que o “Ano Jubilar, vivido na misericórdia,
nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e
compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse
todas as formas de violência e discriminação”.
Caros,
comunicadores, vejam que celebrar o Dia Mundial das Comunicações não é
simplesmente comemorar algo especial, mas, é antes de tudo uma grande
oportunidade para testemunhar o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por
este motivo, este dia deve ser bem preparado e esperado por todos nós. Celebrar de bem este dia é fazer com que a
nossa comunicação seja uma verdadeira ponte, ou seja, proximidade. Pois como nos recorda o Papa Francisco: “O
encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar
uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa”.
Que
o Bom Deus nos ajude em nossa missão de comunicar seu Filho Jesus Cristo, com o
coração e com a vida, e que a nossa comunicação seja verdadeiramente portadora
da força divina. Grande abraço a todos!
Diác.
Antonio Alves, Coordenador da PASCOM, na Arquidiocese de Campinas-SP.

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