A Quaresma é um tempo no qual a Igreja nos convida a fazermos uma reflexão a respeito da nossa relação com o Bom Deus, de cheio de Amor e Misericórdia.
Este
tempo litúrgico, é uma grande convocação para uma conversão Pessoal, Pastoral e
Social, em preparação às celebrações do Mistério Pascal, Sofrimento, Morte e
Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, aspecto central para nossa Fé Cristã!
Para
melhor refletirmos sobre esta convocação da Igreja vejamos o que o Papa Francisco
nos diz: "A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á
bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e
enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira
pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial.
Desconfio da esmola que não custa nem dói”. Diante de tal afirmação, para melhor
vivenciarmos este tempo são exigidas de nós três atitudes proféticas: a Oração,
o Jejum e a Caridade. Neste sentido, considerando verdadeiramente o que
significa assumir essas posturas profética, faremos a experiência do que
significa compaixão pelos que mais
sofrem.
A
primeira atitude é a atitude do discipulado, ou seja, o discípulo é aquele que
na postura de ouvinte da Palavra tem um encontro pessoal com o seu Mestre. É
aquele que se deixa orientar, colocando-se aos pés do Senhor. E sai deste
encontro transformado e comprometido com o Projeto Misericordioso do Amor de
Deus.
A
segunda atitude não se trata somente de privar-se de algo supérfluo, pois, como
o Papa mesmo nos lembra, não seria válido um despojamento sem a dimensão
penitencial. O jejum, neste caso, seria uma oportunidade de participarmos do
sofrimento e das necessidades do outro, ou seja, “à imitação do nosso Mestre,
nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a
ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não
coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade,
sem esperança”. Compreender e se comprometer com tal postura é jejuar de
verdade!
A
terceira atitude é a da Caridade expressão máxima do que
significar o Amor! É importante lembrar que a caridade é a partilha do Amor
recebido de Jesus, o Filho Eterno de Deus Pai. "Ele sendo rico se fez
pobre por nós". Neste ponto não estamos falando apenas da necessidade
material, que muitos de nossos irmãos e irmãs sofrem, mas sim de outros tipos
de pobreza. Por isso é que podemos dize que: “A pobreza de Cristo, que nos
enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos
pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é
a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se
a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória”.
Assumir tal postura é Vivenciar o Sentido Pleno da Caridade!
A
Caridade, nos levará a um
comprometimento com a miséria de nossos irmãos e irmãs. Portanto, configurando
a nossa vida a de Jesus, apesar de nossa pobreza, poderemos enriquecer a tantos
irmãos e irmãs que perderam a Esperança ou que não tiveram a oportunidade de
fazer um encontro pessoal com este Deus que é Misericordioso, Bondoso e
Amoroso.
Somente
unidos a Jesus, poderemos abrir novas vias de evangelização e promoção humana.
Que o Bom Jesus nos ajude a celebrarmos o Mistério Pascal, onde se expressa
para nós a Lógica do Amor Fraterno, a
Lógica da Encarnação de Deus, a Lógica da Cruz, a Lógica do Serviço Solidário,
e ,por que, não a Lógica de Deus!
Antonio
Alves, Filósofo, Teólogo e Seminarista da Arquidiocese de Campinas-SP.

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