quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

“E o verbo se fez carne e veio morar no meio de nós”


Estimados amigos e amigas, estamos no Advento, tempo de preparação e apelo à vinda do Nosso Salvador, Jesus Cristo! 

Para se preparar para a grande chegada de Cristo, no dia de Natal, é necessário que estejamos abertos a acolher em nós o Mistério da Encarnação do Verbo de Deus, que veio morar entre nós.  Tal iniciativa divina, mostra-nos que o homem Jesus é a comunicação por excelência de Deus com todo ser humano.

Diante desse Mistério Salvífico o Amor e a Misericórdia formam o Rosto e o Coração do Cristão que, impulsionado e inspirado pelo amor a Deus e ao Próximo, coloca-se a serviço da Promoção da Vida.

Ao Encarnar-se Jesus revela-nos a perfeição do amor. Seu o amor misericordioso e primoroso para com os rejeitados, os pobres, os marginalizados, os sofredores não é mera representação do amor de Deus, mas sua atualização.

Diante dessa proposta evangélica, Ser Cristão não é um peso, mas um dom: queremos expressar a alegria de sermos Discípulos do Senhor e de termos sido enviados com o tesouro do Evangelho, que é uma Boa Notícia para todos: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor.

Que na noite de Natal possamos render graças ao Bom Deus por tão grande Amor que tem para conosco e por todas as graças recebidas durante a nossa vida. Que o Menino Deus renasça em nossos corações e seja sempre Deus conosco em nossa vida!

Estimados amigos e amigas, desejo a todos vós que vivam intensamente este tempo de espera na alegria e na esperança da vinda do Emanuel, nosso Salvador!

Um Feliz e Santo Natal a Todos!


Antonio Alves

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

“Misericordiosos como o Pai”


Senhor Jesus Cristo,

Vós que nos ensinastes a ser misericordiosos como o Pai celeste, e nos dissestes que quem Vos vê, vê a Ele. Mostrai-nos o Vosso rosto e seremos salvos. O Vosso olhar amoroso libertou Zaqueu e Mateus da escravidão do dinheiro; a adúltera e Madalena de colocar a felicidade apenas numa criatura; fez Pedro chorar depois da traição, e assegurou o Paraíso ao ladrão arrependido.

Fazei que cada um de nós considere como dirigida a si mesmo as palavras que dissestes à mulher samaritana: Se tu conhecesses o dom de Deus! Vós sois o rosto visível do Pai invisível, do Deus que manifesta sua onipotência sobretudo com o perdão e a misericórdia: fazei que a Igreja seja no mundo o rosto visível de Vós, seu Senhor, ressuscitado e na glória. 

Vós quisestes que os Vossos ministros fossem também eles revestidos de fraqueza para sentirem justa compaixão por aqueles que estão na ignorância e no erro: fazei que todos os que se aproximarem de cada um deles se sintam esperados, amados e perdoados por Deus.

Enviai o Vosso Espírito e consagrai-nos a todos com a sua unção para que o Jubileu da Misericórdia seja um ano de graça do Senhor e a Vossa Igreja possa, com renovado entusiasmo, levar aos pobres a alegre mensagem proclamar aos cativos e oprimidos a libertação e aos cegos restaurar a vista.


Nós Vo-lo pedimos por intercessão de Maria, Mãe de Misericórdia, A  Vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Aos Mestres com carinho


“Você entende o que está lendo? Como posso entender, se ninguém me explica?”
( At 8, 30-31)

Caros Mestres,

Hoje a minha prece, ao Bom Deus, é dedicada a vocês. Que são fundamentais para a transformação de qualquer realidade, Os educadores são, por sua vez, pessoas que não só apenas transmitem o conhecimento sobre determinada arte, ciência, técnica e etc. Mas, acima de tudo, aqueles que nos ensinam a buscá-lo. É neste sentido que podemos afirmar que “o ato de ensinar exige a existência de quem ensina e de quem aprende”, como nos lembra Paulo Freire. O educador Freire nos diz, ainda, que “a alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”. Diante de tais afirmações não podemos deixar de observar o quanto é bela e fundamental a profissão do educador!

Assim, venho por meio desta, homenagear e agradecer a vocês, caros professores e professoras, que fizeram parte de minha vida e que ajudaram a transformar a minha realidade, as palavras são poucas, embora tenha aprendido muitas com vocês, para expressar o que os vocês significam para mim.
Na pessoa destas professoras e professores, que citarei, agradeço a todos os que contribuíram para minha formação acadêmica, profissional e humana.

Na pessoa da professora Suzênia, aos professores do ensino infantil; na pessoa da professora Cascia Regina, agradeço a todos os professores do ensino fundamental; na pessoa da professora Margarete Rafael agradeço a todos os professores do ensino médio, na pessoa da professora Vânia Dutra de Azeredo a todos os professores do curso de Filosofia, na pessoa do professor Benedito Ferraro e da professora Rita de Cácia Ló a todos os professores do curso de teologia; e na pessoa das professoras: Aldema Menini e Rosana Zucolo a todos os que me ensinam muito sobre a vida e sobre o que significa uma verdadeira amizade. A vocês o meu abraço, meu carinho, gratidão, afeto e orações!

Citando Paulo Freire, mais uma vez, compartilho de vossas dificuldades no exercício da profissão. Compreendo e concordo quando ele aponta que: “ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho”.

Diante de tal realidade celebrar o dia 15 de outubro, dia do Professor da Professora, é também “um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”.

Um grande abraço a todos vós! E que o Bom Mestre vos Abençoe, vos ilumine e vos guarde sempre!



Antonio Alves, o aluno de sempre! 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O PODER DA IMAGEM NA ERA DIGITAL



A Morte de Aylan:  a fotografia revela o que as palavras não são capazes de transmitir

Por Nelson Chinalia
No início de setembro de 2015, uma fotografia chocou o mundo e colocou em pauta novamente a força perturbadora da imagem.  A rapidez da circulação de notícias gera, inevitavelmente, opiniões divergentes e coloca em cheque o papel e a responsabilidade da mídia ao difundir uma fotografia que retrata de forma crua a interrupção da inocência e da infância em forma de violência.
A divulgação da imagem da criança morta, seja por veículos de mídia, com diferentes linhas editoriais, seja por usuários de redes sociais, ocorreu em meio a debates sobre a necessidade de expor a imagem tão agressiva. Uma semana antes da divulgação da foto de Aylan, foi encontrado um caminhão com setenta e um corpos em decomposição de refugiados na fronteira da Hungria com a Áustria, provavelmente todos sírios. Nenhuma foto foi divulgada, devido à natureza perturbadora da imagem. Os setenta e um corpos viraram estatística em relatórios oficiais. As imagens destes corpos existem anexadas aos relatórios policiais. São chocantes demais para sair na mídia.
Discussões como essa compreensivelmente resultam num resgate histórico, que compreende não só o papel e a importância do fotojornalismo, mas também evoca memórias semelhantes. Uma criança morta na praia, evidentemente, é uma imagem terrível. Mostra o horror da fuga fatal e inútil da Síria devastada pela guerra.
O choque e a imediata relação nas redes sociais, neste mundo cada vez mais conectado, suscitam a pergunta: Publicar ou não? Devemos, podemos, temos que mostrá-la?
 Foto de Nick Ut, que tornou-se ícone da Guerra do Vietnã/ Reprodução

Muitos veículos de comunicação no mundo encontraram motivos convincentes e dignos de consideração para não divulgar esta fotografia. É uma questão de respeito, de consideração à dignidade da criança, da família da vítima, de cuidado da mídia que, não raro, encara embates complexos entre a obrigação de expor e o limite ético.
Nós decidimos mostrá-la. Não por sensacionalismo, não para obter quantidade de cliques, não para aumentar nosso alcance na TV. Nós a divulgamos porque oferece um símbolo à tragédia dos refugiados: o da criança inocente, pela qual os pais decidiram seguir um perigoso caminho, arriscando a vida para dar-lhe um futuro humano melhor, que terminou de forma fatal no mar.
Nós a divulgamos porque ela nos abalou e nos deixou mudos e pensativos em nossa reunião de pauta, tocados pelo sofrimento e pela morte. Nós a mostramos, porque nos fez sofrer e, no meio da agitação de nosso cotidiano jornalístico, nos levou a um instante de reflexão. Diante desta imagem os editores responsáveis por seus veículos tiveram que optar pela força da comunicação que a fotografia revela o que as palavras não capazes transmitir: nossa condição de impotência diante da dor daquela família. Os editores decidiram pela publicação no limite da responsabilidade e do senso ético e em meio a muita indignação.
Quantas leituras estas imagens dos refugiados podem nos proporcionar? De imediato, causa indignação, tristeza, repulsa e até mesmo a crença no fim da humanidade. O pano de fundo destas guerras e conflitos, a fome, as mortes e a violência são resultados da dinâmica capitalista que se nutre de vidas, da desigualdade e do sofrimento. As fotografias desnudam a triste realidade que nos cerca, a imagem do garoto Aylan é a síntese de tudo. Lembro-me do trabalho de Sebastião Salgado, tão sensível e profundo que remete à frase “é preciso mudar a sociedade para que estas imagens não mais existam”.
Seja a imagem de Aylan, a foto-ícone da menina de nove anos fugindo nua, após bombardeio na guerra do Vietnã, ou a foto de Kevin Carter, que fotografou um menino desnutrido com um abutre postado às suas costas, são imagens que nos perturbam e comovem porque individualizam a tragédia. Colocam sobre os ombros frágeis de um personagem a representação de todos que foram vítimas do mesmo infortúnio.
A Europa mudou após a publicação da Imagem de Aylan: governantes agiram rápido, países europeus já discutem aceitar cotas de refugiados.

Kevin Carter foi perseguido e condenado por sua “frieza”, pagando com a própria vida/ Reprodução

Talvez por isso a imagem de Aylan possa ser matriz de um movimento, enfim, mais humano em direção aos refugiados que desertam de uma indignidade e deparam com outra. O garotinho de três anos, que só conheceu a fuga e a rejeição como modo de vida, já inspirou alemães e finlandeses a oferecer suas casas a refugiados. Aylan não foi salvo, mas seu sacrifício e o registro em imagens de seu fim podem salvar muitas vidas.
A era digital se estabelece na mídia e o papel da imprensa de uma maneira geral volta a ser discutida. Antes, a informação precisava ter um suporte físico (papel, frequências eletromagnéticas, celuloide etc.), mas agora ela é imaterial (e bits bytes), o que a torna fluida, fácil de ser copiada e transmitida em fração de segundo para milhões de pessoas.
Não temos mais simplesmente leitores, ou espectadores passivos, agora são usuários, com habilidades de comunicação e domínio das ferramentas e plataformas, interagindo com os veículos de comunicação, seja compartilhando conteúdo ou estabelecendo diálogo com o mesmo. Com a grande rede mundial, as pessoas reagem de pronto. Rápida como a imagem símbolo de Aylan, que agora vive na nossa memória como a imagem da imensa massa em fuga de mais uma guerra insana.


Nelson Chinalia é professor de Fotografia e Fotojornalismo da Puc-Campinas, foi editor de fotografia do Correio Popular, ganhou o Prêmio Vladmir Herzog em 1995 com a fotografia “Violência Nua”. Pesquisador Grupo de Pesquisa Memória e Fotografia (GPMeF) da UNICAMP.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Mataram mais um irmão: seu nome é Jesus Cristo, seu nome é Aylan Kurdi!





Mataram mais um irmão! Era um jovem, Jesus Cristo, de 33 anos, morreu em uma cruz em Nazaré da Galiléia, quando tentava mostrar ao mundo a novidade que era o Reino de Deus. Esse Jovem também era pobre e imigrante, viviam andando pelas periferias de Jerusalém levando mensagem de esperança e enchendo a vida das pessoas de alegria.

Seu nome é Jesus Cristo,  seu nome é Aylan Kurdi e passa fome, grita pela boca dos famintos, está sem casa e dorme pelas beiras das calçadas e nas areias da praia da Turquia, é analfabeto, vive mendigando um subemprego, está banido das rodas sociais, dos templos e das igrejas.

Mataram mais um irmão! Por causa da sua palavra, por causa do seu Evangelho, por causa da religião, por causa de um mundo mais justo, por causa de tanta opressão, por causa de coisas que disse, por ter defendido os irmãos! Mais Ele ressuscitará. O povo não o esquecerá!


Mataram mais um irmão era um menino, Aylan Kurdi, de 3 anos, morreu em um naufrágio, quando tentava cruzar o Mar Egeu para chegar à Grécia. Ele estava com o pai, a mãe e o irmão mais velho, Galip Kurdi. Só o pai sobreviveu à tragédia.

Mataram mais um irmão! Por causa da libertação, por causa de um pouco de terra, por uma fatia de pão, por causa da sua nação, por causa da sua esperança, por causa da sua religião. Mais Ele ressuscitará. O povo não o esquecerá!

Entre nós está e não o conhecemos, entre nós está e nós o desprezamos. Seu nome ? É Jesus Cristo, é Aylan Kurdi e anda sedento por um mundo sem fronteira, por uma sociedade do Amor, da Justiça, da Liberdade e da Paz.

A imagem do pequeno Aylan Kurdi deitado na praia da Turquia, sem vida. ficará  por muito tempo em nossa memória, pois sua morte se tornou símbolo da crise migratória que já matou milhares de pessoas do Oriente Médio e da África que tentam chegar à Europa para escapar de guerras, de perseguições e da pobreza.

Tal realidade aponta que Jesus continua sendo crucificado e morto através do sofrimento dos refugiados. Que lutam por uma oportunidade para melhorar a vida e para dá um futuro digno a seus filhos. O mais deplorável é que os chefes de Estado, em vez de tomarem medidas urgentes, estão perdendo tempo debatendo sobre quem é o responsável pelo problema.  


Mas, a morte de Aylan Kurdi, e de tantos outros refugiados “sem nome”, não será inútil não podemos perder a esperança de que encontraremos uma solução para a crise migratória. A população fazendo pressão pode levar os políticos da União Européia a adotar um plano para lidar com os refugiados de forma mais humana. Assim como Jesus Cristo ressuscitou, Aylan Kurdi ressuscitará, na Esperança e na Conquista de seu povo!

A imagem do pequeno Aylan Kurdi morto nos faz pensar que o futuro, e até mesmo o mundo, está perdido. Mas, é engano nosso. O menino Aylan Kurdi, assim como tantos imigrantes que morreram em busca da “terra prometida”, ressuscitarão e o povo jamais o esquecerão!

Antonio Alves

sábado, 11 de julho de 2015

Padre Luís Tonetto celebra 50 anos de sacerdócio


Em clima de muita fé, alegria e emoção, no último dia 02 de julho, o Padre Luis Tonetto celebrou seus 50 anos de sacerdócio, na Igreja Matriz da Paróquia de São Gonçalo, na cidade de Caem. Na ocasião, os fiéis da cidade acolheram Dom Francisco Canindé Palhano, bispo da Diocese de Bonfim, representantes da Diocese de Veneza, Itália, padres, diáconos, religiosas e outras autoridades, além de fiéis de outras paróquias que foram render homenagens ao referido sacerdote.

São 50 anos de missão e compromisso desse missionário que deixou seu país, a Itália, para servir os mais necessitados no sertão da Bahia. Chegou à Diocese de Bonfim no dia 27 de setembro de 1966, com 26 anos de idade. Trabalhou dois anos em Senhor do Bonfim, depois em Jaguarari, por 13 anos. Em seguida, voltou para Senhor do Bonfim onde permaneceu por 9 anos. Foi transferido para a recém-criada Paróquia de Santo Antônio, em Igara, passando 10 anos.

Em outubro de 2000 chegou a Caem onde, juntamente com o então Bispo Dom Jairo Ruy Matos da Silva, fundou a Paróquia São Gonçalo do Amarante. Ali formou 32 comunidades e se destacou, principalmente, pelo apoio dado aos camponeses, como diz José de Jesus, da comunidade Várzea Queimada, membro do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA): “Ele nos ajudou a organizar a comunidade, a ligar o Evangelho de Jesus com a nossa vida e a lutar pelos nossos direitos, principalmente a luta pela água. Nós somos gratos pelo serviço que ele presta a nossa Igreja”, disse.
Em 1979 se engajou na CPT (Comissão Pastoral da Terra) ajudando na organização da Missão da Terra, juntamente com Dom Jairo, de saudosa memória.  Dedicou-se à pastoral entre os pobres e lavradores, apoiando os sindicatos dos trabalhadores rurais, os movimentos sociais na defesa do seu território, na luta pela terra e pela água. Muito fez pela organização das comunidades.

Na homilia, Padre Luis disse que quando chegou a Bonfim o que o ajudou a ser padre foi ir para o meio do povo. “Antes da missa eu sentava na calçada com as pessoas dialogando sobre a vida do povo. Tratava de assuntos como a violência descontrolada das periferias urbanas ou da grilagem de terras. A fome dos pequenos agricultores, a falta de perspectiva, o desemprego, problemas estruturais de um campo oligárquico que mantém imutáveis as diferenças e injustiças sociais. Isso me fez padre”, falou.

Durante esses 50 anos de serviço à Diocese de Bonfim, Padre Luis Tonetto tem se destacado pelas celebrações de missas, casamentos, batismos, catequese, construção de igrejas e de centros comunitários, estruturação de 4 paróquias, escolas, casas de farinhas, cisternas, e diversas obras sociais nas comunidades.

Tudo se conclui com as organizações, amigos e amigas do Padre Luis abraçando-o, prestando-lhe homenagens pelo belo serviço prestado em todo o território da Diocese, principalmente nas paróquias por onde ele passou.

*Por Antonio Célio, Agente da Comissão Pastoral da Terra da Diocese de Bonfim-BA

sábado, 4 de abril de 2015

Alegria, Cristo Ressuscitou!!!


“Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou. 
Não está aqui. Vede o lugar onde o puseram.” ( Jo 16,6).

A Boa Notícia de que o túmulo, de Jesus de Nazaré, estava vazio encheu de Alegria os corações e de sentido a vida, das Mulheres e dos Discípulos do Senhor. É importante ressaltar que “a Esperança é uma grande coisa. É essencial para a vida como o oxigênio. Não se vive sem esperança”. Tal constatação evidenciava o sentimento verdadeiro,  já existente na vida dos seguidores de Jesus. Eles sabiam que a morte não tinha vencido, tinham a certeza de que o Mestre ressuscitaria isso justifica a expressão: Alegria, Cristo Ressuscitou!!!

A experiência com O Ressuscitado preenche a vida das pessoas. A alegria é elemento essencial deste encontro.  E o Testemunho é compromisso assumido nele. Este é ratificado num contato íntimo reservado aos que desejam fazer uma verdadeira experiência de fé com Jesus de Nazaré. Portanto, “um cristão alegre, um cristão que mostra o rosto aberto já dá um testemunho de Jesus, porque demonstra que Jesus preencheu sua vida”.

No encontro com o Ressuscitado na há espaço para a tristeza nem para a escuridão, muito menos para o vazio existencial. Só "uma Vida sem Fé, sem Deus, sem Cristo, é um dia que termina em uma noite e pode ser uma noite eterna”.

A Fé no Cristo Ressuscitado preenche a nossa vida de alegria, portanto, nos torna pessoas Felizes e a Realizada. Sendo assim, “uma Vida com Fé, com Jesus pode ser um final de tarde, pode ser uma noite, mas, sem dúvida, terminará no dia seguinte, em uma manhã sem fim..."


Peçamos a Jesus Ressuscitado, a Luz desta noite tão bela! Que Ilumine nossa vida com a chama desta vela!

Antonio Alves, Filósofo, Teólogo e Seminarista da Arquidiocese de Campinas-SP

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A Cruz de Cristo é a Salvação do Mundo!



Nós vos adoramos Jesus Cristo e vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz remistes o Mundo...


Chegou o dia no qual celebramos a Paixão salvadora, de Nosso Senhor Jesus Cristo! Neste dia, contrariando a lógica humana, celebramos com fervor, a vitória sobre o antigo inimigo, a morte. Portanto, celebramos a vitória da Vida!

Pelo poder radiante da Cruz, vemos com clareza o julgamento do mundo e a vitória de Jesus Crucificado. Entramos no mistério da nossa Redenção, onde universo inteiro, salvo pela Paixão de Jesus Cristo, pode proclamar à infinita misericórdia de Deus.

Ao celebrarmos a Paixão de Nosso Senhor a Igreja nos convoca a meditar sobre tão grande mistério de fé, que exige de nós veneração e respeito.

São João, em seu evangelho, lembra-nos que “de seu lado saiu sangue e água” (19,34). Povo Santo de Deus, tomemos o  devido cuidado para  não tratarmos com superficialidade o segredo de tão grande mistério de nossa fé.

Os elementos jorrados do lado aberto de Jesus aponta-nos que esta água e este sangue são símbolos de dois Sacramentos: o Batismo e a Eucaristia. Não nos esqueçamos que foi da Cruz, do lado traspassado de Jesus, que nasceu a Igreja, ou seja, foi destes Sacramentos que nasceu a Igreja de Jesus Cristo. E é deles que Ela se alimenta e se renova.

São João Crisóstomo  lembra-nos que “Cristo formou a Igreja de seu lado traspassado”.  Afirma, ainda, que “pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo”, é que nasceu a Santa Igreja!

Diante deste mistério de fé basta-nos uma coisa apenas: pedir ao Bom Deus que olhe com amor, esta vossa família aqui reunida, a Igreja peregrina de Jesus, pela qual Nosso Senhor e Salvador livremente se entregou às mãos dos inimigos e sofreu o suplício da Cruz, para a Salvação da Humanidade!

Eis o lenho da Cruz do qual pendeu a Salvação do Mundo!!!


Antonio Alves, Filósofo, Teólogo e Seminarista da Arquidiocese de Campinas-SP.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Quaresma, tempo de conversão: Pessoal, Pastoral e Social!!!


A Quaresma é um tempo no qual a Igreja nos convida a fazermos uma reflexão a respeito da nossa relação com o Bom Deus, de cheio de Amor e Misericórdia.

Este tempo litúrgico, é uma grande convocação para uma conversão Pessoal, Pastoral e Social, em preparação às celebrações do Mistério Pascal, Sofrimento, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, aspecto central para nossa Fé Cristã!

Para melhor refletirmos sobre esta convocação da Igreja vejamos o que o Papa Francisco nos diz: "A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói”. Diante de tal afirmação, para melhor vivenciarmos este tempo são exigidas de nós três atitudes proféticas: a Oração, o Jejum e a Caridade. Neste sentido, considerando verdadeiramente o que significa assumir essas posturas profética, faremos a experiência do que significa  compaixão pelos que mais sofrem.

A primeira atitude é a atitude do discipulado, ou seja, o discípulo é aquele que na postura de ouvinte da Palavra tem um encontro pessoal com o seu Mestre. É aquele que se deixa orientar, colocando-se aos pés do Senhor. E sai deste encontro transformado e comprometido com o Projeto Misericordioso do Amor de Deus.
A segunda atitude não se trata somente de privar-se de algo supérfluo, pois, como o Papa mesmo nos lembra, não seria válido um despojamento sem a dimensão penitencial. O jejum, neste caso, seria uma oportunidade de participarmos do sofrimento e das necessidades do outro, ou seja, “à imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança”. Compreender e se comprometer com tal postura é jejuar de verdade! 

A terceira atitude é a da Caridade expressão máxima do que significar o Amor! É importante lembrar que a caridade é a partilha do Amor recebido de Jesus, o Filho Eterno de Deus Pai. "Ele sendo rico se fez pobre por nós". Neste ponto não estamos falando apenas da necessidade material, que muitos de nossos irmãos e irmãs sofrem, mas sim de outros tipos de pobreza. Por isso é que podemos dize que: “A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória”. Assumir tal postura é Vivenciar o Sentido Pleno da Caridade!

A Caridade,  nos levará a um comprometimento com a miséria de nossos irmãos e irmãs. Portanto, configurando a nossa vida a de Jesus, apesar de nossa pobreza, poderemos enriquecer a tantos irmãos e irmãs que perderam a Esperança ou que não tiveram a oportunidade de fazer um encontro pessoal com este Deus que é Misericordioso, Bondoso e Amoroso.

Somente unidos a Jesus, poderemos abrir novas vias de evangelização e promoção humana. Que o Bom Jesus nos ajude a celebrarmos o Mistério Pascal, onde se expressa para nós a Lógica do Amor Fraterno,  a Lógica da Encarnação de Deus, a Lógica da Cruz, a Lógica do Serviço Solidário, e ,por que, não a Lógica de Deus!


Antonio Alves, Filósofo, Teólogo e Seminarista da Arquidiocese de Campinas-SP.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

“A quem enviarei?... Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim”


Meus caros amigos e amigas, amanhã inicio uma nova etapa na minha vida, o chamado Ano Pastoral de Discernimento para a Ordenação, estou feliz, confiante, mas ao mesmo tempo temeroso, mas diante desse sentimento direi como na música: “aonde mandar eu irei. Seu amor eu não posso ocultar. Quero anunciar para o mundo ouvir, que Jesus é o nosso Salvador...” E por fim, respondo, ao chamado de Deus, como como o profeta Isaías: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim”.

Realizarei meu Ano Pastoral na Paróquia: Santuário Nossa Senhora do Guadalupe, em Campinas-SP. É lá que continuarei com um meu trato especial com o Bom Deus, como dia a música do Pe. Zezinho: "O meu senhor e eu temos um trato especial. O meu senhor cuida de mim e Eu cuido das coisas do meu senhor. Eu tenho a minha fé perfeita eu sei que ela não é mas vou viver até o fim cuidando das coisas do meu senhor."

Agradeço ao amigos e amigas que fiz nas paróquias e comunidades por onde passei e peço que reze por mim, para que eu seja Um Bom Padre, segundo o Coração de Deus e Servidor Fiel de sua Igreja!!!

Que a Virgem de Guadalupe cubra com seu manto a tod@s .

Grande abraço!!!

Antonio Alves

Contato: http://arquidiocesecampinas.com/local/paroquia-nossa-senhora-de-guadalupe 

Meu agradecimento a Paróquia Santa Clara de Assis - Sumaré-SP



“Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel, o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor, achará esse amigo.” (Eclesiástico 6, 14ss)

Caros amigos e amigas, hoje as minhas palavras não são de adeus, mas sim de agradecimento. Sou muito grato por ter vivido momentos especiais com vocês, durante estes meses que passamos juntos.
Primeiramente quero agradeço ao Bom Deus, nosso grande amigo, por ter me dado forças e iluminado meu caminho para que pudesse concluir este meu Estágio Pastoral, aqui na Paróquia Santa Clara de Assis, em Sumaré-SP.

Há um livro chamado: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, que por sinal gosto muito, no qual encontramos um belíssimo diálogo entre um jovenzinho e uma raposa. Ele diz o seguinte: 

-"Que quer dizer "cativar"?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. Significa "criar laços"..." 

Muito bem, diante deste diálogo, do pequeno príncipe com a raposa, creio que comigo e vocês aconteceu a mesma coisa. Eu com o meu jeito um pouco sério ( dizem os jovens por aí: "o Antonio é sério!) também fiz a pergunta: "Que quer dizer "cativar"?" E vocês me responderam me cativando com este jeito simples e acolhedor que só a Paróquia Santa Clara tem! Obrigado por me amar e por me mostrar o Amor de Deus!!!

A minha vinda à esta paróquia foi para aprender como ser um padre bom, ou melhor, como ser um Bom Padre! Mas, para isso foi necessário criar laços! Laços de amizade, de amor e de confiança.
Agradeço ao Pe. Jonas Barbosa da Silva pela amizade, acolhida e testemunho. Obrigado por me mostrar o quanto é importante ser nós mesmos, quantas vezes nos falou eu sou o Jonas, que é sério padre. Também sou grato pelo cuidado para com as pessoas e para com a minha família. Sou grato por toda atenção prestada a minha pessoa e as todos os paroquianos, de modo particular a juventude. Que o Bom Deus lhe pague por tudo! Deixo meu agradecimento, também, ao Pe. André pela amizade e colaboração na minha formação.

Agradeço a todos os paroquianos, as pessoas de todas as comunidades e pastorais, não citarei nomes para não correr o risco de ser injusto com alguém. Deixo meu agradecimento de modo particular a todos os ministros extraordinários da Eucaristia e da Palavra, também aos catequistas, aos desmandos, coroinhas e funcionários da paróquia, destaque estes por que ficamos mais próximos durante este tempo que estive entre vocês realizando meu estágio pastoral. Obrigado pelo ministério, pelo trabalho e também pelo carinho e amizade de vocês! 

Meus caros e caras, o mesmo livro citado ainda nos diz que: "Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo". Tenho a plena certeza de que minha passagem por aqui marcará a nossa história E nossa vida, tanto a minha como a de vocês. Aprendi muito com vocês; aprendi que a simplicidade é sempre o melhor caminho, aprendi, ainda, o que devo fazer para ser um Bom Padre! E levarei para minha vida todos os ensinamentos, sentimentos e momentos vividos com vocês!
Manifesto também o meu agradecimento ao seminarista Tiago Brito por todos os momentos vividos e pela amizade que me é muito cara. Que o Bom Deus te abençoe e te dê perseverança na caminhada, meu amigo, conte com minhas orações e amizade!

Para finalizar, faço minhas as palavras do jovenzinho príncipe quando diz: "a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar..." Muito obrigado, Deus lhes pague, por tudo, e até breve. 

Um grande abraço!!!
Antonio Alves

Agradecimento da Paróquia Santa Clara de Assis!!!









sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

“Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”

Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais 17 de Maio de 2015

O tema da família encontra-se no centro duma profunda reflexão eclesial e dum processo sinodal que prevê dois Sínodos, um extraordinário – acabado de celebrar – e outro ordinário, convocado para o próximo mês de Outubro. Neste contexto, considerei oportuno que o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais tivesse como ponto de referência a família. Aliás, a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento originário pode-nos ajudar quer a tornar mais autêntica e humana a comunicação, quer a ver a família dum novo ponto de vista.
Podemos deixar-nos inspirar pelo ícone evangélico da visita de Maria a Isabel (Lc 1, 39-56). “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (vv. 41-42).
Este episódio mostra-nos, antes de mais nada, a comunicação como um diálogo que tece com a linguagem do corpo. Com efeito, a primeira resposta à saudação de Maria é dada pelo menino, que salta de alegria no ventre de Isabel. Exultar pela alegria do encontro é, em certo sentido, o arquétipo e o símbolo de qualquer outra comunicação, que aprendemos ainda antes de chegar ao mundo. O ventre que nos abriga é a primeira “escola” de comunicação, feita de escuta e contato corporal, onde começamos a familiarizar-nos com o mundo exterior num ambiente protegido e ao som tranquilizador do pulsar do coração da mãe. Este encontro entre dois seres simultaneamente tão íntimos e ainda tão alheios um ao outro, um encontro cheio de promessas, é a nossa primeira experiência de comunicação. E é uma experiência que nos irmana a todos, pois cada um de nós nasceu de uma mãe.
Mesmo depois de termos chegado ao mundo, em certo sentido permanecemos num “ventre”, que é a família. Um ventre feito de pessoas diferentes, interrelacionando-se: a família é “o espaço onde se aprende a conviver na diferença” (Exort. ap. Evangelii gaudium, 66). Diferenças de géneros e de gerações, que comunicam, antes de mais nada, acolhendo-se mutuamente, porque existe um vínculo entre elas. E quanto mais amplo for o leque destas relações, tanto mais diversas são as idades e mais rico é o nosso ambiente de vida. O vínculo está na base da palavra, e esta, por sua vez, revigora o vínculo. Nós não inventamos as palavras: podemos usá-las, porque as recebemos. É em família que se aprende a falar na “língua materna”, ou seja, a língua dos nossos antepassados (cf. 2 Mac 7, 21.27). Em família, apercebemo-nos de que outros nos precederam, nos colocaram em condições de poder existir e, por nossa vez, gerar vida e fazer algo de bom e belo. Podemos dar, porque recebemos; e este circuito virtuoso está no coração da capacidade da família de ser comunicada e de comunicar; e, mais em geral, é o paradigma de toda a comunicação.
A experiência do vínculo que nos “precede” faz com que a família seja também o contexto onde se transmite aquela forma fundamental de comunicação que é a oração. Muitas vezes, ao adormecerem os filhos recém-nascidos, a mãe e o pai entregam-nos a Deus, para que vele por eles; e, quando se tornam um pouco maiores, põem-se a recitar juntamente com eles orações simples, recordando carinhosamente outras pessoas: os avós, outros parentes, os doentes e atribulados, todos aqueles que mais precisam da ajuda de Deus. Assim a maioria de nós aprendeu, em família, a dimensão religiosa da comunicação, que, no cristianismo, é toda impregnada de amor, o amor de Deus que se dá a nós e que nós oferecemos aos outros.
Na família, é sobretudo a capacidade de se abraçar, apoiar, acompanhar, decifrar olhares e silêncios, rir e chorar juntos, entre pessoas que não se escolheram e todavia são tão importantes uma para a outra… é sobretudo esta capacidade que nos faz compreender o que é verdadeiramente a comunicação enquanto descoberta e construção de proximidade. Reduzir as distâncias, saindo mutuamente ao encontro e acolhendo-se, é motivo de gratidão e alegria: da saudação de Maria e do saltar de alegria do menino deriva a bênção de Isabel, seguindo-se-lhe o belíssimo cântico do Magnificat, no qual Maria louva o amoroso desígnio que Deus tem sobre Ela e o seu povo. De um “sim” pronunciado com fé, derivam consequências que se estendem muito para além de nós mesmos e se expandem no mundo. “Visitar” supõe abrir as portas, não encerrar-se no próprio apartamento, sair, ir ter com o outro. A própria família é viva, se respira abrindo-se para além de si mesma; e as famílias que assim procedem, podem comunicar a sua mensagem de vida e comunhão, podem dar conforto e esperança às famílias mais feridas, e fazer crescer a própria Igreja, que é uma família de famílias.
Mais do que em qualquer outro lugar, é na família que, vivendo juntos no dia-a-dia, se experimentam as limitações próprias e alheias, os pequenos e grandes problemas da coexistência e do pôr-se de acordo. Não existe a família perfeita, mas não é preciso ter medo da imperfeição, da fragilidade, nem mesmo dos conflitos; preciso é aprender a enfrentá-los de forma construtiva. Por isso, a família onde as pessoas, apesar das próprias limitações e pecados, se amam, torna-se uma escola de perdão. O perdão é uma dinâmica de comunicação: uma comunicação que definha e se quebra, mas, por meio do arrependimento expresso e acolhido, é possível reatá-la e fazê-la crescer. Uma criança que aprende, em família, a ouvir os outros, a falar de modo respeitoso, expressando o seu ponto de vista sem negar o dos outros, será um construtor de diálogo e reconciliação na sociedade.
Muito têm para nos ensinar, a propósito de limitações e comunicação, as famílias com filhos marcados por uma ou mais deficiências. A deficiência motora, sensorial ou intelectual sempre constitui uma tentação a fechar-se; mas pode tornar-se, graças ao amor dos pais, dos irmãos e doutras pessoas amigas, um estímulo para se abrir, compartilhar, comunicar de modo inclusivo; e pode ajudar a escola, a paróquia, as associações a tornarem-se mais acolhedoras para com todos, a não excluírem ninguém.
Além disso, num mundo onde frequentemente se amaldiçoa, insulta, semeia discórdia, polui com as murmurações o nosso ambiente humano, a família pode ser uma escola de comunicação feita de bênção. E isto, mesmo nos lugares onde parecem prevalecer como inevitáveis o ódio e a violência, quando as famílias estão separadas entre si por muros de pedras ou pelos muros mais impenetráveis do preconceito e do ressentimento, quando parece haver boas razões para dizer “agora basta”; na realidade, abençoar em vez de amaldiçoar, visitar em vez de repelir, acolher em vez de combater é a única forma de quebrar a espiral do mal, para testemunhar que o bem é sempre possível, para educar os filhos na fraternidade.
Os meios mais modernos de hoje, irrenunciáveis sobretudo para os mais jovens, tanto podem dificultar como ajudar a comunicação em família e entre as famílias. Podem-na dificultar, se se tornam uma forma de se subtrair à escuta, de se isolar apesar da presença física, de saturar todo o momento de silêncio e de espera, ignorando que “o silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras ricas de conteúdo” (BENTO XVI, Mensagem do 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24/1/2012); e podem-na favorecer, se ajudam a narrar e compartilhar, a permanecer em contato com os de longe, a agradecer e pedir perdão, a tornar possível sem cessar o encontro. Descobrindo diariamente este centro vital que é o encontro, este “início vivo”, saberemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixarmos arrastar por elas. Também neste campo, os primeiros educadores são os pais. Mas não devem ser deixados sozinhos; a comunidade cristã é chamada a colocar-se ao seu lado, para que saibam ensinar os filhos a viver, no ambiente da comunicação, segundo os critérios da dignidade da pessoa humana e do bem comum.
Assim o desafio que hoje se nos apresenta, é aprender de novo a narrar, não nos limitando a produzir e consumir informação, embora esta seja a direção para a qual nos impelem os potentes e preciosos meios da comunicação contemporânea. A informação é importante, mas não é suficiente, porque muitas vezes simplifica, contrapõe as diferenças e as visões diversas, solicitando a tomar partido por uma ou pela outra, em vez de fornecer um olhar de conjunto.
No fim de contas, a própria família não é um objeto acerca do qual se comunicam opiniões nem um terreno onde se combatem batalhas ideológicas, mas um ambiente onde se aprende a comunicar na proximidade e um sujeito que comunica, uma “comunidade comunicadora”. Uma comunidade que sabe acompanhar, festejar e frutificar. Neste sentido, é possível recuperar um olhar capaz de reconhecer que a família continua a ser um grande recurso, e não apenas um problema ou uma instituição em crise. Às vezes os meios de comunicação social tendem a apresentar a família como se fosse um modelo abstrato que se há de aceitar ou rejeitar, defender ou atacar, em vez duma realidade concreta que se há de viver; ou como se fosse uma ideologia de alguém contra outro, em vez de ser o lugar onde todos aprendemos o que significa comunicar no amor recebido e dado. Ao contrário, narrar significa compreender que as nossas vidas estão entrelaçadas numa trama unitária, que as vozes são múltiplas e cada uma é insubstituível.
A família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro.

Vaticano, 23 de Janeiro – Vigília da Festa de São Francisco de Sales – de 2015.


Papa Francisco