quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Diário de um Romeiro



Durante os dias 07 e 11 de Janeiro de 2014 aconteceu em Juazeiro do Norte- CE, na Diocese de Crato, o 13º Intereclesial de CEB’s.
Da nossa Sub-Região Pastoral CNBB Campinas, que abrange a Arquidiocese de Campinas, Diocese de Amparo, Bragança Paulista, Limeira, Piracicaba e São Carlos. Fomos com uma delegação de 53 delegados e delegadas que embarcarmos neste trem das comunidades eclesiais de base. Entre nós estava, também, um representante da igreja protestante de confissão luterana de Campinas, o delegado Nelson Franco.
Para a participação no 13º Intereclesial chegamos com muita alegria, para juntos celebramos a vida e as lutas das nossas comunidades eclesiais de base. Em Juazeiro do Norte ficamos hospedados na Paróquia Menino Jesus de Praga, em casas de famílias pobres e simples, mas bem acolhedoras.
Na tarde do dia 07 fomos acolhidos pelos companheiro e companheiras de caminhada e de fé da diocese de Crato-CE. Esta se deu por meio de uma celebração de abertura do encontro. Nela fizemos uma memória dos outros doze Intereclesiais de CEB’s, anteriores, que aconteceram pelo Brasil.
Dom Fernando Panico, bispo de Crato, nos acolheu com bastante alegria e entusiasmo  recordou-nos, ainda, que “as CEBs são o jeito da Igreja ser. As CEBs são o jeito “normal” da Igreja ser. Jeito normal de o povo de Deus responder no hoje à proposta de Jesus: ser comunidade a serviço da vida”.
Durante a celebração ouvimos mensagens enviadas por várias autoridades eclesiásticas e pela primeira vez, na histórias dos Intereclesiais de CEB’s, recebemos uma mensagem do Santo Padre. De toda a mensagem destaco o trecho em que o Papa Francisco escreve-nos afirmando que “a evangelização é um dever de toda a Igreja, de todo o povo de Deus: todos devemos ser romeiros, no campo e na cidade, levando a alegria do Evangelho a cada homem e a cada mulher. Desejo do fundo do meu coração que as palavras de São Paulo: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (I Co 9,16) possam ecoar no coração de cada um de vocês!”.
Concluímos a noite com a belíssima canção de Zé Vicente, artista local, “Bendita e louvada esta santa romaria, bendito o povo que macha tendo Cristo como guia...”
Na manhã do dia seguinte iniciamos nossos trabalhos com uma calorosa acolhida cearense no caldeirão beato Zé Lourenço, local do encontro. Dando continuidade participamos do Ofício de Romaria, motivado por Reginaldo Veloso. Ouvimos também os testemunhos e experiências de vida de alguns companheiros e companheiras de luta e de fé. E para concluir os trabalhos, da manhã do dia 08, fizemos uma análise de conjuntura social e eclesial com a assessória do Pe. Manfredo, Raquel Rigotto e Roberto Malvezzi.
Nossa tarde iniciou-se coma divisão dos participantes em grandes grupos chamados de Ranchos, na cultura local os ranchos são locais de acolhida de romeiros. Pude participar de maneira mais evidente no rancho Pe. Ibiapina homem que nos lembra que “ Deus é grande e ninguém é pequeno”. Nos grupos fomos novamente subdivididos em pequenos grupos chamados de chapéus. Lá lembramos que fomos para este encontro não em nossos nomes, mas sim em nome das nossas comunidades eclesiais e de nossas Igrejas particulares. Com o tema CEB’s e sua Vocação Profética refletimos sobre a vocação de cada batizado, de cada cristão.
No dia 09 fizemos uma experiência missionária, cada grupo na comunidade que ficou hospedado. Das várias realidades missionárias destaco uma experiência religiosa bem particular de Juazeiro do Norte. Visitamos a casa do penitente João José Alves de Jesus. Os beatos ou penitentes são homens e mulheres que se despojaram de tudo para viver segundo a providência divina e guiados pelos preceitos do “Padim Ciço”. São um pouco radicais, mas a experiência foi válida, para uma reflexão sobre o verdadeiro significado da devoção popular.
Na tarde deste mesmo dia fomos visitar a imagem do Padre Cícero Romão Batista, no Horto, e concluímos com uma belíssima celebração em memória dos mártires da caminhada, presidida por dom Edson Damian. Para finalizar o dia, nos confraternizamos com as pessoas das paróquias que nos hospedaram. Ao som da sanfona participamos de uma noite de pura alegria e saboreamos o famoso baião de dois com pequi. E nesta mesma noite fomos prestigiados com uma bonita apresentação do auto de natal, adaptado à realidade nordestina.
Dia 10 o nosso dia iniciou-se com um agradecimento ao Deus da vida através de uma celebração indígena. Em continuidade aos trabalhos do 13º Intereclesial de CEB’s fizemos uma retomada com os resultados das experiências dos ranchos realizados no dia 08 de janeiro. Neste dia Roberto Malvezzi chamou a atenção dos padres e bispos para que apoiem as comunidades eclesiais de base e formem o povo de Deus. Lembrou-nos, ainda, que “nenhuma comunidade surge aleatoriamente, mas sim de uma necessidade específica. Daí a necessidade de se investir na pastoral e na formação dos agentes”.
Para facilitar o trabalho dos ranchos tivemos a assessória da Irmã. e do Pe. Luís Mosconi, com o tema espiritualidade do romeiro. Em sua reflexão a Irmã chamou a nossa atenção a respeito do binômio que existe entre “Templo e Caminho”. Já o Pe. Luís  nos lembrou que “a espiritualidade é um jeito de ser e nós somos discípulos de camponês, condenado da Galileia, Jesus de Nazaré”. Concluiu afirmando que a “ Avida é uma romaria e a melhor maneira de viver isso é a missão. A CEB’s é missão porque a vida é missão”.
Concluímos a manhã com a fala do Frei Carlos Mester falando sobre Jesus Cristo a quem nós devemos imitar e seguir. Ele afirmou que podemos resumir todo o projeto de Jesus na seguinte frase: “ Quem não veio para servir não serve para viver”.
Na tarde partilhamos um pouco como foi a nossa experiência missionária e finalizamos o dia com uma bela noite cultural, animada por Zé Vicente e  com as apresentações dos artistas da caminhada.
Na manhã do dia 11, ultimo dia de nossa romaria, fizemos a eleição do estado e da diocese que acolherá o trem das CEB’s com o 14º Intereclesial em 2018, que será o Paraná, na Arquidiocese de Londrina. Também assumimos alguns compromissos.
Nós delegados e delegadas deste Intereclesial de CEB’s nos comprometemos a divulgar cada vez mais as CEB’s no desejo de que elas sejam mais compreendidas e vividas.
Ao retornamos ao caldeirão beato Zé Lourenço participamos de um momento de espiritualidade Inter-religioso. Iluminados pela Palavra de Deus com o trecho do livro do profeta Isaías 49,7-15.  Ficamos com a mensagem de que mesmo que a mãe abandone seu filho, Deus jamais nos abandonará. E na linha das reflexões do Concílio Vaticano II fica o desejo de Deus nosso Pai: “ fomos criados por Deus para que todos sejamos um, assim como ele é um”. E por fim, “Procuremos superar as diferenças para que a Justiça e paz se abracem”, como nos lembrou a pastora Romi.
Concluímos nosso encontro com a assessória do Pe. Benedito Ferraro, salientando a importância do ecumenismo e do diálogo inter-religioso para a caminhada da Igreja e das comunidades eclesiais de base. “Se temos clareza da nossa identidade não devemos temer o diálogo e nem o contato com o diferente, o devemos fazer é usar as botas do outro para que aconteça o verdadeiro respeito!”.
Para finalizar fizemos a nossa caminhada saindo da capela de nossa Senhora do Perpétuo Socorro, local onde se encontra o túmulo do Pe. Cícero, até a Basílica de Nossa Senhora das Dores. Onde participamos da missa de envio.
Como fruto deste nosso 13º Intereclesial de CEB’s nós 5.046 participantes escrevemos uma carta afirmando o nosso desejo de viver em comunidade eclesial de base, romeira do campo e da cidade e de sermos verdadeiros missionários e missionárias de Jesus Cristo, praticantes da Justiça e da profecia a Serviço da Vida.
Voltamos para nossas casas, comunidades e Igrejas com o coração e a vida cheios de esperança e de alegria! Trouxemos em nossa bagagem os momentos vividos, nestes dias de encontro, as lembranças das pessoas que já conhecíamos e que conhecemos, as experiências de vida e de luta de tantas comunidades eclesiais de base. Também a riqueza devocional da cidade de Juazeiro do Norte, com certeza quem visita esta cidade volta mudado.
Neste sentido é que finalizo meu “Diário de um Romeiro” com um dos Preceitos do Pe. Cícero Romão Batista: “Não são os grandes planos que dão certo, mas os pequenos detalhes”. Acredito que esta frase explica o que significa viver em comunidade eclesial de base, o jeito normal de ser Igreja!


Antonio Alves

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