Caros
Amig@s,
venho
por meu deste manifestar o meu apoio para com a causa dos nossos imãos e irmãs
índios, Kaiowá e Guarani. Recentemente foi divulgada uma nota pelo Conselho
Indigenista Missionário (CIME), referente as manifestações na rede.
Quero
lembrar que o CIME nos alerta sobre o termo que está sendo usado, “Suícidio
Coletivo”, mas não nega a realidade do fato: "O CIMI esclarece que quando
os Kaiowá e Guarani usaram a expressão
“morte-coletiva”, que é diferente de suicídio coletivo, se referiam ao contexto
da luta pela terra. Isto é, se eles forem forçados a sair de suas terras pela
Justiça ou por pistoleiros contratados por fazendeiros, estariam dispostos a
morrer todos nela, sem jamais abandoná-la, pois vivos não sairiam do chão de seus
antepassados". Diante disso aponto que não podemos nos omitir e deixar de
manifestar o nosso repúdio ao Estado Brasileiro, pelas ações tomadas. Lembro
ainda que a indiferença é o maior do males existente, ele é contrário ao amor,
que é o próprio Deus. Portanto, nos apresentarmos com indiferença para com essa
causa dos índios Kaiowá e Guarani, e outras causas dos pobres e excluídos e
decretar, ainda em vida, a sua morte. Que o Deus da vida nos ajude para que,
tod@s, tenhamos vida e abundância, segundo o seu desejo: "Eu vim para que
tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo10,10).
Antonio Alves
Segue a Carta Escrita pelos Índios: "Nós (50 homens, 50 mulheres, 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de despacho/ordem de nossa expulsão/despejo expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, em 29/09/2012.
Recebemos
esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, violentada e
expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal de Navirai-MS. Assim,
fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as
violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver
na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Pyelito
Kue/Mbarakay.
Assim,
entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte
da ação de genocídio/extermínio histórico de povo indígena/nativo/autóctone do
MS/Brasil, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e
exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça
Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem
violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça
Brasileira.
A
quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas?? Para qual
Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando
violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que
vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de
vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui
acampados 50 metros de rio Hovy onde já ocorreram 4 mortos, sendo 2 morreram
por meio de suicídio, 2 morte em decorrência de espancamento e tortura de
pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um (01)
ano, estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e
resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos
dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay.
De
fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão
enterrados vários os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão o
cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já
vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo
onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não
decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa
morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas,
para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores
para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso
pedido aos juízes federais.
Já
aguardamos esta decisão da Justiça Federal, Assim, é para decretar a nossa
morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e para enterrar-nos
todos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e
nem morto e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em
nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e
morrendo de modo acelerado. Sabemos que seremos expulsas daqui da margem do rio
pela justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo
nativo/indígena histórico, decidimos meramente em ser morto coletivamente aqui.
Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho
da Justiça Federal de Navirai-MS.''

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