segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Que vida vale a pena ser vivida? A vida em Cristo!


O Dia Nacional da Juventude (DNJ) 2012 nos convocou, e continua a nos provocar, a respeito da realidade juvenil  de nossos dias já nos preparando para celebrarmos a Campanha da Fraternidade de 2013. O tema DNJ, deste ano, nos apresenta a seguinte questão: “Qual Vida Vale a pena ser Vivida?”. Sabemos que a vida é um Dom de Deus, e que o seu grande desejo é que todos  a tenhamos em abundancia: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo 10,10).
Ao olharmos para a realidade juvenil, um fato que nos deixa triste é saber que: “segundo um relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) a cada seis dias, um jovem Guarani Kaiowá se suicida. Desde 1980, cerca de 1500 tiraram a própria vida. A maioria deles enforcou-se num pé de árvore. Entre as várias causas elencadas pelos pesquisadores está o fato de que, neste período da vida, os jovens precisam formar sua família e as perspectivas de futuro são ou trabalhar na cana de açúcar ou virar mendigos. O futuro, portanto, é um não ser aquilo que se é. Algo que, talvez para muitos deles, seja pior do que a morte”[1]. Diante destas informações nos deparamos com a dura realidade de uma cultura de morte que cerca a nossa sociedade, principalmente, a nossa juventude. “Uma pesquisa realizada em 2008 pelo instituto “Datafolha” junto a jovens brasileiros com idades entre 16 e 25 anos, mostrando suas opiniões, hábitos e anseios. O estudo aponta, por exemplo, que família, saúde, trabalho e estudo são os principais valores dos jovens”.  Dados como estes, mostram que nossa juventude não tem medo de desafios, mas o que a faz temer é ter uma vida sem sentido.
Acredito que a Santa Igreja, ao longo dos anos,  através de seus pastores tem buscado dar resposta a essa pergunta dos jovens:  “Que vida vale a pena ser vivida?”, com certeza é a  vida em Cristo! Contudo, viver em Jesus Cristo é comprometer-se com a causa do Reino de Deus.  Não podemos dizer que somos felizes e que temos vida, enquanto temos outros jovens que não tem os seus direitos respeitados. Algumas iniciativas foram tomadas para favorecer  reflexões sobre a  qualidade de vida de nossos jovens.  Questões como: Por que tanto extermínio de jovens, em nossas cidades? Porque tantos suicídios entre nossos  jovens? Motivaram a Campanha contra a violência e o extermínio de jovens no Brasil e, também, iluminará os debates da Campanha da Fraternidade de 2013, cujo tema é Fraternidade e Juventude.
Por fim, a  interrogação que tomamos como ponto de partida, desta nossa reflexão, volta a nossa mente com um pouco mais de clareza e de desejo de comprometimento com as causas da nossa juventude. Pois, como afirmamos anteriormente,  a vida que vale a pena ser vivida é a vida em Cristo! E este viver em Cristo leva-nos a um compromisso concreto com a causa do Reino de Deus, ou seja, diante do número de suicídios entre os jovens, índios Kaiowá e Guarani também o extermínio de nossa juventude não podemos nos omitir. Pois a indiferença é a maior das mortes. E nos apresentarmos com indiferença para com as causas da juventude e destes nossos irmãos índios é já decretar a morte deles em vida, e esta não é a vida em Cristo e muito menos a vida em abundância.
 Antonio Alves

Texto publicado em: http://www.jmjcampinas.org.br/10737/  dia 27/10/2012.


[1] Eliane Brum trata com mais detalhes do assunto no site: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/10/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui.html em 22/10/12.

sábado, 27 de outubro de 2012

"Eu vim para que tod@s tenham vida"






Caros Amig@s,
venho por meu deste manifestar o meu apoio para com a causa dos nossos imãos e irmãs índios, Kaiowá e Guarani. Recentemente foi divulgada uma nota pelo Conselho Indigenista Missionário (CIME), referente as manifestações na rede.
Quero lembrar que o CIME nos alerta sobre o termo que está sendo usado, “Suícidio Coletivo”, mas não nega a realidade do fato: "O CIMI esclarece que quando
 os Kaiowá e Guarani usaram a expressão “morte-coletiva”, que é diferente de suicídio coletivo, se referiam ao contexto da luta pela terra. Isto é, se eles forem forçados a sair de suas terras pela Justiça ou por pistoleiros contratados por fazendeiros, estariam dispostos a morrer todos nela, sem jamais abandoná-la, pois vivos não sairiam do chão de seus antepassados". Diante disso aponto que não podemos nos omitir e deixar de manifestar o nosso repúdio ao Estado Brasileiro, pelas ações tomadas. Lembro ainda que a indiferença é o maior do males existente, ele é contrário ao amor, que é o próprio Deus. Portanto, nos apresentarmos com indiferença para com essa causa dos índios Kaiowá e Guarani, e outras causas dos pobres e excluídos e decretar, ainda em vida, a sua morte. Que o Deus da vida nos ajude para que, tod@s, tenhamos vida e abundância, segundo o seu desejo: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo10,10).

Antonio Alves

Segue a Carta Escrita pelos Índios:  "Nós (50 homens, 50 mulheres, 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de despacho/ordem de nossa expulsão/despejo expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, em 29/09/2012.
Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal de Navirai-MS. Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay.
Assim, entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio/extermínio histórico de povo indígena/nativo/autóctone do MS/Brasil, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça Brasileira.
A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas?? Para qual Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados 50 metros de rio Hovy onde já ocorreram 4 mortos, sendo 2 morreram por meio de suicídio, 2 morte em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um (01) ano, estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay.
De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão o cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais.
Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal, Assim, é para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e para enterrar-nos todos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem morto e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo de modo acelerado. Sabemos que seremos expulsas daqui da margem do rio pela justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo/indígena histórico, decidimos meramente em ser morto coletivamente aqui. Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.''