O Dia Nacional da Juventude (DNJ) 2012 nos convocou, e continua a nos provocar, a respeito da realidade juvenil de nossos dias já nos preparando para celebrarmos a Campanha da Fraternidade de 2013. O tema DNJ, deste ano, nos apresenta a seguinte questão: “Qual Vida Vale a pena ser Vivida?”. Sabemos que a vida é um Dom de Deus, e que o seu grande desejo é que todos a tenhamos em abundancia: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo 10,10).
Ao olharmos para a realidade juvenil, um fato que nos deixa triste é saber que: “segundo um relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) a cada seis dias, um jovem Guarani Kaiowá se suicida. Desde 1980, cerca de 1500 tiraram a própria vida. A maioria deles enforcou-se num pé de árvore. Entre as várias causas elencadas pelos pesquisadores está o fato de que, neste período da vida, os jovens precisam formar sua família e as perspectivas de futuro são ou trabalhar na cana de açúcar ou virar mendigos. O futuro, portanto, é um não ser aquilo que se é. Algo que, talvez para muitos deles, seja pior do que a morte”[1]. Diante destas informações nos deparamos com a dura realidade de uma cultura de morte que cerca a nossa sociedade, principalmente, a nossa juventude. “Uma pesquisa realizada em 2008 pelo instituto “Datafolha” junto a jovens brasileiros com idades entre 16 e 25 anos, mostrando suas opiniões, hábitos e anseios. O estudo aponta, por exemplo, que família, saúde, trabalho e estudo são os principais valores dos jovens”. Dados como estes, mostram que nossa juventude não tem medo de desafios, mas o que a faz temer é ter uma vida sem sentido.
Acredito que a Santa Igreja, ao longo dos anos, através de seus pastores tem buscado dar resposta a essa pergunta dos jovens: “Que vida vale a pena ser vivida?”, com certeza é a vida em Cristo! Contudo, viver em Jesus Cristo é comprometer-se com a causa do Reino de Deus. Não podemos dizer que somos felizes e que temos vida, enquanto temos outros jovens que não tem os seus direitos respeitados. Algumas iniciativas foram tomadas para favorecer reflexões sobre a qualidade de vida de nossos jovens. Questões como: Por que tanto extermínio de jovens, em nossas cidades? Porque tantos suicídios entre nossos jovens? Motivaram a Campanha contra a violência e o extermínio de jovens no Brasil e, também, iluminará os debates da Campanha da Fraternidade de 2013, cujo tema é Fraternidade e Juventude.
Por fim, a interrogação que tomamos como ponto de partida, desta nossa reflexão, volta a nossa mente com um pouco mais de clareza e de desejo de comprometimento com as causas da nossa juventude. Pois, como afirmamos anteriormente, a vida que vale a pena ser vivida é a vida em Cristo! E este viver em Cristo leva-nos a um compromisso concreto com a causa do Reino de Deus, ou seja, diante do número de suicídios entre os jovens, índios Kaiowá e Guarani também o extermínio de nossa juventude não podemos nos omitir. Pois a indiferença é a maior das mortes. E nos apresentarmos com indiferença para com as causas da juventude e destes nossos irmãos índios é já decretar a morte deles em vida, e esta não é a vida em Cristo e muito menos a vida em abundância.
Antonio Alves
Texto publicado em: http://www.jmjcampinas.org.br/10737/ dia 27/10/2012.
[1] Eliane Brum trata com mais detalhes do assunto no site: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/10/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui.html em 22/10/12.

