sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Mensagem para o Natal do Senhor de 2012


Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor” ( Lc 2, 11-12).

Caros Amigos e Caras Amigas,
Estamos prestes a celebrar mais um Natal do Senhor. Mas, antes disso, mais um advento se aproxima nos convidando para esperarmos aquele que nos trará salvação. O tempo do advento, para nós cristãos, é período de oração, em que é preciso entrar em contato com Deus. Ele já nos conhece, profundamente, mas espera que nos apresentemos neste encontro com humildade de coração, reconhecendo a nossa pequenez, diante de sua grandeza.
Celebrar o nascimento de Jesus é fazer memória deste evento magnifico que foi a encarnação do Verbo Divino: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1,14). Ato nobre onde Deus manifesta o tamanho de sua humildade, assumindo a nossa natureza humana. Evento narrado de forma belíssima neste trecho do Evangelho segundo  Lc 2, 10-13: “Eu anuncio para vocês a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor. Isto lhes servirá de sinal: vocês encontrarão um recém-nascido, envolto em faixas e deitado na manjedoura”.
Caros Amigos e Amigas, este evento, nobre e divino, da encarnação de Jesus, podemos comtemplar e celebrar solenemente todos os anos na festa do Natal do Senhor. Contudo, será apenas mais um natal, para cada um de nós, se não nos comprometermos com o projeto salvador de Jesus Cristo. No tempo do natal somos convidados a glorificarmos a Deus pelo presente maravilho que nos deu tornando-se Pobre, Criança, Homem como nós. Que possamos, também nós, cantar na noite santa: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados” ( Lc 2, 14).



Desejo a todos um Feliz e Santo Natal e Um 2013 abençoado!!
Um Grande Abraço Fraterno!                                                         

Antonio Alves

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Nem tudo é fácil ...


É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada

É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas…
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o…
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga…
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça…
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o…
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida…Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!

Cecília Meireles

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O filme Elefante Branco

‘Elefante Branco’ debate miséria, religião, política e afetividade


O filme Elefante Branco traz um enredo atual, chocante e com cenas desconcertantes, embora plausíveis no ambiente urbano, carcomido pela fome, os ditames da religião, o poder das elites — que julgam poder comprar tudo — e a afetividade explosiva.

O comentário é de Antonio Carlos Ribeiro, jornalista, e publicada pelo sítio Novos Diálogos, 06-11-2012.

O enredo da película começa com o padre Julián (Ricardo Darín) sendo submetido a uma tomografia. Depois, o público é levado à Amazônia sem lei, especialmente às populações ribeirinhas, que vivem tão desprotegidas quanto os pobres na Idade Média — entregues a toda sorte de riscos — e na qual o padre Nicolás (Jérémie Renier) escapa de um massacre, ao ver uma família ser exterminada por não apontar para que lado ele fugiu. Neste lugar, Julián vem buscar o egresso do seminário para outra tarefa, igualmente perigosa.
Julián e Nicolás voltam a trabalhar juntos, agora na Villa Virgen, uma favela da periferia de Buenos Aires. O perfil é o comum da América Latina: pobreza econômica transformada em miséria moral, refino-preparo-tráfico de drogas, sacerdotes que se dedicam ao atendimento dos esquecidos de todos, bispo distante, insensível ao sofrimento humano e agarrado às futilidades eclesiásticas e com autoridade formal sobre quem vive a experiência cotidiana de estar entre Deus e o diabo. E a polícia, o braço armado do Estado para manter a ordem.
Em Elefante Blanco, o lado mais cruel da tragédia é também destes bons moços, de uniformes garbosos à tarefa cotidiana de serviçais do Estado, mediada pelos gritos dos comandantes. Com código rígido, formação militar e sem margem para lidar sequer com os conflitos familiares e os pessoais, sem falar dos esquemas de corrupção da corporação e da relação de dependência do poder estatal e suas políticas para a sociedade.
O trabalho com altos níveis de estresse é o que sobra para os dois clérigos e a assistente social que põem suas vidas em risco, para continuar do lado dos miseráveis, agarrados a uma mística forte que lhes permite conviver com os poderes do Estado, da Igreja, da Polícia e do tráfico — que nas ‘villas’ tem uma lógica clara e letal — apenas para proteger e minorar o sofrimento dos pobres, em meio às contradições.
A atuação de Ricardo Darín encarna este perfil de sacerdote, da mística nascida da ortopráxis à pureza ética que resguarda o rosto humano da religião nos espaços limítrofes. Ele está impecável, das tarefas cotidianas ao modo como lida com a saúde, da capacidade de lidar com o bispo, o governo e os narcotraficantes, o mesmo lugar existencial de onde vem sua autoridade para posicionar-se frente a eles. A cena em que ‘absolve’ o irmão de sacerdócio e a que revela a vontade de mandar todos ‘a la mierda’, são paradigmáticas do perfil da missão.
A relação afetiva entre o sacerdote e a assistente social é outro marco do momento. A paixão romântica irrompe em meio ao caos político, econômico e religioso. É um grito de desespero e a luta para respirar, em meio à asfixia existencial. Assim como em O amor nos tempos do cólera, de García Márquez, é avassaladora, transgressiva, corajosa, como só acontecem em tempos de calamidades e crise civilizacional agudas. O número de sacerdotes e militantes de todas as frentes de luta que a ela chegaram é incontável, entre os que voltaram ao redil, os que fugiram para salvar vidas e os que se ‘perderam’ ao perder seu grande amor.
Villa Virgen é uma ‘comunidade’, de cerca de 30 mil pessoas, próxima ao projeto do maior hospital da América Latina, lançado por um governo socialista e abandonado desde 1937. O fato em si dá o retrato das elites latino-americanas: endinheiradas pelo controle do Estado, com pouca formação intelectual, muito autoritarismo e o recurso fácil à violência, regados à vaidade tola. O espaço em que os padres trabalham para transformar o prédio abandonado em moradias dignas é o mesmo que lembra o ‘deserto do real’, de Zizek.
As partes complementares do enredo são os demais padres e voluntários que atuam com e a partir dessa tríade, a célula mais comum dos trabalhos pastorais desenvolvidos nas grandes cidades da América Sul, surgida nos anos 1970 a partir da mística dos pobres como os amados preferenciais de Deus, a repressão do consórcio elites-ditaduras, e da Igreja, pendente para o lado conservador nos centros de maior poder político e econômico, a partir da lógica atemporal que assegura a sobrevivência histórica. Ou de confronto, onde o bispo era pastor.
A capital argentina agrega ao enredo comum das grandes cidades da América do Sul, a pecha dos assassinatos de massa, legitimados por leis humanas e divinas, ‘de exceção’, sem disposição de poupar sequer os ‘seus’, já que as vantagens do atrelamento ao Estado superavam em muito o pecuniário e o institucional. Os feriados religiosos e as bênçãos episcopais à repressão mais brutal, já enfrentadas por todos os países da região, exceto o Brasil, testemunham o dilema teológico de defender o rebanho ou assegurar a presença da instituição religiosa.
A película dirigida por Trapero é como os vitrais das Catedrais, projetados para narrar a história da salvação, ocultando o conflito das relações nem sempre claras, entre as paixões da fé popular, da instituição eclesial e do Estado dominado pelas elites. Nestas, destacam-se homens e mulheres que deram à sua vida o sentido das causas que abraçaram, pelas quais viveram e morreram. Ao serem guindados de líderes a mártires, enriqueceram a mística combativa deste ‘continente sofrido e maravilhoso’, como escreveu Gutiérrez.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Que vida vale a pena ser vivida? A vida em Cristo!


O Dia Nacional da Juventude (DNJ) 2012 nos convocou, e continua a nos provocar, a respeito da realidade juvenil  de nossos dias já nos preparando para celebrarmos a Campanha da Fraternidade de 2013. O tema DNJ, deste ano, nos apresenta a seguinte questão: “Qual Vida Vale a pena ser Vivida?”. Sabemos que a vida é um Dom de Deus, e que o seu grande desejo é que todos  a tenhamos em abundancia: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo 10,10).
Ao olharmos para a realidade juvenil, um fato que nos deixa triste é saber que: “segundo um relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) a cada seis dias, um jovem Guarani Kaiowá se suicida. Desde 1980, cerca de 1500 tiraram a própria vida. A maioria deles enforcou-se num pé de árvore. Entre as várias causas elencadas pelos pesquisadores está o fato de que, neste período da vida, os jovens precisam formar sua família e as perspectivas de futuro são ou trabalhar na cana de açúcar ou virar mendigos. O futuro, portanto, é um não ser aquilo que se é. Algo que, talvez para muitos deles, seja pior do que a morte”[1]. Diante destas informações nos deparamos com a dura realidade de uma cultura de morte que cerca a nossa sociedade, principalmente, a nossa juventude. “Uma pesquisa realizada em 2008 pelo instituto “Datafolha” junto a jovens brasileiros com idades entre 16 e 25 anos, mostrando suas opiniões, hábitos e anseios. O estudo aponta, por exemplo, que família, saúde, trabalho e estudo são os principais valores dos jovens”.  Dados como estes, mostram que nossa juventude não tem medo de desafios, mas o que a faz temer é ter uma vida sem sentido.
Acredito que a Santa Igreja, ao longo dos anos,  através de seus pastores tem buscado dar resposta a essa pergunta dos jovens:  “Que vida vale a pena ser vivida?”, com certeza é a  vida em Cristo! Contudo, viver em Jesus Cristo é comprometer-se com a causa do Reino de Deus.  Não podemos dizer que somos felizes e que temos vida, enquanto temos outros jovens que não tem os seus direitos respeitados. Algumas iniciativas foram tomadas para favorecer  reflexões sobre a  qualidade de vida de nossos jovens.  Questões como: Por que tanto extermínio de jovens, em nossas cidades? Porque tantos suicídios entre nossos  jovens? Motivaram a Campanha contra a violência e o extermínio de jovens no Brasil e, também, iluminará os debates da Campanha da Fraternidade de 2013, cujo tema é Fraternidade e Juventude.
Por fim, a  interrogação que tomamos como ponto de partida, desta nossa reflexão, volta a nossa mente com um pouco mais de clareza e de desejo de comprometimento com as causas da nossa juventude. Pois, como afirmamos anteriormente,  a vida que vale a pena ser vivida é a vida em Cristo! E este viver em Cristo leva-nos a um compromisso concreto com a causa do Reino de Deus, ou seja, diante do número de suicídios entre os jovens, índios Kaiowá e Guarani também o extermínio de nossa juventude não podemos nos omitir. Pois a indiferença é a maior das mortes. E nos apresentarmos com indiferença para com as causas da juventude e destes nossos irmãos índios é já decretar a morte deles em vida, e esta não é a vida em Cristo e muito menos a vida em abundância.
 Antonio Alves

Texto publicado em: http://www.jmjcampinas.org.br/10737/  dia 27/10/2012.


[1] Eliane Brum trata com mais detalhes do assunto no site: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/10/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui.html em 22/10/12.

sábado, 27 de outubro de 2012

"Eu vim para que tod@s tenham vida"






Caros Amig@s,
venho por meu deste manifestar o meu apoio para com a causa dos nossos imãos e irmãs índios, Kaiowá e Guarani. Recentemente foi divulgada uma nota pelo Conselho Indigenista Missionário (CIME), referente as manifestações na rede.
Quero lembrar que o CIME nos alerta sobre o termo que está sendo usado, “Suícidio Coletivo”, mas não nega a realidade do fato: "O CIMI esclarece que quando
 os Kaiowá e Guarani usaram a expressão “morte-coletiva”, que é diferente de suicídio coletivo, se referiam ao contexto da luta pela terra. Isto é, se eles forem forçados a sair de suas terras pela Justiça ou por pistoleiros contratados por fazendeiros, estariam dispostos a morrer todos nela, sem jamais abandoná-la, pois vivos não sairiam do chão de seus antepassados". Diante disso aponto que não podemos nos omitir e deixar de manifestar o nosso repúdio ao Estado Brasileiro, pelas ações tomadas. Lembro ainda que a indiferença é o maior do males existente, ele é contrário ao amor, que é o próprio Deus. Portanto, nos apresentarmos com indiferença para com essa causa dos índios Kaiowá e Guarani, e outras causas dos pobres e excluídos e decretar, ainda em vida, a sua morte. Que o Deus da vida nos ajude para que, tod@s, tenhamos vida e abundância, segundo o seu desejo: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo10,10).

Antonio Alves

Segue a Carta Escrita pelos Índios:  "Nós (50 homens, 50 mulheres, 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de despacho/ordem de nossa expulsão/despejo expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, em 29/09/2012.
Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal de Navirai-MS. Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay.
Assim, entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio/extermínio histórico de povo indígena/nativo/autóctone do MS/Brasil, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça Brasileira.
A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas?? Para qual Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados 50 metros de rio Hovy onde já ocorreram 4 mortos, sendo 2 morreram por meio de suicídio, 2 morte em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um (01) ano, estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay.
De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão o cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais.
Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal, Assim, é para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e para enterrar-nos todos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem morto e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo de modo acelerado. Sabemos que seremos expulsas daqui da margem do rio pela justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo/indígena histórico, decidimos meramente em ser morto coletivamente aqui. Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.''

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Padre!

Vocês sabem o que significa a palavra padre?

 Significa “pai”, assim como o pai cuida de seus filhos o padre cuida daqueles que participam da nossa paróquia para que cresçam como verdadeiros filhos de Deus.

 Ser padre é ser abençoado e verdadeiramente escolhido por Deus. Sem dúvida nenhuma, somente alguém que tem Deus ao seu lado é capaz de realizar tantos feitos como celebrar a Eucaristia, pregar o Evangelho, acolher os pecadores, orientar e acompanhar como somente um pai pode fazer. Um pai espiritual dado pelo Senhor para nos guiar no caminho da salvação.

 O padre, como todos nós podemos ver, é o primeiro missionário de nossa comunidade. Ele está sempre conosco, atendendo as necessidades do povo, instruindo, confortando, visitando famílias, doentes, rezando missas, atendendo os pobres. Ser padre não é uma tarefa fácil! Deixar tudo é entregar-se completamente nas mãos do Senhor. Esta vocação pede força e fé. Muita fé.

 O padre é sinal de Deus, ele prega a Palavra de Deus e consagra as hóstias, pedacinhos de pão que se tornam o Corpo de Jesus. Por isso Deus chama para a vida sacerdotal quem tem um coração aberto para servir e se desapegar de tantas coisas que para nós, parecem tão importantes. A grande riqueza do padre é Jesus que ele escolheu seguir por toda a vida. O padre precisa de nós tanto quanto nós dele. Precisa do nosso apoio, colaboração e compreensão; precisa do nosso amor, da nossa amizade e de nossas orações, para que Deus lhe dê animo e coragem para seguir confiante e com alegria em sua missão.

 Ter um padre em nossas comunidades é uma benção de Deus e isto precisa ser celebrado com muito amor e alegria.
 Parabéns a todos os padres, que Deus renove diariamente a belíssima vocação a que foram chamados e a qual disseram SIM.
 Deus os abençoe e guarde!

 Gela Antunes

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

“ Ser Catequista!”


“Eu, que sou o Mestre e o Senhor, lavei os seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz” ( Jo 13, 14-15).

Caros Catequistas,

Estamos por celebrar, dia 26 de Agosto de 2012, mais um dia dedicado a vocês! Diante desta data tão importante venho, por meio desta carta, manifestar a minha gratidão e admiração, por tão bela vocação, que é a vossa: “ Ser Catequista!”

A Igreja, em seus documentos, lembra- nos que “Os Cristãos são Homens da Igreja no Coração do Mundo”. De acordo com tal afirmação tenho plena certeza de que vocês, CATEQUISTAS, São os melhores modelos para expressar tamanha verdade.

Ser Catequista é uma vocação belíssima, mas ao mesmo tempo desafiadora, perante este nosso contexto atual. Requer, de quem é chamado, muito empenho e dedicação. Pois, o espaço próprio de sua missão é o mundo vasto e complexo. Contudo, quem o chama é o próprio Cristo. E seu dever é fazer interagir a Palavra de Deus com as mais variadas realidades do dia-a-dia daqueles que nos foram confiados: nossas Crianças, Jovens e Adultos.

Tendo sempre como modelo Nosso Mestre e Senhor, o Catequista deve procurar imitá-lo através dos gestos de Acolhida, Zelo e Amor para com os Catequizandos e seus familiares, zelo apostólico que o leva a ser discípulo-missionário.

Diante desta pequena reflexão, sobre o Ser Catequista, agradeço a todos vocês: Muito obrigado pelo trabalho missionário e por toda dedicação prestados ao Reino de Deus. Peço, pela intercessão de Nossa senhora do Monte Carmelo, que Senhor Jesus Cristo  os abençoe neste dia e durante toda a vossa vida. Deus lhes pague por tudo!!!

Parabéns catequista, e que Deus o mantenha sempre firme em sua missão, em seu ministério! Feliz Dia do Catequista!

Um grande abraço fraterno!
Antonio Alves

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Segredo de Nazaré


A família não gera apenas a vida física, mas abre à promessa e à alegria. A família torna-se capaz de “receber” e “compartilhar” a história de cada um, as tradições familiares, a confiança na vida e a esperança no Senhor. A família torna-se capaz de gerar, quando faz a partilha dos dons recebidos, quando conserva o ritmo da existência quotidiana entre trabalho e festa, entre afeto e caridade, entre compromisso e gratuidade.
Na família se conserva e transmite a vida, no casal e aos filhos, com o seu ritmo, com as suas dores e alegria, paz e sonho, ternura e responsabilidade. Ela é um lugar de descanso e de motivação, com chegadas e partidas.
Por isso o trabalho não pode tornar a casa deserta e triste, mas a família é convidada a aprender a viver e a conjugar os tempos do trabalho com aqueles da festa. Muitas vezes, os membros da família confrontando-se com situações desafiantes, que dificultam viver o ideal do cristão, entretanto os discípulos do Senhor são aqueles que, vivendo na realidade das situações, sabem dar sabor a todas as coisas, mesmo aquilo que não se consegue mudar: são o sal da terra.
De modo particular, o domingo deve ser tempo de confiança, de liberdade, de encontro, de descanso e de partilha. O domingo é o momento do encontro entre o homem e a mulher. É acima de tudo o Dia do Senhor, o tempo da oração, da Palavra de Deus, da Eucaristia e da abertura à comunidade e à caridade.
E deste modo, também os dias da semana receberão luz do domingo e da festa: haverá menos dispersão e mais encontro, menos pressa e mais diálogo, menos coisas e mais presença.

Desejo-lhe uma santa e abençoada Semana Nacional da Família


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Montanha da transcendência


Montanha da transcendência

"No início da caminhada, a pessoa busca algo que está fora dela.
Um emprego.
Uma companhia.
Uma família amorosa.
Quer satisfazer uma necessidade interna com algo externo.
Precisa de alguém para satisfazer sua necessidade sexual.
Precisa do emprego para satisfazer sua necessidade de crescer.
À medida que sobe a montanha do amor e da profissão, vai aprendendo a confiar em sua capacidade de conquistar algo que a realize.
Nessa etapa, torna-se um animal competente que, quando tem fome, sabe encontrar uma fruta ou uma caça para se alimentar.
Quando lhe disserem que algo em que você acredita é impossível, tenha paciência. Talvez ele não saiba de verdade que a vida é o eterno ato de transformar o impossível em realidade.
Afinal, como explicar que dois seres humanos tão imperfeitos criem um amor tão infinito?
Como adolescentes que parecem tão limitados podem se transformar em sábios e gênios?
Como explicar que hambúrgueres, chicletes, arroz e feijão vão se transformar em você, com todo o seu esplendor?
Viver é acreditar e realizar o impossível.
Antes de Santos Dumont, ninguém achava possível fazer voar um aparelho mais pesado que o ar. Até que ele acreditou e, com determinação, criou o avião.
Meta mãos à obra e vá em frente. A fortuna bafeja os audaciosos!… Avante, pois!
A montanha da espiritualidade, na verdade, não tem topo.
Não existe um final para essa caminhada, não existe um objetivo nesse percurso, e sim a descoberta de uma maneira de Ser, uma maneira de estar em conexão com o Divino e, portanto, de ser divino.
Seu prazer maior está no jeito de caminhar. Com simplicidade, aceitação e amor.
Como aquele homem que viveu amorosamente toda a sua vida. Quando morreu, dirigiu-se ao Paraíso. Ao chegar lá, o sistema de controle estava com defeito e lhe disseram que seu nome não constava da lista. Deveria dirigir-se para o Inferno.
E o Inferno você sabe como é. Qualquer um que chegue é convidado a entrar.
Alguns dias depois, Lúcifer chegou furioso às portas do Paraíso para tomar satisfações com São Pedro: “Isso que vocês estão fazendo é puro terrorismo! Nunca imaginei que fossem capazes de um golpe tão baixo!”
Sem saber o motivo de tanta raiva, Pedro perguntou, surpreso, do que se tratava.
O demônio explicou: “Você mandou aquele sujeito para o Inferno e ele está fazendo a maior bagunça por lá. Por causa dele, está todo mundo dialogando, se abraçando, um sendo amoroso com o outro. Aquilo está virando um Paraíso!”
Para aquele homem, estar no Paraíso ou no Inferno não fazia a menor diferença.
Esta é a grande lição da montanha da transcendência: viva tão amorosamente, com tanta simplicidade que, se o colocarem no Inferno, qualquer que seja ele e mesmo por engano, o demônio o mandará de volta, correndo, para o Paraíso.
A grande descoberta no caminho da transcendência é exatamente essa: aprender a estar com amor onde você estiver”. 

(Sem medo de vencer - Roberto Shinyashiki)

domingo, 5 de agosto de 2012

Alegrai-vos sempre no Senhor!


Mensagem 
XXVII Dia Mundial da Juventude
Alegrai-vos sempre no Senhor! (Fil 4,4)


Queridos jovens,

Fico feliz em dirigir-me novamente a vocês, em ocasião do XXVII Dia Mundial da Juventude. A recordação do encontro em Madri, em agosto passado, permanece muito presente no meu coração. Foi um extraordinário momento de graça, no qual o Senhor abençoou os jovens presentes, vindos do mundo inteiro. Dou graças a Deus por tantos frutos que fez nascer naqueles dias e que no futuro não deixarão de multiplicar-se para os jovens e para as comunidades as quais pertencem. Agora, estamos já nos orientando para o próximo encontro no Rio de Janeiro, em 2013, que terá como tema “Ide, pois, fazei discípulos entre todas as nações!” (Mt 28, 19).
Este ano, o tema do Dia Mundial da Juventude nos é dado de uma exortação da Carta de São Paulo apóstolo aos Filipenses: “Alegrai-vos sempre no Senhor!” (4,4). A alegria, de fato, é um elemento central da experiência cristã. Também durante cada Jornada Mundial da Juventude fazemos a experiência de uma alegria intensa, a alegria da comunhão, a alegria de ser cristãos, a alegria da fé. Esta é uma das características destes encontros. E vemos a grande força atrativa que essa tem: num mundo muitas vezes marcado pela tristeza e inquietude, é um testemunho importante da beleza e da confiabilidade da fé cristã.
A Igreja tem a vocação de levar ao mundo a alegria, a alegria autêntica e duradoura, aquela que os anjos anunciaram aos pastores de Belém na noite do nascimento de Jesus (cfr Lc 2,10): Deus não só falou, não só realizou prodígios na história da humanidade, mas Deus se fez próximo, fazendo-se um de nós e percorreu todas as etapas da vida do homem.
No difícil contexto atual, tantos jovens em torno a nós têm uma grande necessidade de sentir que a mensagem cristã é uma mensagem de alegria e de esperança! Gostaria de refletir com vocês, então, sobre as estradas para encontrá-la, a fim que possam vivê-la sempre mais em profundidade e que vocês possam ser mensageiros entre aqueles que estão a sua volta.

1. O nosso coração é feito para a alegria

A inspiração à alegria está impressa no intimo do ser humano. Além da satisfação imediata e passageira, o nosso coração busca a alegria profunda, plena e duradoura, que pode dar ‘sabor’ à existência. E aquilo que vale, sobretudo, para vocês, para a juventude é um período de continua descoberta da vida, do mundo, dos outros e de si mesmos. É um tempo de abertura em direção ao futuro, no qual se manifestam os grandes desejos de felicidade, de amizade, de partilha e de verdade, no qual si é movido por ideais e se concebem projetos.
E cada dia são tantas as alegrias simples que o Senhor nos oferece: a alegria de viver, a alegria diante da beleza da natureza, a alegria de um trabalho bem feito, a alegria do serviço, a alegria do amor sincero e puro. E se olhamos com atenção, existem tantos motivos de alegria: os belos momentos de vida familiar, a amizade partilhada, a descoberta das próprias capacidades pessoais e o alcance de bons resultados, o apreço por parte de outros, a possibilidade de expressar-se e de sentir-se capaz, a sensação de ser úteis ao próximo. E depois, a conquista de novos conhecimentos mediante os estudos, a descoberta de novas dimensões por meio de viagens e encontros, a possibilidade de fazer projetos futuros. Mas também a experiência de ler uma obra literária, de admirar um grande trabalho de arte, de escutar e tocar música ou de ver um filme podem produzir em nós verdadeiras alegrias.
Cada dia, porém, nos deparamos também com tantas dificuldades e nos corações existem preocupações para com o futuro, ao ponto que podemos nos perguntar se a alegria plena e duradoura a qual aspiramos não é talvez uma ilusão e uma fuga da realidade. São muitos os jovens que se interrogam: é realmente possível a alegria plena nos dias de hoje? E esta busca percorre várias estradas, algumas das quais se revelam erradas ou pelo menos perigosas. Mas como distinguir as alegrias realmente duradouras dos prazeres imediatos e enganosos? Como encontrar a verdadeira alegria na vida, aquela que dura e não nos abandona também nos momentos difíceis?

2. Deus é a fonte da verdadeira alegria

Na realidade as alegrias autênticas, aquelas pequenas do cotidiano ou aquelas grandes da vida, encontram toda sua origem em Deus, mesmo se não parece à primeira vista, porque Deus é comunhão de amor eterno, é alegria infinita que não permanece fechada em si mesma, mas se expande naqueles que Ele ama e que o amam. Deus nos criou à sua imagem por amor e para derramar sobre nós este Seu amor, para encher-nos com sua presença e sua graça.
Deus quer fazer-nos participantes de sua alegria, divina e eterna, fazendo-nos descobrir que o valor e o sentido profundo da nossa vida está no ser aceito, acolhido e amado por Ele, e não com uma acolhida frágil como pode ser aquela humana, mas com um acolhimento incondicional como é aquela divina: eu sou querido, tenho um lugar no mundo e na história, sou amado pessoalmente por Deus. E se Deus me aceita, me ama e eu me torno seguro, sei de modo claro e certo que é bom que eu seja, que exista.
Este amor infinito de Deus por cada um de nós se manifesta de modo pleno em Jesus Cristo. Nele se encontra a alegria que buscamos. No Evangelho, vemos como os eventos que marcam o início da vida de Jesus são caracterizados pela alegria. Quando o anjo Gabriel anuncia à Virgem Maria que será mãe do Salvador, inicia com esta palavra: “Alegra-te” (Lc 1,28). No nascimento de Jesus, o anjo do Senhor diz aos pastores: “Eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é Cristo Senhor” (Lc 2,11).
E os magos que procuravam o menino, “a aparição daquela estrela se encheram de profunda alegria” (Mt 2,10). O motivo desta alegria é, portanto, a aproximação de Deus, que se fez um de nós. E é isto que queria dizer São Paulo quando escreveu aos cristãos de Filipo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo”. (Fil 4,4-5). A primeira causa da nossa alegria é a proximidade do Senhor, que me acolhe e me ama.

E, de fato, do encontro com Jesus nasce sempre uma grande alegria interior. Nos Evangelhos podemos ver isso em muitos episódios. Recordamos a visita de Jesus a Zaqueu, um cobrador de impostos desonesto, um público pecador, ao qual Jesus diz: “é preciso que eu hoje fique em tua casa”. E Zaqueu, diz São Lucas, “recebeu-o alegremente” (Lc 19,5-6). É a alegria do encontro com o Senhor; é o sentir o amor de Deus que pode transformar toda a existência e levar a salvação. E Zaqueu decide mudar de vida e dar a metade de seus bens aos pobres.
Na hora da paixão de Jesus, este amor se manifesta em toda sua força. Nos últimos momentos de sua vida terrena, na ceia com os seus amigos, Ele diz: “Como o pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor... Disse-vos essas coisas para que a minha alegria seja completa” (Jo 15,9.11). Jesus quer introduzir seus discípulos cada um de nós na alegria plena, aquela que Ele partilha com o Pai, porque o amor com o qual o Pai o ama esteja em nós (cfr. Jo 17,26). A alegria cristã é abrir-se a este amor de Deus e pertencer a Ele.
Narram os Evangelhos que Maria Madalena e outras mulheres foram visitar a tumba onde Jesus foi colocado depois de sua morte e receberam de um Anjo o anuncio incrível, aquele de sua ressurreição. Então deixaram rapidamente o sepulcro, escreve o evangelista, “com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria” correram para dar boa notícia aos discípulos. E Jesus veio ao encontro deles e disse: “Salve!” (Mt 28,8-9). É a alegria da salvação que é oferecida a eles: Cristo vive, é Aquele que venceu o mal, o pecado e a morte. Ele está presente em meio a nós como o Ressuscitado, até o fim do mundo (cfr Mt 28,20). O mal não deu a última palavra sobre a nossa vida, mas a fé em Cristo Salvador nos diz que o amor de Deus vence.
Esta alegria profunda é o fruto do Espírito Santo que nos torna filhos de Deus capazes de viver e de provar sua bondade, de voltar-nos a Ele com o termo “Abbà”, Pai (cfr Rm 8,15). A alegria é sinal de sua presença e de sua ação em nós.

3. Conservar no coração a alegria cristã

Neste ponto, nos perguntamos: como receber e conservar este dom da alegria profunda, da alegria espiritual?
Um Salmo nos diz: “Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração” (Sal 37,4). E Jesus explica que “o Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai vende tudo o que tem para comprar aquele campo” (Mt 13,44). Encontrar e conservar a alegria espiritual nasce do encontro com o Senhor, que pede para segui-Lo, para fazer a escolha decisiva de voltar tudo para Ele.
Queridos jovens, não tenhais medo de colocar à disposição toda a vossa vida, dando espaço para Jesus Cristo e seu Evangelho; é a estrada para haver a paz e a verdadeira felicidade no íntimo de nós mesmos, é a estrada para a verdadeira realização de nossa existência de filhos de Deus, criados à Sua imagem e semelhança.
Busquem a alegria no Senhor: a alegria da fé, é reconhecer cada dia sua presença, sua amizade: “O Senhor está próximo!” (Fil 4,5); é colocar nossa confiança Nele, é crescer no conhecimento e no amor Dele. O ‘Ano da fé’, que daqui alguns meses iniciaremos, será para nós ajuda e estímulo. Queridos amigos, aprendam a ver como Deus age em suas vidas, descubram-O escondido no coração dos acontecimentos do seu cotidiano. Creiam que Ele é sempre fiel à aliança que fez convosco no dia do vosso batismo. Saibam que não vos abandonará jamais. Volteis sempre o olhar para Ele. Na Cruz, doou sua vida porque ama cada um de vocês. 
A contemplação de um amor assim grande leva aos nossos corações uma esperança e uma alegria que nada pode abater. Um cristão não pode ser jamais triste porque encontrou Cristo, que deu a vida por ele.
Buscar o Senhor, encontrá-lo na vida, significa também acolher sua Palavra, que é alegria para o coração. O profeta Jeremias escreve: “Vossa palavra constitui minha alegria e as delícias do meu coração” (Jer 15,16). Aprender a ler e meditar a Sagrada Escritura, ali encontra-se uma resposta às perguntas mais profundas de verdade que brotam em vossos corações e em vossas mentes. A palavra de Deus faz descobrir as maravilhas que Deus operou na história do homem e, pleno de alegria, abre-se ao louvor e à adoração: “Cantai ao Senhor... adoremos, de joelhos diante do Senhor que nos fez” (cfr Sal 95,1.6).
De modo particular, a Liturgia é um lugar por excelência no qual se exprime a alegria que a Igreja atinge do Senhor e transmite ao mundo. Cada domingo, na Eucaristia, a comunidade cristã celebra o Mistério central da salvação: a morte e ressurreição de Cristo. È este o momento fundamental para o caminho de cada discípulo do Senhor, no qual se rende presente o seu Sacrifício de amor; é a via na qual encontramos Cristo Ressuscitado, escutamos Sua Palavra, nos nutrimos de seu Corpo e Seu Sangue.
Um Salmo afirma: “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!” (Salmo 117, 24). E na noite de Páscoa, a Igreja canta o Exultet, expressão de alegria pela vitória de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte: “Exulta o coro dos anjos... Alegra-se a terra inundada de tão grande esplendor... e este templo todo ecoa para as proclamações do povo em festa!”. A alegria cristã nasce da consciência de ser amado por um Deus que se fez homem, que deu Sua vida por nós e venceu o mal e a morte; e é viver de amor para ele. Santa Teresinha do Menino Jesus, jovem carmelita, escreveu: “Jesus, minha alegria é amar-te!” (P. 45, 21 de janeiro de 1897, Op. Compl., pág. 708).

4. A alegria do amor

Queridos amigos, a alegria é intimamente ligada ao amor: são dois frutos inseparáveis do Espírito Santo (cfr Gal 5,23). O amor produz alegria, e a alegria é uma forma de amor. A beata Madre Teresa de Calcutá, fazendo ecoar as palavras de Jesus: “É maior felicidade dar que receber!” (At 20,35), dizia: “A alegria é uma rede de amor para capturar almas. Deus ama quem dá com alegria. E quem dá com alegria dá mais”. E o Servo de Deus Paulo VI escreveu: “Em Deus mesmo tudo é alegria, pois tudo é dom” (Exort. ap. Gaudete in Domino, 9 de maio de 1975).
Pensando aos vários ambientes da vida de vocês, gostaria de dizer-lhes que amar significa constância, fidelidade, ter fé nos empenhos. E este, em primeiro lugar, nas amizades: os nossos amigos esperam que sejamos sinceros, leais, porque o verdadeiro amor é perseverante também e, sobretudo, nas dificuldades. E o mesmo vale para o trabalho, os estudos e as atividades que desempenham. A fidelidade e a perseverança no bem conduzem à alegria, mesmo que ela não seja sempre imediata.
Para entrar na alegria do amor, somos chamados também a ser generosos, a não nos contentarmos em dar o mínimo, mas a empenhar-nos a fundo na vida, com uma atenção especial para com os mais necessitados. O mundo necessita de homens e mulheres competentes e generosos, que se colocam a serviço do bem comum. Empenhem-se nos estudos com seriedade; compartilhem seus talentos e os coloquem desde já a serviço do próximo. Busquem a maneira de contribuir para uma sociedade mais justa e humana, onde vocês estiverem. Que toda sua vida seja guiada pelo espírito do serviço, e não pela busca do poder, do sucesso material e do dinheiro.
A propósito da generosidade, não posso não mencionar uma alegria especial: aquela que se encontra na resposta à vocação de dar toda a vida ao Senhor. Queridos jovens, não tenham medo do chamado de Cristo para a vida religiosa, monástica, missionária ou ao sacerdócio. Estejam certos que Ele enche de alegria aquele que, dedicando a vida nesta perspectiva, responde ao seu envio deixando tudo para permanecer com Ele e dedicar-se de coração inteiramente a serviço dos outros. Do mesmo modo, grande é alegria que Ele reserva ao homem e à mulher que se doa totalmente um ou outro em matrimônio para constituir uma família e tornar-se sinal do amor de Cristo por sua Igreja.
Quero destacar novamente um terceiro elemento para entrar na alegria do amor: fazer crescer em suas vidas e na vida de suas comunidades a comunhão fraterna. Existe uma estreita ligação entre a comunhão e a alegria. Não é por acaso que São Paulo escreve sua exortação no plural: não se dirige a cada um singularmente, mas afirma: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fil 4,4). Somente juntos, vivendo a comunhão fraterna, podemos experimentar esta alegria. O livro dos Atos dos Apóstolos descreve assim a primeira comunidade cristã: “Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e simplicidade de coração” (At 2,46).  Empenhem-se vocês também a fim que as comunidades cristãs possam ser lugares privilegiados de partilha, de atenção e de cuidado um com o outro.

5. A alegria da partilha

Queridos amigos, para viver a verdadeira alegria é preciso também identificar com atenção quem está longe. A cultura atual induz muitas vezes a buscar objetivos, realizações e prazeres imediatos, favorecendo mais o inconstante que a perseverança no cansaço e a fidelidade aos empenhos.
As mensagem que vocês recebem impulsionam-lhes a entrar na lógica do consumo, provendo uma felicidade artificial. A experiência ensina que ter não coincide com a alegria: existem tantas pessoas que, mesmo tendo tantos bem materiais em abundância, estão sempre assombradas pelo desespero, pela tristeza e sentem um vazio na vida. Para permanecer na alegria, somos chamados a viver no amor e na verdade, a viver em Deus.
E a vontade de Deus é que nós sejamos felizes. Por isso, nos foram dadas indicações concretas para o nosso caminho: os Mandamentos. Observando-os, nós encontramos a estrada da vida e da felicidade. Mesmo que à primeira vista possa parecer um conjunto de proibições, quase um obstáculo à liberdade, se os meditamos mais atentamente, à luz da Mensagem de Cristo, estes são um conjunto de essenciais e preciosas regras de vida que conduzem a uma existência feliz, realizada segundo o projeto de Deus.
Quantas vezes, ao contrário, constamos que construir a vida ignorando Deus e Sua vontade leva à desilusão, tristeza, sensação de derrota. A experiência do pecado, como a recusa a segui-Lo, como uma ofensa à sua amizade, traz sombra aos nossos corações.
Mas se às vezes o caminho cristão não é fácil e o empenho de fidelidade ao amor do Senhor encontra obstáculos ou registra quedas, Deus, em sua misericórdia, não nos abandona, mas nos oferece sempre a possibilidade de retornar a Ele, de nos reconciliarmos com Ele, de experimentarmos a alegria do Seu amor que perdoa e acolhe novamente. 
Queridos jovens, recorram sempre ao Sacramento da Penitência e da Reconciliação! Este é o Sacramento da alegria reencontrada. Peçam ao Espírito Santo a luz para saber reconhecer seus pecados e a capacidade de pedir perdão a Deus, recebendo este Sacramento com freqüência, serenidade e confiança. O Senhor abre sempre Seus braços a vocês, vos purificará e vos fará entrar em Sua alegria: Haverá alegria no céu mesmo que por um só pecador que se converte (cfr Lc 15,7).

6. A alegria nas provas

Por fim, porém, poderá permanecer em nosso coração a pergunta se realmente é possível viver na alegria mesmo em meio a tantas provas da vida, especialmente as mais dolorosas e misteriosas, se realmente seguir o Senhor, confiar-nos a Ele, temos sempre felicidade.
A resposta pode vir-nos de algumas experiências de jovens como vocês que encontraram justamente em Cristo a luz capaz de dar força e esperança, mesmo em meio às situações mais difíceis. O beato Pier Giorgio Frassati (1901-1925) experimentou tantas provas em sua breve existência, entre elas, uma relacionada à sua vida sentimental, que o feriu de maneira profunda. Justamente esta situação, escreve a sua irmã: “Você me pergunta se estou alegre; e como não poderia ser? A fé me dará sempre força para ser alegre! Todo católico não pode não ser alegre... A finalidade para a qual fomos criados nos mostra que o caminho está repleto de muitos espinhos, mas não um caminho triste: esse é a alegria mesmo em meio às dores” (Carta à irmã Luciana, Torino, 14 de fevereiro de 1925). E o beato João Paulo II, apresentando-o como modelo, dizia dele: “era um jovem de uma alegria contagiante, uma alegria que superava tantas dificuldades de sua vida” (Discurso aos jovens, Torino, 13 de abril de 1980).
Mais próxima a nós, a jovem Chiara Badano (1971-1990), recentemente beatificada, experimentou como a dor pode ser transfigurada pelo amor e ser misteriosamente habitada pela alegria. Aos 18 anos de idade, num momento em que o câncer a fazia particularmente sofrer, Chiara rezou para que o Espírito Santo intercedesse pelos jovens de seu Movimento [Movimento dos Focolares]. Antes de sua cura, pediu a Deus que iluminasse com Seu Espírito todos aqueles jovens, dando a eles a sabedoria e a luz: “Foi mesmo um momento de Deus: sofria muito fisicamente, mas a alma cantava” (Carta de Chiara Lubich, Sassello, 20 de dezembro de 1989). A chave de sua paz e sua alegria era a completa confiança no Senhor e a aceitação também de sua doença como misteriosa expressão de Sua vontade para o seu bem e de todos. Repetia sempre: “Se você quer, Jesus, eu também quero”.
São duas simples testemunham entre tantas que mostraram como o cristão autêntico não é nunca desesperado e triste, mesmo diante das provas mais duras e mostram que a alegria cristã não é uma fuga da realidade, mas uma força sobrenatural para enfrentar e viver as dificuldades cotidianas. Sabemos que Cristo crucificado e ressuscitado está conosco, é o amigo sempre fiel. Quando participamos de seus sofrimentos, participamos também de suas alegrias, Com Ele e Nele, o sofrimento é transformado em amor. E lá se encontra a alegria (cfr Col 1,24).

7. Testemunhas da alegria

Queridos amigos, para concluir, gostaria de exortar-lhes a serem missionários da alegria. Não se pode ser feliz se os outros não são: a alegria, portanto, deve ser compartilhada. Vão e contem aos outros jovens a alegria de vocês por terem encontrado aquele tesouro precioso que é o próprio Jesus. Não podemos guardar para nós a alegria da fé: para que esta possa permanecer conosco, devemos transmiti-la. São João afirma: “O que vimos e ouvimos, isso nós anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco... Estas coisas vos escrevemos, para que o vossa alegria seja plena. (1Jo 1,3-4).
Muitas vezes é descrita uma imagem do cristianismo como de uma proposta de vida que oprime a nossa liberdade, que vai contra nosso desejo de felicidade e de alegria. Mas esta não corresponde à verdade! Os cristãos são homens e mulheres realmente felizes porque sabem que nunca estão sozinhos, mas estão sempre apoiados pelas mãos de Deus! Cabem, sobretudo, a vocês, jovens discípulos de Cristo, mostrar ao mundo que a fé leva a uma felicidade e a uma alegria verdadeira, plena e duradoura. E se o modo de viver dos cristãos parece às vezes cansativo e chato, testemunhem vocês por primeiro a alegria e a felicidade da fé de vocês. O Evangelho é a boa nova que Deus nos ama e que cada um de nós é importante para Ele. Mostrem ao mundo que é mesmo assim!
Sejam, portanto, missionários entusiasmados pela nova evangelização! Levem àqueles que sofrem, àqueles que buscam, a alegria que Jesus quer doar. Levem-na para suas famílias, em suas escolas e universidades, nos lugares de trabalho e nos grupos de amigos, lá onde vivem. Vocês verão que essa é contagiosa. E receberam o cêntuplo: a alegria da salvação para vocês mesmos, a alegria de ver a Misericórdia de Deus operando nos corações.
No dia do seu encontro definitivo com o Senhor, ele poderá lhe dizer: “Servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu Senhor!” (Mt 25,21).
A Virgem Maria vos acompanha neste caminho. Ela acolheu o Senhor dentro de si e anunciou com um canto de louvor e de alegria, o Magnificat: “Minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 1,46-47). Maria respondeu plenamente ao amor de Deus dedicando sua vida a Ele num serviço humilde e total. É chamada de “a causa da nossa alegria”, porque ela nos deu Jesus. Que Ela vos introduza nesta alegria que ninguém vos poderá tirar!


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia do Amig@ 2012


"Sem amigo nada é amigável" ( S. Agostinho)
Olá Amigos e Amigas,
hoje celebramos o dia internacional da amizade ou dia do amigo. Eu não poderia deixar passar este dia sem homenagear pessoas tão especiais em minha vida, que são vocês, meus amigos e amigas! Muitos de vocês já me ouviram falar que sou muito feliz por ter a suas amizades!!! Eu não me entedio de falar que sou um homem rico e muito feliz, pois quem tem um amigo, uma amiga tem um tesouro.
E para expressar a minha gratidão e sentimento de alegria aponto alguns milagres que a amizade pode realizar: OS MILAGRES DA AMIZADE (Roque Schneider)
“A amizade torna os fardos mais leves, porque os divide pelo meio.
A amizade intensifica as alegrias, elevando-as ao quadrado na matemática do coração.
A amizade esvazia o sofrimento, porque a simples lembrança do amigo é alívio.
A amizade ameniza as tarefas difíceis, porque a gente não as realiza sozinho.
São dois cérebros e quatro braços agindo.
A amizade diminui a distância.
Embora longe, o amigo é alguém perto de nós. A amizade enseja confidências redentoras: problema partilhado, percalço amaciado; felicidade repartida, ventura acrescida.
A amizade coloca música e poesia na banalidade do cotidiano.
A amizade é a doce canção da vida e a poesia da eternidade.
O amigo é a outra metade da gente.
O lado claro e melhor.
Sempre que encontramos um amigo, encontramos um pouco mais de nós mesmos.
O amigo revela, desvenda, conforta.
É uma porta sempre aberta, em qualquer situação.
O amigo na hora certa é o sol ao meio-dia, estrela na escuridão.
O amigo é a bússola e rota no oceano, porto seguro da tripulação.
O amigo é o milagre do calor humano que Deus opera num coração”.

Um grande abraço a tod@s e que Deus abençoe sempre a nossa amizade.

FELIZ DIA DO AMIGO!!!

Antonio Alves

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Dom Helder e o Pacto das Catacumbas

PACTO DAS CATACUMBAS DA IGREJA SERVA E POBRE

Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as deficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado; contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda a determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça, comprometemo-nos ao que se segue:
1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.
2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.
3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s.
4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.
5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.
6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.
7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suas dádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.
8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração, meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.
9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relações mútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.
10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5, 16.
11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos:
  • a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres;
  • a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria.
12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:
  • esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles;
  • suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o espírito, do que uns chefes segundo o mundo;
  • procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;
  • mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.
13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão, seu concurso e suas preces.
AJUDE-NOS DEUS A SERMOS FIÉIS.


Dom Helder e o Pacto das Catacumbas

quinta-feira, 24 de maio de 2012

REZANDO NOSSO SONHO


REZANDO NOSSO SONHO
(Pe. Hilário Dick)

É preciso, Senhor, sonhar com nossos sonhos.
Tendo presente o sonho eterno que tiveste com a juventude.
O primeiro sonho que tiveste comigo chama-se IDENTIDADE.
TU QUERES QUE EU SEJA EU MESMO.
Vejo Teu Filho pegando os jovens na mão, dizendo com força, “menino, levanta-te!”
É o que atrevemos chamar de protagonismo juvenil.
Como ser, contudo o PROTAGONISTA que queres de mim,
Não tendo em teu Filho o caminho, a verdade e a vida?
Acredito que a fonte do SEGUIMENTO DE JESUS é vital.
Sonhar nossos sonhos sem sentar-se à beira deste poço
É cavar cisternas com água estragada.
Meu sonho é ver e construir CIDADÃOS E CIDADÃS respeitados e dignos,
Vivendo da partilha e de um relacionamento onde se cuide da educação,
Da saúde e da moradia como se cuida de nossas preferências.
Senhor, como Tu, anseio por homens e mulheres carregando as novidades do Reino,
Sem machismos nem submissões.
Onde ninguém é mais do que ninguém...
Quero o lugar mais bonito de minha vida para os POBRES,
Quero ser ciumento contigo, tendo um amor preferencial aos excluídos...
Olho a natureza e fico irado o que fazem com o que criaste com teu amor de Pai e Mãe.
Sei que devo ser a expressão e o guarda dessas maravilhas que dão vida para o mundo.
Percebo, Senhor, que os jovens são muitos.
E precisam ser respeitados em suas DIVERSIDADE,
Fazendo que não sejam somente jovens
Mas estudantes, trabalhadores, agricultores, índios, negros e brancos.
Realizando-se e construindo-se felizes naquilo que são, no chão concreto de suas vidas.
Agradeço Senhor, porque me mostraste que na vida, o que manda é a ESPERANÇA.
Que eu como jovem me sinta chamado a ser sacramento de vida
Num sistema que nos quer convencer que somos feitos para a morte.
Que eu desaprenda a ver somente a mim!
Que eu seja um ninho acolhedor para o DIFERENTE.
Que eu tenha coragem de encarnar-me,
Aprendendo a ser a partir de meu dia-a-dia.
Não quero, Senhor, viver só.
Dentro de mim pulsa o comunitário e o grupo,
Os amigos e amigas de minha construção.
Bem-aventurado quem participa com paixão de uma CONSTRUÇÃO GRUPAL.
Não quero Senhor, um farrapo de pessoa.
Meu sonho é a INTEGRIDADE.
Crescer em todas as dimensões, desta minha afetividade.
Até minha capacidade prática e política de tecer comunidade.
Sei Senhor, que sou pequeno e mesquinho sem a CAUSA DO TEU REINO.
Ele é meta, é proposta, é resposta.
Ele é a raiz eterna para uma sociedade de justos, livres e irmãos.
Sonho, também, na ORGANIZAÇÃO que devo amadurecer.
Sabendo o que quero e sabendo o que quero construir.
Que eu não seja pequeno na discussão de nossa organização.
Sinto enfim, que o caminho mais feliz com a companhia segura e firme.
De pessoas mais amadurecidas na fé e na vida.
Senhor, assim como sou acompanhado e assessorado,
Preciso preparar-me para um dia, ser acompanhante e assessor de jovens.
Que são mais felizes andando com outros, mais vividos,
De mãos enlaçadas, todos construindo a felicidade de todos.
Amém.

PROJETAR A VIDA

Lucas 4, 14-21

1-      Que iluminação este texto traz para minha vida?
2-      Que direção o seguimento de Jesus aponta para minha vida hoje?
3-      Que dificuldades enfrento para o discernimento de meu projeto de vida pessoal, eclesial e social?