quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Natal do Senhor!


Natal do Senhor!



Queridos Amigos e Amigas,     

Estamos nos aproximando de mais um Natal do Senhor.
Natal é tempo de encontro familiar, muita festa, muita alegria e felicidade...
Mas, também, é tempo de reflexão, somos motivados a fazermos uma avaliação pessoal, diante de tantas interrogações que se apresentam a nós: O que eu fiz de fundamental? O que deixei de fazer? Como aproveitei as oportunidades dadas a minha pessoa? E tantas outras...
Para nós, cristãos, é tempo de muita alegria e felicidade, pois celebramos nesta época o nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Foi na noite santa do natal que o anjo do Senhor apareceu aos pastores e disse: “Eu anuncio para vocês a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor” (Lc 2,10-11).
Motivo de grande alegria porque Deus está conosco, é o Emanuel. Com este evento maravilho, Ele se fez homem como nós, porque nos ama e quer o nosso bem, a nossa felicidade.
Que possamos abrir a nossa vida e o nosso coração para acolher, Jesus, que quer renascer, e fazer morada, em cada um de nós. Que isto seja motivo de grande alegria e festa para nós, assim como foi para muita gente, naquele dia!
Com a festa do Natal temos a certeza de que Deus ama os pobres e por isso se fez pobre também, desceu à terra, nascendo em uma manjedoura, fez pousada em Belém, a casa do pão. E hoje quer habitar em nossos corações.
Meus Amigos e Amigas, que neste Natal, Jesus Menino, possa renascer em nossas vidas e fazer parte da nossa amizade. Que possamos sentir a sua presença  em nosso dia-a-dia Ele que é o príncipe da paz, do amor e do perdão.

O meu desejo é que nesta noite Santa a prece de todos seja:

Menino Jesus, nesta noite, depositamos diante de tua manjedoura todos os nossos sonhos, alegrias e esperanças. Mas, também, todas as lágrimas, tristezas e dificuldades contidas em nossos corações. Pedimos Senhor, por aqueles que mais sofrem, os pobres e excluídos, também, por aqueles que Te buscam sem saber onde Te encontrar. Faze Senhor com que eles percebam que Tu estás no meio deles. Abençoa Bom Deus, cada pessoa do planeta Terra, de modo especial, os meus amigos e amigas colocando em seu coração um pouco da Tua luz que é eterna, cuja a festa celebramos nesta noite santa de Natal. Por fim te pedimos que caminhe conosco, Senhor. Para sermos sempre felizes de acordo com a tua vontade. Assim seja! 

Desejo a tod@s um Feliz e Santo Natal  e um abençoado 2012.

Antonio Alves

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Vem Senhor Jesus!



Vem Senhor Jesus!
O Tempo do Advento é o período em que se prepara o Natal do Senhor. Com ele iniciamos o que a Igreja compreende como ano litúrgico. Neste tempo, de espera do Salvador que virá, o Deus conosco, somos convocados a vigilância e a conversão.
Refletiremos durante quatro domingos e a respeito da vinda de Jesus, com muita esperança e numa alegria crescente, mas, ao mesmo tempo, numa atitude de vigilância e de meditação. Na verdade, desde o primeiro domingo, a Igreja recorda-nos a vinda gloriosa de Cristo, no fim dos tempos. Comemoramos a espera do povo de Deus, de que João Batista, José e Maria serão os representantes eleitos, contudo, é tempo, também, de vivemos o nosso próprio Advento, esperando o Senhor, que virá visitar a cada um de nós  e certamente ele espera que o acolhamos em nossa vida.
Ao longo dos três domingos que se seguem, Isaías convida-nos à fidelidade, João Batista à conversão, Maria ensina-nos a disponibilidade e José a confiança. Diante de tal afirmação podemos ter a certeza de que, o Senhor virá ou, segundo o espírito da liturgia, vem, Senhor, não tardes mais! Vem Saciar nossa Sede de Paz!
Segundo alguns historiadores, da Igreja, o tempo do advento já era celebrado no século IV, antes mesmo que a festa do Natal fosse separada da Epifania.
A cor deste período é o roxo, os celebrantes revestem-se desta cor, para indicar a penitência, a conversão a Deus. Mas também, esta é a cor da sobriedade, da solidariedade e da pobreza daqueles que se preparam para uma festa na qual se realizará todos os seus desejos.
O rosa, que também é usado neste tempo, como sinal de alegria pelo próximo nascimento de Jesus, é usado no terceiro domingo do Advento, chamado de Domingo “Gaudete” (Alegrai-vos) ou domingo da alegria.
 O símbolo mais conhecido do Tempo do Advento é a sua coroa, feita com ramos e flores e decorada com bolas e fitas. Ela rodeia as quatro velas que serão acesas em cada domingo que se segue, uma após outra, ao longo deste período.
As quatro velas indicam as quatro semanas do Tempo do Advento, as quatro fases da História da Salvação preparando a vinda do Salvador, os quatro pontos cardeais, a Cruz de Cristo, o Sol da salvação, que ilumina o mundo envolto em trevas.
O ato de acender gradativamente as velas significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas. Originariamente, as velas eram três de cor roxa e uma de cor rosa, as cores dos domingos do Advento.
O grande significado da coroa do advento é justamente a proposta de conduz-nos, luz após luz, para a claridade irradiante da noite de Natal, onde celebramos o nascimento de nosso Salvador, Jesus Cristo.
Esperemos, portanto, com muita alegria aquele que virá para caminhar com a gente, o Emanuel, o Deus conosco!
Um Santo Advento a tod@s!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Marta e Maria: acolher Jesus, acolher o irmão, na escuta e no serviço!


Marta e Maria: acolher Jesus, acolher o irmão, na escuta e no serviço.
( Lc 10, 38-42)
“Enquanto caminhava, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e ficou escutando a sua palavra. Marta estava ocupada com muitos afazeres. Aproximou-se e falou: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha ajudar-me! O Senhor, porém, respondeu: Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; porém, uma só coisa é necessária, Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.”

Colocação do Texto:

MARTA E MARIA: acolher Jesus, acolher o irmão, na escuta e no serviço.
A cena evangélica de Jesus em casa de Marta e Maria ( Lc 10, 38-42) tem fascinada os cristãos, ao longo dos séculos. Na interpretação tradicional, Marta representa a “ Vida ativa” e Maria a “vida contemplativa”. Esta última é superior à vida ativa, porque “ Maria escolheu a melhor parte”. O ideal, porém, seria harmonizar as duas atitudes. O serviço de Marta pode relacionar-se com o mandamento do Amor ao próximo ( Lc 10, 29-37), enquanto a atitude de escuta de Maria está relacionada com o ensinamento sobre a oração ( Lc 11, 1-13).
A vida ativa e a vida contemplativa
A história a recordar, aqui, dificilmente poderá ser contada em menos palavras que o próprio texto: Jesus, a caminho de Jerusalém, entra numa aldeia. Marta o recebe em sua casa. Sua irmã, Maria, sentada aos pés do Senhor, escuta suas palavras. Marta atarefada, queixa-se de sua irmã: “Dize-lhe que me ajude, Senhor”. Jesus responde: “Marta, Marta...Uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte” (Lc 10,38-42). A casa de Marta e Maria, é um lugar de encontro e amizade, não é para Jesus meta ou fim de viagem, mas apenas ponto de apoio, restaurador de energias físicas e afetivas.
Concretamente o texto de Lucas testemunha uma mudança na visão da mulher no seguimento de Jesus. Enquanto Marta ocupa-se das “tarefas caseiras”, tipicamente femininas, na sociedade patriarcal, Maria tem coragem de assumir a atitude própria de um discípulo: sentada aos pés de Jesus, escuta a palavra, tornando-se assim discípula. Pretendemos aqui apenas fazer uma leitura espiritual do episódio de Marta e Maria.
No primeiro momento, contemplamos Jesus. O texto não chama pelo nome, mas pelo título Senhor. Ele é sem dúvida o personagem central, o protagonista da cena de Betânia. Marta o recebe em sua casa. Maria escuta suas palavras. As duas irmãs são diferentes entre si. Maria parece ser mais nova e mais tímida que Marta. Esta tem um gênio mais vivo e extrovertido. Jesus tem um afeto todo especial para com cada uma delas. Entre as possíveis etimologias do nome Maria, está o significado de “amada”. Certamente Maria se sente amada por Jesus, e Marta também ( Jo 11, 5). Por sua vez, aquele que não tinha onde repousar a cabeça (Lc 9, 58), em Betânia, sente-se “em casa”, acolhido por estas duas mulheres.
Nesta, como em outras muitas cenas da vida pública do Senhor, admiramos a liberdade de Jesus, frente aos rígidos costumes da cultura judaica da época. No tempo de Jesus, um homem não podia entrar em casa de duas mulheres, aparentemente sozinhas. Nem aos rabinos aceitavam que as mulheres se sentassem aos seus pés. Como discípulas.
À liberdade de Jesus corresponde confiança e o afeto manifestado pelas duas irmãs de Betânia. A hospitalidade, bela virtude humana e cristã, hoje, parece estar mais ameaçada pela mudança dos tempos, a agitação da vida, a violência, etc. Mas um de nossos teólogos garante que a Igreja do próximo século reaprenderá a ser “mestra da hospitalidade”, para todas as pessoas para cada pessoa, em sua individualidade única e irrepetível.
Conversa franca com o Senhor, Eu e  Jesus.
Neste momento, o episódio de Marta e Maria poderá criar o clima adequado para uma conversa franca com o Senhor. Como Saulo, na estrada de Damasco, “Que devo fazer Senhor?” (At 22, 10). E , como Zaqueu, deverá estar disposto a pagar todas as suas dívidas, para hospedar na sua casa.
Visitar alguém, gratuita e desinteressadamente, é demonstrar que esse alguém é importante para nós. As pessoas não precisam apenas de pão, saúde trabalho, dinheiro... precisam também de atenção, amizade, valorização. Visitando-as Jesus mostra a Marta e Maria que elas são importantes para Ele. O olhar de Jesus dignifica as duas irmãs como pessoas, como seres humanos necessitados de afeto. Só de visita-las e olhá-las com carinho, Jesus as faz mais bonitas. Pudéssemos nós olhar sempre os outros/as assim, com o olhar de Jesus!
A vista de Jesus é fonte de alegria e crescimento humano para as duas irmãs de Lázaro. Maria se torna mais contemplativa, porque se sente amada por Jesus. Marta, repreendida e não menos amada, não deixará de ser ativa, mas crescerá no seu entusiasmo pela pessoa e pela missão de Jesus.
O importante não é saber quem ama mais a Jesus, Marta ou Maria. O essencial é que o Senhor ama as duas. Como na parábola do Filho Pródigo, o amor do Pai é maior do que as diferenças entre os dois irmãos, assim também, aqui, o amor de Jesus é maior que as diferenças entre Marta e Maria. Sentiria Marta ciúmes da irmã, o seria Maria quem invejaria as boas qualidades de Marta? Basta saber que Jesus amava muito Marta, à sua irmã Maria e a Lázaro ( Jo 11,5).
Maria de Betânia
Neste ponto, poderíamos ver Maria de Betânia. Espelhado no seu olhar, encontraremos o amor do seu amigo Jesus. Se Maria tivesse escrito ou narrado este episódio, provavelmente ela se chamaria “a discípula que Jesus amava”. No relato de Lucas, ela ocupa uma posição privilegiada, “sentada aos pés do Senhor”. Tal atitude era característica dos discípulos, diante do seu mestre (At 22,3). À revelia dos costumes da época, Jesus aceita e louva esta atitude, inusitada numa mulher.
Maria de Betânia nos é apresentada como pessoa “calma e contemplativa”, aparentemente inativa. O texto de Lucas não nos refere nenhuma palavra dela. O que poderia falar, na presença do Senhor? O que Maria quer é não perder nenhuma das palavras que saem da boca de Jesus. Ela não fala, porque está inteiramente concentrada na escuta da Palavra.
Santa Teresa dizia que Maria “já tinha feito o oficio de Marta, quando serviu o Senhor, lavando-lhes os pés e enxugando-os com os cabelos”. A santa identifica Maria de Betânia com a pecadora ( Lc 7, 37-38). Tal identificação carece de fundamento. Mas o quarto evangelho conta que Maria de Betânia fez o mesmo, em situação a da pecadora: ungiu os pés de Jesus com perfume muito caro e enxugou com os cabelos (Jo 12,1-8). Mulher apaixonada exprime seu amor em gestos, mais que em palavras. Discípula humilde antecipa-se à recomendação de Jesus na Última Ceia, quando pedirá aos discípulos que lavem os pés um dos outros. O quarto evangelista apresenta, pois, Maria como a discípula amada que soube crer e amar, em contraste com a infidelidade de Judas Iscariotes.
Maria “escutava a palavra” do Senhor.
O tema é importante na teologia de Lucas (Lc e At). Dupont relaciona a atitude de Maria de Betânia com a condição daqueles que consagram seu tempo e as suas forças ao estudo da palavra de Deus. Evoca o episódio narrado em At 6, 1-6, onde constatamos a importância que os primeiros cristãos davam ao serviço da palavra. Ao primado da palavra, função própria dos apóstolos, corresponde a um primado da escuta da palavra da parte dos fiéis. “É pela escuta da Palavra que a fé dos cristãos vive e se desenvolve, levando os crentes a se porem a serviço dos desamparados”. Meio século mais tarde, quando Lucas escreve seu evangelho, o problema da relação entre escuta da Palavra de Deus e o serviço dos outros, especialmente dos mais pobres continuava atual.
“Maria escolheu a melhor parte”
Qual é a parte é a parte de Maria, que não lhe será tirada? A parte de Maria é escutar a palavra de Jesus. Na linguagem dos rabinos, a parte privilegiada é a dos homens que permanecem na casa de estudo para estudarem a Tora.
Nas sinagogas tradicionais, as mulheres judias não participavam da leitura da Tora, reservada aos homens. Elas assistem ao oficio sinagogal em recinto á parte, reservado para elas. Quando a palavra do Senhor se manifestava raramente em Israel, Deus escolheu o menino Samuel para falar ao povo. Agora, na plenitude dos tempos, a própria Palavra de Deus, feita homem, quer dirigir-se a esta mulher humilde, chamada Maria, como a virgem de Nazaré.
Certamente, a palavra que Maria escutava a levará a agir em favor dos outros, já vimos como ela manifestou seu amor, resolutamente, seu amor a Jesus (Jo 12, 1-8). A própria Santa Teresa, comentando Lc 10, 38-42, escreve: “apreciemos a oração e ocupemo-nos dela, não para nos deleitar, mas para ter forças para servir”, trabalhar pelo Senhor, ao serviço dos irmãos e das irmãs é consequência indispensável da união íntima com Ele.
Marta de Betânia.
Neste ponto, queremos, ver, escutar, e considerar a pessoa de Marta. Sua personalidade contrasta e complementa a de sua irmã Maria. Marta, nome que significa senhora, é mulher trabalhadora, pratica e cheia de vitalidade. Pensa em tudo, está atenta a tudo, ocupa-se de tudo. É o tipo de pessoa que toda empresa gostaria de ter entre seus funcionários. Não teria muita dificuldade de arranjar um bom marido, embora Lucas ignora se era casada, solteira ou viúva. O que o texto dá a entender é que Marta era a dona da casa. Como boa dona de casa Marta sente-se puxada de todos os lados, com os afazeres da casa. Então se queixa com Jesus: Senhor não te importa que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha me ajudar! (Lc 10, 40). A resposta de Jesus tem um ar de repreensão, mas não exclui a amizade, antes a supõe. Jesus tinha muito amor a Marta, diz Jo 11, 5. O diálogo entre eles, recolhido por Lucas, só é possível em clima de confiança.
Marta se queixa com espontaneidade. E Jesus responde com carinho: Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas (Lc 10, 41). Uma só coisa é necessária.
Mas, por que Jesus corrigiu Marta, tão amiga dele? O que Jesus que enfatizar na sua maneira radical de falar, é a necessidade, a urgência de dar prioridade ao Reino de Deus, presente já na pessoa.
No quarto evangelho ela só será apresentada como discípula de grande fé ( Jo 11,10-44). No episódio narrado por Lucas, em que errou ela? Por que a repreendeu o Senhor, ele que foi tão compassivo com Maria Madalena (Lc 8, 2) e com a mulher encurvada (Lc 13, 10-13)?
Jesus repreende Marta não por ser ativa, mas por não aceitar que sua irmã seja diferente. O pedido de Marta parece indicar a pretensão de que Maria seja como ela. Ora, Jesus ama Marta, a ativa, mas gosta também do jeito contemplativo de Maria, cada pessoa é única, uma preciosidade irrepetível. Deveríamos aceitar os outros como são e não como gostaríamos que fossem.
Um pequeno exercício de imaginação pode ajudar a compreende melhor a repreensão de Jesus a Marta. Suponhamos que não fosse Marta que se queixasse, mas Maria. Esta teria dito: Senhor, veja que falta de educação de minha irmã. Tu vens nos visitar, ela continua fazendo o trabalho da casa. Dize-lhe que venha escutar-te!.  Nesse caso, creio que Jesus teria repreendido a Maria: Maria, Maria...tu escolhestes a melhor parte, mas alguém precisa fazer o exercício da casa e preparar a refeição.
 Conhecer a Jesus que se revela no outro
Marta e Maria podem ser vistas como tipos representativos da nossa amizade com Jesus. Todos os cristãos, de maneira particular e que pretendemos aprofundar a nossa relação com o Senhor. Sentimos desejo de fazer algo para Ele, no serviço aos irmãos e irmãs. Mas no meio das nossas atividades, experimentamos a saudade de uma vida mais serena e concentrada na contemplação daquele que nos amou até o fim, até o extremo de dar sua vida por nós.
Não raro, somos como esses pais ou mães de família que, absorvidos pelos trabalhos, necessários para o sustento dos filhos, esquecendo-se do que é necessário ou mais importante para estes: a atenção, os pequenos gestos de carinho, a expressão serena e descontraída do amor. Porque todo o dinheiro do mundo, todo o conforto que a moderna tecnologia pode oferecer a uma família, não substituiria jamais a presença de um pai e de uma mãe, sacramento invisível da presença de nosso Deus Pai/Mãe.
A presença dos pais fundamenta a presença dos irmãos e irmãs. As diferenças naturais entre eles enriquecem o conjunto da família. Ajudar os filhos é ganhar o coração dos pais. Acolher Jesus, no irmão, é acolher o próprio Cristo.
O episódio de Marta e Maria não fala do irmão delas, Lázaro, nem da sua revificação, sinal da Ressurreição de Cristo. Seu objetivo é mais modesto. O texto de Lucas ilustra duas maneiras legítimas e complementares de ser discípulo, discípula de Jesus: escutar sua palavra e trabalhar, por causa dele, no serviço dos outros.
O Senhor ama com amor único e especial, cada uma das irmãs. Mas a Marta, que não aceita o modo de ser de Maria ensina-lhe a respeitar, amar e valorizar o outro, o diferente. Esta nos parece ser a mensagem mais atual e relevante deste belo texto evangélico. Portanto, meus irmãos e irmãs Amor ao Serviço e a Perseverança na Oração são as duas fontes principais de alimentação do ministério.

(Cf. Luis González-Quevedo, SJ, “Marta e Maria: Acolher Jesus, acolher o irmão, na escuta e no serviço”. Itaici, n. 32 )


domingo, 16 de outubro de 2011

“Bote Fé Campinas Eu Acredito na Juventude”


“Bote Fé Campinas Eu Acredito na Juventude”

Desde o último dia 21 de agosto, quando o Papa Bento XVI anunciou que a próxima Jornada Mundial da Juventude será no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, Jovens de todos os Estados de nossa Nação se reúnem em vigílias, se encontram, se organizam e se mobilizam para participar ativamente neste evento importantíssimo para a Juventude Católica.
A visita que a o Ícone de Nossa Senhora e a Cruz da Jornada fazem às dioceses do país, sede do evento, é de fundamental importância para motivar os jovens a participarem do encontro mundial. Ela possibilita, também, o encontro de jovens que não poderão e nem terão condições de estarem presente na Jornada por vários motivos, como bem conhecemos a realidade de nosso país e de nosso continente.
No Brasil esta visita dos símbolos da JMJ já começou desde o último dia 17 de setembro, na arquidiocese de São Paulo, com o evento “ Bote Fé”. Agora está chegando a nossa vez, juventude da Arquidiocese de Campinas!
O nosso encontro foi neste domingo, 09 de outubro, na TV Século 21, em Valinhos. Muitos jovens de nossas paróquias, comunidades, pastorais e movimentos já estão trabalhando para a realização deste evento, aonde acolheremos a Cruz e o Ícone da JMJ em nossa Arquidiocese.
As expectativas para este dia são muitas temos inscritos para atuarem como voluntários do “Eu Acredito na Juventude” mais de 130 jovens de todas as cidades da nossa região Metropolitana: Campinas, Sumaré, Hortolândia, Valinhos, Vinhedo, Indaiatuba. Sem contar com pessoas de Americana,  Jaguariúna, e até mesmo do Rio de janeiro. Nos sites e redes sociais o que mais vemos é a juventude: “curtir”, “Compartilhar” e “Comentar” é o: “Bote Fé Campinas Eu Acredito na Juventude”. A última novidade do momento é a música que o nosso amigo Nilton Junior, da Comunidade Católica Pantokrator, fez  especialmente para a chegada da Cruz da JMJ e Ícone de Nossa Senhora, na Arquidiocese.
Nós jovens seminaristas, da Arquidiocese de Campinas, também acreditamos na juventude e estaremos presentes de forma ativa, tanto os da Teologia, como da Filosofia e também os Vocacionados do Instituto Propedêutico São José. Alguns estão a frente da organização do evento, mas todos estamos trabalhando e divulgando este momento. Como futuros padres da Santa Igreja, principalmente desta Igreja particular de Campinas, não podemos ficar fora deste momento importante para nossa Juventude Católica.
Que Maria, a Imaculada Conceição, cumpra com seu manto toda a nossa juventude e que o Cristo Crucificado - Ressuscitado, nos abençoe e nos ajude neste dia de manifestação da fé, onde a Juventude  responde ao seu apelo: “Ide e fazei discípulos de todos os povos”.

RIFA-SE UM CORAÇÃO


RIFA-SE UM CORAÇÃO
Rifa-se um coração
Um coração idealista
Um coração como poucos
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque
Que insiste em pregar peças no seu usuário.

Rifa-se um coração
Que, na realidade, está pouco usado
Meio calejado, meio machucado
E que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
Que nunca desiste
Um leviano
E precipitado coração
Que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu:
"Não quero dinheiro, quero amor sincero, isso é que eu espero!"
Um idealista
Um verdadeiro sonhador.

Rifa-se um coração
Que nunca aprende, que não endurece
E mantém sempre viva a esperança de ser feliz.
Sendo simples e natural.
Um coração insensato
Que comanda o racional
Sendo louco o suficiente
Para se apaixonar.
Um furioso suicida
Que vive procurando
Relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração
Que insiste em cometer
Sempre os mesmos erros.
Esse coração
Que erra, que briga, se expõe
Perde o juízo por completo
Em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes,
Revê suas posições
Arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido
Tantas vezes provocado
Tantas vezes impulsivo
Um coração para ser alugado
Ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um coração abastado
Indicado apenas para quem quer viver intensamente.
E, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
Defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração
Tão inocente
Que se mostra
Sem armaduras
E deixa louco
O seu usuário.
Um coração que, quando parar de bater, ouvirá seu usuário dizer:
"O senhor pode conferir, eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento,
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança,
Que insiste em não endurecer se recusa a envelhecer."

Rifa-se um coração
Ou até mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo,
Um órgão fiel ao seu usuário
Um "amigo do peito" que não maltrate tanto o ser que o abriga
Um coração que não seja tão inconseqüente.

Rifa-se um coração
Cego, surdo, mudo
Mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado.
Provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais
Por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano,
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado,
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar.
Uma vez por outra constrange o corpo que domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos,
A ter a petulância de se aventurar como poeta.

Clarice Lispector

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A NOVELA DE JOSÉ

NOVELAS  BÍBLICAS

Novela Bíblica é um gênero literário que faz a narrativa de textos da Bíblia. O tempo da novela é o passado. Esta espécie de gênero apresenta um enredo com início, meio e fim e, como toda novela, geralmente mostra um final feliz!
Segundo Cássio Murilo,  a novela bíblica: “parte de uma série de outros acontecimentos. Não são acontecimentos públicos, mas fatos da vida pessoal e privada de um personagem, seus sentimentos e reações. A trama se desenvolve em três tempos: Inicia-se com uma situação de conflito ou tensão; se desenvolve com o desdobramento do conflito, que se agrava; e termina com a resolução do conflito, o desenlace final"
Nas Sagradas Escrituras, especificamente no Primeiro Testamento, encontramos seis novelas a  de José do Egito, de Rute, de Tobias, de Judite, de Ester e, por fim, a de Jonas.

A HISTÓRIA DE JOSÉ

O livro do Gênesis está dividido em quatro partes, principais, a saber: Ciclo de Abraão, Ciclo de Jacó, Ciclo de Isaac e a história de José. Diante desta estrutura a narrativa de José serve de ligação entre a história de Abraão e a história de Moisés.
Nesta história temos um drama que envolve Judá, representando o Reino do Sul, e José que se apresenta como principal representante do Reino do Norte.

A NARRATIVA

  Gênesis  37.
2 Segue aqui a história dos descendentes de Jacó. Quando tinha dezessete anos, José apascentava as ovelhas com os irmãos, como ajudante dos filhos de Bala e Zelfa, mulheres de seu pai. E José falou ao pai da péssima fama deles. 3 Ora, Israel amava mais a José do que a todos os outros filhos, porque lhe tinha nascido na velhice; e por isso mandou fazer para ele uma túnica de mangas compridas. 4 Os irmãos, percebendo que o pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e já não podiam falar-lhe pacificamente. 5 Ora, José teve um sonho e contou-o aos irmãos, que o ficaram odiando ainda mais. 6  Disse-lhes ele: “Escutai o sonho que tive: 7 Estávamos no campo atando feixes de trigo. De repente o meu feixe se levantou e ficou de pé, enquanto os vossos o cercaram e se prostraram diante do meu”.          8 Os irmãos lhe disseram: “Será que irás mesmo reinar sobre nós e dominar-nos?” E odiavam-no mais ainda por causa de seus sonhos e de suas palavras. 9 José teve ainda outro sonho, que contou aos irmãos. “Tive outro sonho”, disse, “e vi que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam diante de mim”. 10 Quando contou o sonho ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu, dizendo: “Que sonho é esse que sonhaste? Acaso vamos prostrar-nos por terra diante de ti, eu, tua mãe e teus irmãos?” 11 Os irmãos o invejavam, mas o pai guardou o assunto. 12 Ora, como os irmãos de José tinham ido apascentar os rebanhos do pai em Siquém, 13 Israel disse a José: “Teus irmãos devem estar com os rebanhos em Siquém. Vem! Vou enviar-te a eles”. Ele respondeu-lhe: “Aqui estou”. 14 Disse-lhe Israel: “Vai ver se teus irmãos e os rebanhos estão passando bem e traze-me notícias”. Assim o enviou do vale de Hebron, e José chegou a Siquém. 15 Um homem o encontrou vagando pelo campo e perguntou: “Que procuras?”  16 Ele respondeu: ““Estou procurando meus irmãos. Dize-me, por favor, onde estão apascentando”. 17 O homem respondeu: “Eles foram embora daqui, pois os ouvi dizer: ‘Vamos para Dotain’”. José foi à procura dos irmãos e encontrou-os em Dotain. 18 Eles, porém, tendo-o o visto de longe, antes que se aproximasse, tramaram a sua morte. 19 Disseram uns aos outros: “Aí vem o sonhador! 20 Vamos matá-lo e lançá-lo numa cisterna. Depois diremos que um animal feroz o devorou. Assim veremos de que lhe servem os sonhos”. 21 Rúben, porém, ouvindo isto, tentou livrá-lo de suas mãos e disse: “Não lhe tiremos a vida!”      22 E acrescentou: “Não derrameis sangue. Lançai-o naquela cisterna no deserto, mas não levanteis a mão contra ele”. Dizia isso porque queria livrá-lo das mãos deles e devolvê-lo ao pai. 23 Assim que José se aproximou dos irmãos, estes o despojaram da túnica, a túnica de mangas compridas que trazia, 24 agarraram-no e o lançaram numa cisterna que estava sem água.         25 Depois sentaram-se para comer.  Levantando os olhos, avistaram uma caravana de ismaelitas, que se aproximava, proveniente de Galaad. Os camelos iam carregados de especiarias, bálsamo e resina, que transportavam para o Egito. 26 E Judá disse aos irmãos: “Que proveito teríamos em matar nosso irmão e ocultar o crime? 27 É melhor vendê-lo a esses ismaelitas. Não levantemos contra ele nossa mão, pois ele é nosso irmão, nossa carne”. E os irmãos concordaram. 28 Ao passarem os comerciantes madianitas, os irmãos tiraram José da cisterna e por vinte moedas de prata o venderam aos ismaelitas, que o levaram para o Egito. 29 Quando Rúben voltou à cisterna e não encontrou José, rasgou as vestes de dor. 30 Voltando para junto dos irmãos disse: “O menino sumiu! E eu, para onde irei agora?” 31 Então os irmãos tomaram a túnica de mangas compridas de José, mataram um cabrito e, embebendo-a de sangue, 32 mandaram levar a túnica para o pai, dizendo: “Encontramos isso. Examina para ver se é ou não a túnica de teu filho”. 33 Jacó reconheceu-a e disse: “É a túnica de meu filho. Um animal feroz devorou José, estraçalhou-o por inteiro”. 34 Jacó rasgou as vestes de dor, vestiu-se de luto e chorou a morte do filho por muitos dias. 35 Todos os filhos e filhas vinham consolá-lo, mas ele recusava qualquer consolo, dizendo: “Em prantos descerei até meu filho no reino dos mortos”. Assim o chorava o pai. 36 Entretanto, os madianitas venderam José no Egito a Putifar, ministro do faraó e chefe da guarda”.

PROBLEMAS DO TEXTO

Quem vendeu José?
Rubem (Gn 37, 21-22) ou Judá ( Gn 37, 26-27).
Para quem José foi vendido?
Ismaelitas (Gn 37, 25.28) ou Midianitas ( Gn 37, 28.36).
José foi vendido ou foi raptado?
Nenhum dos irmãos sabe o que se passou com José, Rubem quis salvar o irmão e Judá quis vende-lo. Os Midianitas prenderam José e o venderam aos Ismaelitas.

SOLUÇÕES PARA A DUALIDADE

O relator atual juntou duas versões paralelas. Na primeira, Rubem é o ator principal e decide salvar José ( Gn 37, 21- 22). Então, chega os Midianitas e o levam para o Egito ( Gn 37, 28 a).  Já na segunda, somente Judá intervém. Ele propõe vender o irmão aos Ismaelitas ( Gn 37, 26-27).
A história de José é bastante contraditória, por isso, ainda ficam algumas interrogações  sem respostas:  As duas versões, Judá e Rubem, são completas? É possível datar e saber qual a mais antiga? Havia somente uma versão completa, nela  foram  acrescentados alguns dados?
Diante destes questionamentos encontramos na história de José  em  Gênesis  37 uma dualidade de acontecimentos que são contraditórios. Com disso podemos afirmar que não é obra de um único autor. São duas versões que foram juntadas pelo redator e se não prestarmos atenção, durante a leitura, passamos despercebidos diante destes episódios contraditórios que foram questionados.

BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA DA CNBB.
DIAS DA SILVA, Cássio Murilo. Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo, Paulinas, 2000.
SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: Chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2003.

sábado, 10 de setembro de 2011

A melhor coisa do mundo é ter amig@s!


A melhor coisa do mundo é ter amig@s!

Olá gente amiga,
a melhor coisa do mundo é ter amig@s, pessoas que realmente gosta de você como você é. Obrigado a todos que se consideram meus amigos!
Por isso agradeço ao Bom Deus por todos vocês os meus amigos e amigas e faço, todos os dias a seguinte prece: Abençoa Senhor meus amigos E minhas amigas e dá-lhes a paz Aqueles a quem ajudei Que eu ajude ainda mais Aqueles a quem magoei Que eu não magoe mais Saibamos deixar um no outro Uma saudade que faz bem Abençoa Senhor meus amigos E minhas amigas. Amém! Luzes que brilham juntas Velas que juntas queimam No altar da esperança Trilhos que juntos percorrem Os mesmos dormentes E vão terminar no mesmo lugar Aves que vão em bando Verso que segue verso Nas rimas da vida Barcos que singram os mares Até separados, mas sabem o porto Onde vão se encontrar São assim os amigos que a vida me deu Meus amigos e minhas amigas e eu! Gente que sonha junto, gente que brinca e briga E se zanga e perdoa Um sentimento forte mais forte que a morte Nos faz ser amigos no riso e na dor Vidas que fluem juntas, rios que não confluem Mas vão paralelos, aves que voam juntas E sabem que um dia, por força da vida não Mais se verão Resta apenas o sonho  Que a gente viveu Meus amigos e minhas amigas e eu!
Amigos um grande abraço, fiquem com Deus e que Ele abençoe vocês sempre!

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Antonio Alves

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Dom Bruno Gamberini, o bispo do povo!

Dom Bruno Gamberini, o Bispo do Povo!



"Morte, onde está a sua vitória? Morte, onde está o seu ferrão? O ferrão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo"(1Cor 15,55 -57). 
Diante desta afirmação o que nos resta é continuar a vida e pedi ao Senhor que nos envio Pastores segundo o seu coração, para que nos conduza com Inteligência e Sabedoria!. Dom Bruno, descansa em paz! 
Para sempre ficará em nossa memória, o Bispo do Povo!









"Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, acreditamos também que aqueles que morreram em Jesus serão levados por Deus em sua companhia" ( 1Ts 4, 14). 

Confiantes de que Deus sempre realiza suas promessas cremos que Dom Bruno já está na presença de Deus e por isso todos nós já podemos pedir a sua intercessão. 
Todos nós somos testemunhas de que ele foi um verdadeiro pastor, um bispo do povo!
Com o seu jeito simples sempre tratou com carinho todas as pessoas e sempre buscou falar coisas que todos pudessem ouvir e entender.
Que o Senhor nos ajude neste momento de tristeza e de dor e olhe com carinho para nossa Arquidiocese Campinas.
Obrigado a todos pelo carinho, amizade e orações!



Biografia de Dom Bruno Gamberini

Dom Bruno Gamberini nasceu em Matão, SP, no dia 16 de julho de 1950, festa de Nossa Senhora do Carmo e Ano Santo do Dogma da Assunção. É filho do Sr. Armando Gamberini (falecido em 1987) e da Sra. Tirsi Castellani Gamberini, terceiro filho entre um irmão e três irmãs. Foi batizado, crismado e recebeu a Primeira Eucaristia na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão.
Completou o curso primário no Grupo Escolar Estadual “José Inocêncio da Costa” e na Escola Estadual “Prof. Henrique Morato”, em Matão. Completou o segundo grau e a Filosofia no Seminário Diocesano de São Carlos (1968-1970) e Teologia no Studium Theologicum, filiado à Universidade Lateranense de Roma, em Curitiba, PR (1971-1974). Cursou, ainda, Canto Coral e regência, na Pró-Música de Curitiba.
Foi ordenado Diácono na Catedral de São Carlos em 02 de dezembro de 1973 e Presbítero na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão, no dia 11 de dezembro de 1974, por Dom Constantino Amstalden, Bispo da Diocese de São Carlos. Como Padre foi Coordenador de Estudos e Professor de Filosofia (1975-1977) e Reitor da Filosofia (1991-1995); Coordenador Diocesano da Pastoral da Diocese de São Carlos (1978-1979); Pároco de Ribeirão Bonito, SP (1979-1981); Primeiro Juiz Auditor da Câmara do Tribunal Eclesiástico de São Carlos (1980-1984) e depois Notário do Tribunal até 1995; Reitor do Seminário de Teologia de São Carlos em Campinas, SP (1982-1986). Foi Pároco de Itajobi e Marapoama (1987-1989), Vigário Cooperador da Catedral de São Carlos (1983-1995), ajudando nas Igrejas de São Benedito e São Judas Tadeu. Foi nomeado Cônego Honorário do Cabido da Catedral de São Carlos, em 19 de março de 1983.
O Santo Padre, o Papa João Paulo II, nomeou Dom Bruno o 4º Bispo Diocesano de Bragança Paulista em 17 de maio de 1995. Foi ordenado Bispo no dia 16 de julho de 1995, na Catedral de São Carlos Borromeu, em São Carlos, SP, sendo sagrante Dom Constantino Amstalden e Bispos Consagrantes, Dom Antônio Pedro Misiara, 3º Bispo de Bragança, e Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, Bispo Auxiliar de Salvador da Bahia. Tomou posse da Diocese em 20 de agosto de 1995. Dom Bruno escolheu como tema episcopal “Nomen Domini Benedictum” – Bendito o nome do Senhor.
Como Bispo de Bragança Paulista foi Assessor da Pastoral da Criança no Regional Sul 1; Bispo representante do Sub-Regional Campinas na representativa do Sul 1; e Membro do Conselho Pastoral do Sul 1 no ano de 1999.
No dia 02 de junho de 2004, o Papa João Paulo II nomeou Dom Bruno Gamberini como 6º Bispo e 4º Arcebispo de Arquidiocese de Campinas. No dia de sua nomeação, entre largos sorrisos, Dom Bruno dizia: “Quando passava pela região de Campinas e via essa enormidade, essa grandeza de povo e de desafios, sempre rezava a Deus pelo novo Arcebispo que o Papa nomearia. E não é que fui eu o escolhido?”
Neste dia, Dom Bruno enviou sua primeira mensagem ao povo da Arquidiocese de Campinas:
Irmãos e irmãs,
Amados e amadas em Jesus Cristo.
“Bendito seja o Nome do Senhor agora e para sempre”
A Paz de Cristo a todos.
Tão logo o Sr. Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, comunicou-me no dia 25 de maio, que Sua Santidade o Papa João Paulo II, que governa a Igreja em Nome de Jesus, com força do Seu Espírito e com a autoridade do Apóstolo Pedro, chamou-me para o ministério de pastorear a Igreja de Jesus Cristo que está em Campinas, imediatamente supliquei à misericórdia do Pai sobre mim, pecador, e, invocando a proteção da Imaculada Conceição, a Grande Mãe do Filho de Deus e Padroeira desta Arquidiocese, rezei por todo o povo, o Rebanho amado de Jesus desta Igreja Particular. Permaneci estes dias em oração confiante, na espera da publicação oficial no dia de hoje.
De fato “aterroriza-me o que sou para vós, consola-me o que sou convosco: para vós sou o Bispo, convosco sou Cristão”. Aceitei esta incumbência com temor e tremor, confiado apenas no poder de Deus; com boa vontade, sim, e ciente de minha limitação.
Saúdo em primeiro lugar o patriarca desta bela e gloriosa Igreja, Sua Excia. o Arcebispo Dom Gilberto Pereira Lopes. Até hoje, como Bispo Diocesano de Bragança Paulista, era seu Bispo sufragâneo, agora sou seu sucessor pequeno, e esperançoso irmão. Reverencio os Srs. Bispos cujas Dioceses compõem nossa Província Eclesiástica: São Carlos, Piracicaba, Limeira, Amparo e minha querida Bragança Paulista. Reafirmo a comunhão com os Bispos do Sul I e à CNBB.
Abraço meus Padres e meus Diáconos, deixem-me chamá-los assim, meus seminaristas e, cheio de ternura e firmeza no amor, acolho os Religiosos, Religiosas, pessoas consagradas e os cristãos leigos, fiéis em Cristo. Com todos desejo fazer um corpo único na evangelização e estar sempre a serviço para o crescimento do Povo de Deus, com as CEBs, os Movimentos e Pastorais.
Saúdo a todas as excelentíssimas Autoridades e habitantes dos municípios que compõem nossa Arquidiocese: Campinas, Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Monte Mor, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo, com todas as suas Paróquias, Bairros e Comunidades.
Aos irmãos cristãos de outras Igrejas e Denominações saúdo com afeto e a oração de Jesus: “Pai, que eles sejam um… para que o mundo creia que Tu me enviaste”. A todas as pessoas que professam a existência de Deus e a todos os homens e mulheres de boa vontade cumprimento na esperança de, juntos, construirmos um mundo justo, fraterno e solidário, na verdade e na paz.
Uma saudação especial àqueles que se empenham na política e na educação, aos grandes faróis da ciência e do conhecimento, as Escolas Públicas e Particulares, com destaque à Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas, que nasceu e vive no coração da Igreja, e também à UNICAMP.
Aos profissionais dos Meios de Comunicação Social quero dar-lhes a certeza de que contarão sempre com a Arquidiocese e comigo para o cultivo da verdade e da bondade na informação certa e na formação da reta consciência das pessoas e da sociedade.
Os pobres, doentes, desempregados, os que sofrem, os sem teto e os que labutam nos tantos desafios da grande cidade e do campo, os amados de Deus por primeiro, os mais pequeninos, tenham a confiança de que encontrarão no Arcebispo, Deus me ajude, a presença do pai, o irmão que consola e o trabalhador na construção, através das pastorais sociais, ombro a ombro, de nossa cidade terrena, sinal e esperança da Cidade Eterna e da Mesa em que o Pai reunirá todos os seus filhos e filhas e enxugará as lágrimas dos nossos olhos. Saúdo a todos os trabalhadores e trabalhadoras em todas as profissões, ofícios e serviços.
Sou filho de um operário da indústria metalúrgica e de uma dona de casa. Brasileiro, Católico, paulista de Matão. Venho do Presbitério da Diocese de São Carlos e Bispo de Bragança Paulista. Estas são as minhas credenciais. Sei que nada sou frente à grandiosidade da Metrópole que é Campinas. Sei que sou chamado por Deus, através de João Paulo II, para ser o Arcebispo de Campinas. Sozinho nada posso, no entanto, os fiéis da Igreja de Jesus, o seu Pastor com seu Presbitério, queremos anunciar ao mundo: Somos servidores do Evangelho de Jesus Cristo, com a força do Espírito e o poder do Pai, congregados na Santa Igreja Católica e Apostólica e, contando com o auxílio materno de Maria Imaculada, lançamo-nos à Missão que o Senhor nos propõe, a nós, seus discípulos: “Ide pelo mundo inteiro, fazei discípulos meus todos os povos. Eu estarei sempre convosco. Duc in altum… lançai as vossas redes”.
Peço a todos sua oração.
No dia 19 de junho, no Centro de Pastoral Pio XII, Dom Bruno Gamberini, ainda como Arcebispo Nomeado de Campinas, se reuniu com a Coordenação Colegiada de Pastoral e com os Coordenadores das Pastorais, Equipes, Movimentos e demais Organismos da Arquidiocese. A Coordenação de Pastoral preparou com muito carinho uma breve apresentação da organização e dos trabalhos desenvolvidos pela Igreja de Campinas, ansiosa pelo primeiro contato com o novo Arcebispo.
Dom Bruno viajou para Roma no dia 20 de junho de 2004, onde, na Solenidade de São Pedro, recebeu o Pálio Sagrado, em Missa presidida pelo Papa João Paulo II.
Dom Bruno tomou posse no dia 1º de agosto de 2004, em Missa Solene, às 10h00, na Matriz Nossa Senhora Auxiliadora, no Guanabara, em Campinas, em razão das obras de restauro que estavam sendo feitas na Catedral Metropolitana. Estiveram presentes Dom Gilberto Pereira Lopes, Arcebispo Emérito de Campinas, Dom Lorenzo Baldisseri, Núncio Apostólico, vários Bispos do Brasil, grande número de Presbíteros, Diáconos e Seminaristas, familiares, Prefeitos da região de Campinas, o Exmo. Sr. Vice-Governador do Estado de São Paulo, Dr. Cláudio Lembo, e cerca de 2000 pessoas que acolheram com grande alegria e festa a Dom Bruno.
Neste celebração, Dom Bruno deu mais uma prova de sua grandeza, ao se dirigir a Dom Gilberto, que se tornava Arcebispo Emérito de Campinas: “Ao Exmo. Sr. Arcebispo Dom Gilberto Pereira Lopes, minha gratidão sem limites. A V. Excia. concedo todas as faculdades de Vigário Geral em todas as paróquias e território de nossa Arquidiocese de Campinas”. Dom Bruno sempre demonstrou muito carinho e amor filial a Dom Gilberto, acolhendo-o com ternura e se referindo a ele com muito respeito e admiração.
Ainda em sua Celebração de Posse, Dom Bruno nomeou o Monsenhor José Antônio de Moraes Busch como Vigário Geral, acumulando o cargo de Ecônomo, “ajudando-me na coordenação da Cúria Metropolitana, junto com nosso Chanceler, Padre Julio Cesar Calusni”.
No dia 10 de agosto de 2004, tomou posse como Grão Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas. Na sua mensagem de posse Dom Bruno disse: “Desejo que minha primeira mensagem a esta comunidade acadêmica expresse este mesmo afeto e reconhecimento a esta Instituição e ao trabalho que, com dedicação, aqui vem sendo realizado, ao longo de mais de 60 anos, como um importante trabalho de Igreja. De modo particular, sinto que esta Universidade nasceu do coração da Igreja, do coração da Igreja de Campinas, e recebeu do coração de Monsenhor Salim e do Excelentíssimo Arcebispo Emérito de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Gilberto Pereira Lopes, todo cuidado, respeito à comunidade e amor que tem à Igreja (…). Como Pastor desta Igreja, aqui estou para integrar-me nesta caminhada, desejando contribuir para que a nossa PUC possa, cada vez mais, responder aos desafios de sua identidade e missão”.
A primeira Missa oficial presidida por Dom Bruno em Campinas foi na Catedral Metropolitana, no dia 15 de agosto de 2004, às 09h30. Após a Missa, Dom Bruno e todos os convidados fizeram uma visita oficial às obras de restauro que estavam sendo realizadas na Catedral. Começava, aí, uma maratona sem fim, que alegrava sobremaneira a Dom Bruno. Ele sempre fez questão de estar presente nas Comunidades e Paróquias, nas festas dos padroeiros, nas investiduras de ministros, na administração do Sacramento da Crisma, nas Missas das Comissões e Movimentos da Arquidiocese, pois dizia que o povo quer ver o Bispo, sentir a presença do sucessor dos Apóstolos. Atendia a todos com um sorriso paterno, um cumprimento, um abraço.
Quando Dom Bruno assumiu a Arquidiocese de Campinas, o 6º Plano de Pastoral Orgânica havia sido publicado há pouco, no dia 03 de agosto de 2003, para o período de 2003 a 2006. Com muita humildade e sabedoria pastoral, Dom Bruno assumiu os trabalhos que vinham sendo feito em Campinas e, como ele mesmo definiu, “os meus projetos e os meus planos para Campinas são trabalhar com os meus padres; eu tenho que aprender em Campinas. Eu não tenho proposta pronta nenhuma, a não ser trabalhar juntos. Eu sou, como na parábola de Jesus Cristo, o operário da última hora. Tanta gente já trabalhou desde que a Diocese foi criada em 1908 e estamos a apenas quatro anos da celebração do Centenário. E agora chega mais um operário, que foi chamado na última hora e que recebe o mesmo pagamento dos outros que trabalharam tanto. Como isso é bonito! Eu quero entrar e fazer parte da história de Campinas, essa história bonita e gloriosa de uma Igreja linda, que é a Arquidiocese de Campinas”.
Dom Bruno assumiu o trabalho e a organização eclesial da Arquidiocese de Campinas, com os Conselhos existentes e a Coordenação Colegiada de Pastoral, órgão máximo na definição das linhas pastorais da Igreja de Campinas. Criou, unicamente, a Coordenadoria de Pastoral, um órgão consultivo do Arcebispo, com a participação dos Vigários Gerais, do Coordenador de Pastoral e dos Vigários das Regiões Pastorais e das Foranias.
Na Cúria Metropolitana, Dom Bruno continuou o atendimento, jamais de furtando a atender quem o procurasse. Padres, políticos, pessoas que queriam conversar, conhecer o Arcebispo, confessar, pedintes, ele recebia a todos com o mesmo sorriso e atenção.
No dia 03 de outubro, estreou um programa o programa Deus nos fala, pela TV Século XXI, apresentado aos sábados e domingos, com uma mensagem clara e profunda do Evangelho do domingo.
No período de 12 de outubro de 2004 a 12 de outubro de 2005, foi realizada em Campinas a peregrinação com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma fac-símile trazida do Santuário Nossa Senhora da Aparecida, quando da peregrinação da Arquidiocese à casa da Mãe Aparecida, no dia 16 de maio de 2004. Todas as Paróquias receberam a visita da imagem, culminando com uma grande festa de encerramento, no Estádio Moisés Lucarelli no dia 12 de outubro de 2005, com Missa presidida por Dom Bruno.
Dom Bruno recebeu, no dia 08 de dezembro de 2005, o Título de Cidadão Campineiro, concedido pela Câmara Municipal de Campinas, por Projeto de Decreto Legislativo, de autoria do vereador Rafael Zimbaldi. O título foi entregue no início da Missa de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira da Arquidiocese e da cidade de Campinas, celebrada na Catedral Metropolitana.
No dia 19 de junho, Dom Bruno começou a participação na Rádio Brasil de Campinas, com o programa Mensagem de Fé. Diariamente, por cinco minutos, fazia a leitura e reflexão do Evangelho do dia. Este programa passou a incorporar o Programa Povo de Deus, também veiculado diariamente pela Rádio Brasil, e a ser postado, com antecedência, no site da Arquidiocese de Campinas. Várias emissoras de Rádio, de todo o Brasil, passaram a retransmitir o Mensagem de Fé.
A Arquidiocese de Campinas caminhava rumo ao seu Centenário. Assim, Dom Bruno, juntamente com a Coordenadoria e a Coordenação de Pastoral decidiram pela realização de um Ano Jubilar, com o tema Cem anos em Missão neste chão!
Ficou determinado que o Centenário da Diocese de Campinas seria marcado por três momentos fortes, chamados de Monumentos: Monumento da Fé, da Esperança e da Caridade.
O Monumento da Fé foi o da Palavra de Deus, com a impressão e distribuição de 100 mil Bíblias com o Encarte da Arquidiocese. O Monumento da Esperança foi um ano especial de Oração, em todas as Comunidades, iniciando no dia 1º de junho de 2007 e se estendendo até 2008, com o encerramento na Missa de Nossa Senhora Aparecida, na Praça Arautos da Paz, com a presença de mais de 50 mil pessoas. O Monumento da Caridade foi a compra de um sítio, próximo ao Centro de Detenção, em Hortolândia, que, em razão dos altos custos, continuam a ser adaptados para o acolhimento de irmãos e irmãs necessitados.
Durante todo esse Ano Jubilar, Dom Bruno realizou uma Visita Pastoral a todas as Paróquias da Arquidiocese, com o objetivo de traçar um panorama da realidade local nas dimensões pastoral, litúrgica e administrativa. Ao final de cada da visita, Dom Bruno entregava um relatório com as suas observações.
Encerrando as festas do Centenário da Arquidiocese de Campinas, no dia 08 de dezembro de 2008, Dom Bruno publicou uma Carta Pastoral com o objetivo principal de:
…conclamar nossa Igreja para que se una e intensifique sua comunhão e participação em todos os setores da vida eclesial, da pastoral e, mormente no elã missionário que deve nos animar. Meu objetivo primordial é oferecer a todos, pontos luminosos que devem nortear nosso trabalho pastoral, no cumprimento do objetivo geral da pastoral de nossa Igreja e em nossa ação evangelizadora.
Pastoral não se faz por decreto, lembrou Dom Gilberto em sua Carta Pastoral por ocasião dos 70 anos de criação de nossa Diocese em 1978. E eu acrescento, nem com legislação eficiente, ou plano de pastoral apropriado, bem escrito, mas com a adesão de corações repletos de fé e esperança, que desejam praticar a caridade, sendo que a primeira caridade é o anúncio do Evangelho, a que o plano de pastoral deve servir. Que sejamos unidos no essencial em meio á pluralidade de ações evangelizadoras que a realidade nos for apontando a cada dia. Unidade na pluralidade: programa comum percorrido por caminhos diversos, eis nosso desafio.
Que vocês possam receber esta carta, como uma mensagem de amor e solicitude do pastor que deseja ardentemente ver cada um de vocês transformados em carta viva de Nosso Senhor Jesus Cristo, missionários e missionárias do Evangelho: “Carta escrita nos corações, conhecida e lida por todos os homens” (2Cor. 2,2).
A partir das Visitas Pastorais de Dom Bruno a toda a Arquidiocese nos anos de 2007 e 2008, com as Festividades do Centenário de nossa Igreja Particular e a Carta Pastoral, foram encaminhados, pela Coordenação de Pastoral, os trabalhos para a confecção do 7º Plano de Pastoral da Arquidiocese de Campinas, baseados nos estudos realizados pelos Blocos Temáticos, partilhados em grandes encontros arquidiocesanos. Essas reuniões motivaram a participação de todas as instâncias na elaboração das proposições aprovadas com muita alegria na Assembleia de nossa Igreja, realizada aos 07 de novembro de 2009. O 7º Plano de Pastoral da Arquidiocese de Campinas foi entregue por Dom Bruno na Missa da Quinta-feira Santa, no dia 1º de abril de 2010, na Catedral Metropolitana.
Dom Bruno esteve sempre entusiasmado com a implantação do Plano de Pastoral. Fazia continuamente alusão aos três eixos articuladores que foram assumidos pela Igreja de Campinas: Acolhedora, Renovada e Solidária.
Dom Bruno foi, pela sua dedicação, trabalho e amor à Igreja de Jesus Cristo e a seu rebanho, um digno sucessor dos Bispos que fizeram história em Campinas. Sua simpatia e simplicidade foram marcantes e cativaram a Arquidiocese de Campinas e todo o Brasil.
Marcante, também, na vida de Dom Bruno foi a preocupação com o povo que lhe foi confiado para pastorear. Dizia sempre aos seus padres e diáconos para estar no meio do povo, sentindo as suas aflições e necessidades, buscando sempre consolar, acudir e ser presença humana, principalmente junto aos que sofrem. Da mesma maneira, sempre pediu ao povo que acolhesse, com carinho, os padres e diáconos a eles confiados. Seu amor e sua preocupação pelos seus filhos eram imensos. Incentivou e dava enorme importância às Semanas de Estudo do Clero, realizadas no primeiro semestre do ano, e aos Retiros Espirituais, realizados no segundo semestre.
Jamais se furtou a se posicionar sobre a realidade, como autêntico discípulo missionário de Jesus. Através de artigos publicados em jornais, entrevistas aos Meios de Comunicação ou pelo site da Arquidiocese, tinha uma palavra refletida a partir do Evangelho. Nunca deixou de atender aos profissionais de imprensa, pois dizia da importância dos veículos de comunicação na divulgação da Palavra de Deus, que chega onde a Igreja, muitas vezes, não tem como chegar.
Dom Bruno sofria, já há algum tempo, com o diabetes.
No dia 20 de junho passado, três dias antes da Solenidade de Corpus Christi, Dom Bruno foi internado no Hospital e Maternidade Celso Pierro, da PUC-Campinas, em razão de uma indisposição. Foi diagnosticado o quadro de encefalopatia que em razão do mal funcionamento do fígado, as toxinas afetam o cérebro, causando dormência e esquecimento. Seu quadro se agravou, com a falência dos rins e fígado, ficando por dois dias em coma na Unidade de Terapia Intensiva Adulto.
Com a graça de Deus, se recuperou e na tarde dia 23 de junho, Corpus Christi, foi liberado do Hospital e passou a se recuperar na casa do saudoso Monsenhor José Antônio de Moraes Busch, tendo em vista a necessidade de tranquilidade absoluta e o monitoramento constante de seu estado de saúde.
No dia 17 de julho, Dom Bruno voltou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva Adulto do Hospital e Maternidade Celso Pierro, com o quadro de encefalopatia, mas mantinha-se acordado, consciente, lúcido e conversando. Alimentava-se sozinho e seus sinais vitais estavam dentro da normalidade. Permaneceu internado até o dia 19 de julho, quando foi liberado e voltou para a sua residência particular, acompanhado por sua sobrinha, Carolina.
Na noite de 22 de agosto, rompeu-se uma veia do seu esôfago, causando uma grande hemorragia. Dom Bruno foi imediatamente levado ao Hospital e Maternidade Celso Pierro, onde ficou internado na Unidade Coronária (UCO). Na madrugada de 26 de agosto, às 02h30, foi transferido para o Hospital Bandeirantes, em São Paulo, para ser acompanhado por uma equipe de hepatologistas.
No domingo, dia 28 de agosto de 2011, às 15h00, Dom Bruno faleceu em decorrência de falência de múltiplos órgãos.



sábado, 20 de agosto de 2011

SANTA MISSA COM OS SEMINARISTAS

SANTA MISSA COM OS SEMINARISTAS
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Catedral de Santa Maria la Real de la Almudena di Madrid
Sábado, 20 de Agosto de 2011
  
Queridos seminaristas,
Meus amigos!

Sinto uma profunda alegria ao celebrar a Santa Missa para todos vós, que aspirais a ser sacerdotes de Cristo para o serviço da Igreja e dos homens, e agradeço as amáveis palavras de saudação com que me acolhestes. Hoje esta Catedral de Santa Maria a Real da Almudena lembra um imenso cenáculo onde o Senhor desejou ardentemente celebrar a Sua Pascoa com todos vós que um dia desejais presidir em seu nome os mistérios da salvação. Vendo-vos, comprovo de novo como Cristo continua chamando jovens discípulos para fazer deles seus apóstolos, permanecendo assim viva a missão da Igreja e a oferta do evangelho ao mundo. Como seminaristas, estais a caminho para uma meta santa: ser continuadores da missão que Cristo recebeu do Pai. Chamados por Ele, seguistes a sua voz; e, atraídos pelo seu olhar amoroso, avançais para o ministério sagrado. Ponde os vossos olhos n’Ele, que, pela sua encarnação, é o revelador supremo de Deus ao mundo e, pela sua ressurreição, é a fiel realização da sua promessa. Dai-Lhe graças por este sinal de predilecção que reserva para cada um de vós.
A primeira leitura que escutámos mostra-nos Cristo como o novo e definitivo sacerdote, que fez uma oferta total da sua existência. A antífona do salmo aplica-se perfeitamente a Ele, quando, ao entrar no mundo, Se dirigiu a seu Pai dizendo: «Eis-me aqui para fazer a tua vontade» (cf. Sal 39, 8-9). Procurava agradar-Lhe em tudo: ao falar e ao agir, percorrendo os caminhos ou acolhendo os pecadores. A sua vida foi um serviço, e a sua dedicação abnegada uma intercessão perene, colocando-Se em nome de todos diante do Pai com Primogénito de muitos irmãos. O autor da Carta aos Hebreus afirma que, através desta entrega, nos tornou perfeitos para sempre, a nós que estávamos chamados a participar da sua filiação (cf. Heb 10, 14).
A Eucaristia, de cuja instituição nos fala o evangelho proclamado (cf. Lc 22, 14-20), é a expressão real dessa entrega incondicional de Jesus por todos, incluindo aqueles que O entregavam: entrega do seu corpo e sangue para a vida dos homens e para a remissão dos pecados. O sangue, sinal da vida, foi-nos dado por Deus como aliança, a fim de podermos inserir a força da sua vida onde reina a morte por causa do nosso pecado, e assim destruí-lo. O corpo rasgado e o sangue derramado de Cristo, isto é, a sua liberdade sacrificada, converteram-se, através dos sinais eucarísticos, na nova fonte da liberdade redimida dos homens. N’Ele temos a promessa duma redenção definitiva e a esperança segura dos bens futuros. Por Cristo, sabemos que não estamos caminhando para o abismo, para o silêncio do nada ou da morte, mas seguindo para a terra prometida, para Ele que é nossa meta e também nosso princípio.
Queridos amigos, vos preparais para ser apóstolos com Cristo e como Cristo, para ser companheiros de viagem e servidores dos homens.
Como haveis de viver estes anos de preparação? Em primeiro lugar, devem ser anos de silêncio interior, de oração permanente, de estudo constante e de progressiva inserção nas actividades e estruturas pastorais da Igreja. Igreja, que é comunidade e instituição, família e missão, criação de Cristo pelo seu Espírito Santo e simultaneamente resultado de quanto a configuramos com a nossa santidade e com os nossos pecados. Assim o quis Deus, que não se incomoda de tomar pobres e pecadores para fazer deles seus amigos e instrumentos para redenção do género humano. A santidade da Igreja é, antes de mais nada, a santidade objectiva da própria pessoa de Cristo, do seu evangelho e dos seus sacramentos, a santidade daquela força do alto que a anima e impele. Nós devemos ser santos para não gerar uma contradição entre o sinal que somos e a realidade que queremos significar.
Meditai bem este mistério da Igreja, vivendo os anos da vossa formação com profunda alegria, em atitude de docilidade, de lucidez e de radical fidelidade evangélica, bem como numa amorosa relação com o tempo e as pessoas no meio de quem viveis. É que ninguém escolhe o contexto nem os destinatários da sua missão. Cada época tem os seus problemas, mas Deus dá em cada tempo a graça oportuna para os assumir e superar com amor e realismo. Por isso, em toda e qualquer circunstância em que se encontre e por mais dura que esta seja, o sacerdote tem de frutificar em toda a espécie de boas obras, conservando sempre vivas no seu íntimo aquelas palavras do dia da sua Ordenação com que se lhe exortava a configurar a sua vida com o mistério da cruz do Senhor.
Configurar-se com Cristo comporta, queridos seminaristas, identificar-se sempre mais com Aquele que por nós Se fez servo, sacerdote e vítima. Na realidade, configurar-se com Ele é a tarefa em que o sacerdote há-de gastar toda a sua vida. Já sabemos que nos ultrapassa e não a conseguiremos cumprir plenamente, mas, como diz São Paulo, corremos para a meta esperando alcançá-la (cf. Flp 3, 12-14).
Mas Cristo, Sumo Sacerdote, é igualmente o Bom Pastor, que cuida das suas ovelhas até ao ponto de dar a vida por elas (cf. Jo 10, 11). Para imitar nisto também o Senhor, o vosso corações tem de ir amadurecendo no Seminário, colocando-se totalmente à disposição do Mestre. Dom do Espírito Santo, esta disponibilidade é que inspira a decisão de viver o celibato pelo Reino dos céus, o desprendimento dos bens da terra, a austeridade de vida e a obediência sincera e sem dissimulação.
Pedi-Lhe, pois, que vos conceda imitá-Lo na sua caridade até ao fim para com todos, sem excluir os afastados e pecadores, de tal forma que, com a vossa ajuda, se convertam e voltem ao bom caminho. Pedi-Lhe que vos ensine a aproximar-vos dos enfermos e dos pobres, com simplicidade e generosidade. Afrontai este desafio sem complexos nem mediocridade, mas antes como uma forma estupenda de realizar a vida humana na gratuidade e no serviço, sendo testemunhas de Deus feito homem, mensageiros da dignidade altíssima da pessoa humana e, consequentemente, seus defensores incondicionais. Apoiados no seu amor, não vos deixeis amedrontar por um ambiente onde se pretende excluir Deus e no qual os principais critérios por que se rege a existência são, frequentemente, o poder, o ter ou o prazer. Pode acontecer que vos desprezem, como se costuma fazer com quem aponta metas mais altas ou desmascara os ídolos diante dos quais muito se prostram hoje. Será então que uma vida profundamente radicada em Cristo se revele realmente como uma novidade, atraindo com vigor a quantos verdadeiramente procuram Deus, a verdade e a justiça.
Animados pelos vossos formadores, abri a vossa alma à luz do Senhor para ver se este caminho, que requer coragem e autenticidade, é o vosso, avançando para o sacerdócio só se estiverdes firmemente persuadidos de que Deus vos chama para ser seus ministros e plenamente decididos a exercê-lo obedecendo às disposições da Igreja.
Com esta confiança, aprendei d’Aquele que Se definiu a Si mesmo como manso e humilde de coração, despojando-vos para isso de todo o desejo mundano, de modo que não busqueis o vosso próprio interesse, mas edifiqueis, com a vossa conduta, aos vossos irmãos, como fez o santo padroeiro do clero secular espanhol São João de Ávila. Animados pelo seu exemplo, olhai sobretudo para a Virgem Maria, Mãe dos sacerdotes. Ela saberá forjar a vossa alma segundo o modelo de Cristo, seu divino Filho, e vos ensinará incessantemente a guardar os bens que Ele adquiriu no Calvário para a salvação do mundo. Amen.


 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O que é o YOUCAT?


O que é o YOUCAT?
YOUCAT é uma abreviatura de Youth Catechism (Catecismo Jovem).
O YOUCAT baseia-se no Catecismo da Igreja Católica – obra universal de referência em Igreja – e adopta a sua estrutura formal.
A partir do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, o YOUCAT recolhe a mesma estrutura de pergunta e resposta.
O YOUCAT foi examinado pela Congregação para a Doutrina da Fé e goza do apoio da Congregação para o Clero e do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.
A versão portuguesa do YOUCAT recebeu o imprimatur do Cardeal-
Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e foi totalmente adaptada para a nossa cultura, com linguagem jovem, imagens e citações de Portugal.
O Papa Bento XVI contribuiu com o prefácio do YOUCAT, onde recomenda fortemente que os jovens «estudem o catecismo! Este é o meu maior desejo.» Na celebração do domingo de Ramos, dia 17 de Abril, no Vaticano, será entregue ao Papa um exemplar de cada edição (10 línguas).
YOUCAT é o Catecismo Jovem oficial das Jornadas Mundiais da Juventude. Estará disponível simultaneamente em 10 línguas diferentes (alemão, inglês, francês, italiano, espanhol, português, polaco, holandês/fl amengo, checo e eslovaco), que serão apresentadas numa conferência de imprensa em Roma, no dia 13 de Abril.
Desenvolvido por um número considerável de padres, teólogos e professores de religião da região de língua alemã, o YOUCAT foi criado sob a tutela do cardeal Christoph Schönborn.
Todas as receitas resultantes da publicação do YOUCAT serão atribuídas a projectos de evangelização da juventude.

PREFÁCIO DO PAPA BENTO XVI A «YOUCAT» SUBSÍDIO AO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA DESTINADO AOS JOVENS NA PERSPECTIVA DA JMJ 2011 EM MADRID


PREFÁCIO DO PAPA BENTO XVI A «YOUCAT» SUBSÍDIO AO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA DESTINADO AOS JOVENS NA PERSPECTIVA DA JMJ 2011 EM MADRID

Queridos jovens amigos!
Hoje aconselho-vos a leitura de um livro extraordinário.
É extraordinário pelo seu conteúdo mas também pelo modo em que se formou, que desejo explicar-vos brevemente, para que se possa compreender a sua particularidade. Youcat teve origem, por assim dizer, de outra obra que remonta aos anos 80. Era um período difícil para a Igreja e para a sociedade mundial, durante o qual surgiu a necessidade de novas orientações para encontrar o caminho rumo ao futuro. Após o Concílio Vaticano II (1962-1965) e no mudado clima cultural, muitas pessoas já não sabiam correctamente no que os cristãos deveriam acreditar exactamente, o que a Igreja ensinava, se ela podia ensinar algo tout court e como tudo isto podia adaptar-se ao novo clima cultural.
O Cristianismo como tal não está superado? Pode-se ainda hoje racionalmente ser crente? Estas são as questões que muitos cristãos se formulam até nos nossos dias. O Papa João Paulo II optou então por uma decisão audaz: deliberou que os bispos do mundo inteiro escrevessem um livro com o qual responder a estas perguntas.
Ele confiou-me a tarefa de coordenar o trabalho dos bispos e de vigiar a fim de que das suas contribuições nascesse um livro — quero dizer, um livro verdadeiro e não uma simples justaposição de uma multiplicidade de textos. Este livro devia ter o título tradicional de Catecismo da Igreja Católica e todavia ser algo absolutamente estimulante e novo; devia mostrar no que a Igreja Católica crê hoje e de que maneira se pode acreditar de modo racional. Assustei-me com esta tarefa e devo confessar que duvidei que algo semelhante pudesse ter bom êxito. Como podia acontecer que autores espalhados pelo mundo pudessem produzir um livro legível?
Como podiam homens que vivem em continentes diversos, e não só sob o ponto de vista geográfico, mas inclusive intelectual e cultural, produzir um texto dotado de uma unidade interna e compreensível em todos os continentes?
A isto acrescentava-se o facto de que os bispos deviam escrever não simplesmente como autores individuais, mas em representação dos seus irmãos e das suas Igrejas locais.
Devo confessar que até hoje me parece um milagre o facto de que este projecto no final se realizou.
Encontrámo-nos três ou quatro vezes por ano por uma semana e debatemos apaixonadamente sobre cada parte do texto, na medida em que se desenvolvia.
Como primeira atitude definimos a estrutura do livro: devia ser simples, para que cada grupo de autores pudesse receber uma tarefa clara e não forçar as suas afirmações num sistema complicado. É a mesma estrutura deste livro; ela é tirada simplesmente de uma experiência catequética de um século: o que cremos / de que modo celebramos os mistérios cristãos / de que maneira temos a vida em Cristo / de que forma devemos rezar. Não quero explicar aqui o modo como debatemos sobre a grande quantidade de questões, até chegar a compor um livro verdadeiro. Numa obra deste género são muitos os pontos discutíveis: tudo o que os homens fazem é insuficiente e pode ser melhorado, e não obstante, trata-se de um grande livro, um sinal de unidade na diversidade. A partir das muitas vozes pôde-se formar um coro porque tínhamos a comum partitura da fé, que a Igreja nos transmitiu desde os apostólos, através dos séculos até hoje.
Por que tudo isto?
Desde a redacção do CIC, tivemos que constatar que não só os continentes e as culturas das suas populações são diferentes, mas também no âmbito de cada sociedade existem diversos «continentes»: o trabalhador tem uma mentalidade diferente do camponês; um físico de um filólogo; um empresário de um jornalista, um jovem de um idoso. Por este motivo, na linguagem e no pensamento, tivemos que nos colocar acima de todas estas diferenças e, por assim dizer, buscar um espaço comum entre os diferentes universos mentais; com isto tornamo-nos cada vez mais conscientes do modo como o texto exigia algumas «traduções» nos diversos mundos, para poder alcançar as pessoas com as suas mentalidades diferentes e várias problemáticas. Desde então, nas Jornadas Mundiais da Juventude (Roma, Toronto, Colónia, Sydney) reuniram-se jovens de todo o mundo que querem acreditar, que estão em busca de Deus, que amam Cristo e desejam caminhos comuns. Neste contexto perguntámo-nos se não deveríamos traduzir o Catecismo da Igreja Católica na língua dos jovens e fazer penetrar as suas palavras no seu mundo. Naturalmente, também entre os jovens de hoje existem muitas diferenças; assim, sob a comprovada guia do arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, formou-se um Youcat para os jovens. Espero que muitos se deixem cativar por este livro.
Algumas pessoas dizem-me que o catecismo não interessa à juventude moderna; mas não acredito nesta afirmação e estou certo de que tenho razão. A juventude não é tão superficial como é acusada de o ser; os jovens querem saber deveras no que consiste a vida. Um romance policial é empolgante porque nos envolve no destino de outras pessoas, mas que poderia ser também o nosso; este livro é cativante porque nos fala do nosso próprio destino e portanto refere-se de perto a cada um de nós.
Por isso, exorto-vos: estudai o catecismo! Estes são os meus votos de coração.
Este subsídio ao catecismo não vos adula; não oferece fáceis soluções; exige uma nova vida da vossa parte; apresenta-vos a mensagem do Evangelho como a «pérola de grande valor» (Mt 13, 45) pela qual é preciso dar tudo. Portanto, peço-vos: estudai o catecismo com paixão e perseverança! Sacrificai o vosso tempo por ele! Estudai-o no silêncio do vosso quarto, lede-o em dois, se sois amigos, formai grupos e redes de estudo, trocai ideias na internet. Permanecei de qualquer modo em diálogo sobre a vossa fé!
Deveis conhecer aquilo em que credes; deveis conhecer a vossa fé com a mesma exactidão com a qual um perito de informática conhece o sistema operativo de um computador; deveis conhecê-la como um músico conhece a sua peça; sim, deveis ser muito mais profundamente radicados na fé do que a geração dos vossos pais, para poder resistir com força e decisão aos desafios e às tentações deste tempo. Tendes necessidade da ajuda divina, se a vossa fé não quiser esgotar-se como uma gota de orvalho ao sol, se não quiserdes ceder às tentações do consumismo, se não quiserdes que o vosso amor afogue na pornografia, se não quiserdes trair os débeis e as vítimas de abusos e violência.
Se vos dedicardes com paixão ao estudo do catecismo, gostaria de vos dar ainda um último conselho: sabei todos de que modo a comunidade dos fiéis recentemente foi ferida por ataques do mal, pela penetração do pecado no seu interior, aliás, no coração da Igreja. Não tomeis isto como pretexto para fugir da presença de Deus; vós próprios sois o corpo de Cristo, a Igreja! Levai o fogo intacto do vosso amor a esta Igreja todas as vezes que os homens obscurecerem o seu rosto. «Sede diligentes, sem fraqueza, fervorosos de espírito, dedicados ao serviço do Senhor» (Rm 12, 11).
Quando Israel se encontrava no ponto mais obscuro da sua história, Deus chamou em seu socorro não os grandes e as pessoas estimadas, mas um jovem de nome Jeremias; ele sentiu-se chamado a uma missão demasiado grande: «Ah! Senhor Javé, não sou um orador, porque sou ainda muito novo!» (Jr 1, 6). Mas Deus replicou: «Não digas: sou ainda muito novo — porquanto irás aonde Eu te enviar, e dirás o que Eu te mandar» (Jr 1, 7).
Abençoo-vos e rezo cada dia por todos vós.

BENTO PP. XVI